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Voluntária do Grupo Renascer – em apoio a prostitutas, travestis e homossexuais – desde a sua fundação, em 2000, Débora Lee afirma que o trabalho que desempenha na entidade enriqueceu sua visão sobre o papel social do grupo e, também, lhe proporcionou um crescimento pessoal.

 

A travesti e ex-prostituta conta que trabalhou nas ruas durante 14 anos e apenas há nove meses conseguiu deixar “aquela vida”. Hoje, ela se dedica somente à atuação no grupo.

“Aqui trabalhamos pela defesa dos direitos humanos e com uma população menos favorecida. Mas, para mim, somos todos iguais, elegemos nossos governantes, pagamos impostos. Por isso, entrei na causa”, diz Débora.

A atual presidente do Grupo, que há dois anos ocupa o cargo e, em 2008, foi reeleita para mais um mandato, acompanhou toda a trajetória da ONG e afirma que a entidade já passou por maus bocados. “Quando o presidente anterior [Otair Luiz dos Santos] passou a diretoria para mim, a sede estava em condições precárias, sem água, sem luz. Não tinha recursos, nem visibilidade e estávamos perdendo a credibilidade”. Com a ajuda de amigos e conhecidos, Débora conseguiu um imóvel para mudar a sede, sem custo algum, e com dedicação buscou saber como as “coisas funcionavam”.

“Eu não sabia nada dessas papeladas, projetos, como fazer para ter ajuda da Prefeitura. Mas me esforcei e hoje está legal. Os profissionais de saúde reconhecem nosso trabalho e a importância da ONG para as minorias”, argumenta a presidente.

Com o objetivo de resgatar as meninas e proporcionar oportunidades de emprego, o grupo Renascer mantém uma cooperativa de corte e costura, com o apoio do Conselho Municipal de Assistência Social de Ponta Grossa. Além disso, realiza um trabalho voltado à prevenção de AIDS e doenças sexualmente transmissíveis, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde.

Envolvida com os projetos e, principalmente, com a função social do Grupo Renascer, hoje Débora tem papel ativo no meio social. Ela é a coordenadora municipal de DST/HIV de Ponta Grossa e, também, compõe o Conselho de Ética do Fórum de ONG/AIDS de Curitiba.

“Gostaria que o nosso público desse mais valor às oportunidades, para não ser mais tão humilhado na sociedade. Aqui, muitas têm diploma, mas de que adianta se a sociedade não dá oportunidade? Não tem que se envergonhar, a gente nasceu assim. Se assumir como travesti é uma luta”, enfatiza Débora sobre suas aspirações no grupo e visão de causa.