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Débora Lee, antes conhecida como Jerry Adriano Machado, relata que desde os oito anos de idade se sentia mais próxima do universo feminino. Não gostava de jogar bola ou “lutar” com os irmãos. Sempre preferiu brincar com as irmãs e vestir as suas roupas.

Débora conta que nunca se sentiu bem como homem, por isso se tornou travesti. Essa mudança foi um choque para a família e os amigos. A sua mãe foi a única pessoa que a aceitou como travesti.
   
Aos 15 anos de idade, Débora abandonou a sua cidade natal, Cachoeira do Sul (RS). Com a morte de sua mãe, já não havia mais laços afetivos no local. Então, mudou-se para Caxias do Sul, onde começou a se prostituir.

“Era uma travesti nova, não tinha teto para morar, fui para a prostituição. Era a única forma de sobreviver”. Débora começou a trabalhar em boates e nas ruas de Caxias do Sul.

Em 1989, mudou-se para Ponta Grossa, onde também atuou como profissional do sexo. Durante todo esse período sofreu diversos preconceitos e agressões.

Hoje Débora Lee é presidente do Grupo Renascer. Desde o início do grupo, em 2005, ela permanece na diretoria. Para Débora, o maior objetivo do grupo é retirar os travestis das margens da sociedade .

“A maior culpada de nós estarmos na prostituição é a sociedade, porque eles acham mais fácil pegar o extintor e jogar, jogar ovos do que abrir as portas para o mercado, nós (travestis) somos capazes de desenvolver uma profissão”.

Débora não tem contato com a família há 28 anos. Ela acredita que no período em que mais precisou do apoio não teve, portanto hoje não há necessidade. “Eu tenho tudo, minha casa, meu carro e minha vida social. Tudo isso eu devo à prostituição. Para minha família, não interessa se eu estou viva ou morta”.

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