A Prefeitura retém as verbas para realizar melhorias no conjunto Baraúna por falta de presidência na Associação de Moradores. A última gestão, que renunciou ao cargo em agosto do ano passado, registrou reivindicações dos moradores, que foram levadas através da União das Associações dos Moradores de Ponta Grossa (UAMPG) para a Secretaria de Planejamento.  

“Ninguém quer assumir a associação por conta das dívidas deixadas por gestões de vários anos atrás, e, sem uma presidência, as verbas ficam retidas na Prefeitura”, explica a secretária de uma das gestões anteriores, Edna Mara Rodrigues de Paula. A diretora geral da UAMPG, Lusinete do Rossil dos Anjos, aponta que já foi criado um edital para eleição de uma presidência para a Associação em abril, mas nenhum grupo se registrou até o momento.

Pedidos dos moradores por melhorias no Baraúna ficam engavetados

O Grupo Renascer, entidade voltada para a comunidade LGBT de Ponta Grossa, planeja realizar um encontro com palestras e atividades para marcar o Dia Internacional contra a Homofobia. Na quinta-feira, 17 de maio, o encontro conta com apresentações da militante e presidente do Grupo, Débora Lee, e do presidente do Grupo Reviver, Herbert Molkenthin.

Preconceito e campo para nome social foram os temas de destaque no IX Seminário da Diversidade Sexual e VIII Fórum de Direitos Humanos. O evento aconteceu no dia 27 de outubro, no grande auditório do campus central da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

renascer3-19-12-11O debate é organizado pelo Grupo Renascer e tem como objetivo debater temas de interesse do grupo GLBTTT. Entre os convidados para discutir os temas, estavam a delegada Cláudia Krüger (Delegacia da Mulher), que falou sobre a violência contra travestis e queixas que envolvem o campo para nome social. 

O coordenador do Grupo de Estudos Territoriais (GETE) e professor da UEPG, Marcio Ornat, apresentou parte dos resultados das suas pesquisas sobre as travestis na cidade.

Débora Lee, presidente do Grupo Renascer, afirma que o objetivo do fórum é inserir as questões que envolvem as travestis no debate público. “Nosso objetivo é desmistificar a travesti e a transexual. Queremos melhor atendimento na área da saúde e educação”.

Débora destaca ainda que o fórum e debates dão resultado. “Houve bastante conquista nos últimos anos, principalmente quanto ao preconceito em Ponta Grossa”.

Convidados de outras cidades também estiveram presentes no evento. Carla Amaral, que faz parte de um grupo de apoio à comunidade LGBTTT de Curitiba, reforça a importância da discussão dos temas que dizem respeito às travestis.

“A nossa sociedade é carente de informação. Parece que as pessoas esquecem que há diversidade da sexualidade. É necessário informar a sociedade sobre essa diversidade”.

EDITORIAL
Ignorância e falta de informação vêm antes do descaso

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renascer2-19-12-11O Grupo de Estudos Territoriais da UEPG (GETE), do curso de Geografia da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), mantém contato com o Grupo Renascer desde 2006. O professor Márcio Ornat, coordenador do grupo, defendeu a dissertação de mestrado na área de geografia e gênero com pesquisa que estabeleceu uma relação entre prostituição e territorialidade na cidade de Ponta Grossa.

Presente no último Seminário de Diversidade Sexual na UEPG, sua palestra focou na observação da prostituição e violência, em discussão para compreender como essa profissão se relaciona com a territorialidade no sul do Brasil.

Segundo Ornat, a homofobia seguida de violência é um elemento que constitui a vida de uma travesti. Como cita, na maioria dos casos isso ocorre desde a infância. Das 35 travestis do sul do Brasil entrevistadas pelo grupo de estudos, todas afirmam ter sofrido algum tipo de violência, quase sempre física.

“Conversei com uma travesti que foi espancada pelos colegas de classe dentro da sala de aula, aos 12 anos. O que mais a incomodou foi o fato de o professor não ter feito nada quando chegou à cena, não reprimindo de nenhuma forma o ato dos alunos”, conta o professor.

Denise Dorneles, travesti e membro do Grupo Renascer, conta que ainda passa por situações de preconceito na rua da casa em que mora há 25 anos. “Ainda quero ser vista com dignidade. Tenho todos os direitos como qualquer outro cidadão”.

Na última discussão do seminário, disse que a inserção do campo para nome social – e não o de batismo – não é a questão mais relevante no momento. “É importante reivindicarmos o uso do nome social, mas o preconceito é muito mais urgente. Não vai acabar nunca, mas temos que lutar”, comenta.

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Débora Lee, antes conhecida como Jerry Adriano Machado, relata que desde os oito anos de idade se sentia mais próxima do universo feminino. Não gostava de jogar bola ou “lutar” com os irmãos. Sempre preferiu brincar com as irmãs e vestir as suas roupas.

Débora conta que nunca se sentiu bem como homem, por isso se tornou travesti. Essa mudança foi um choque para a família e os amigos. A sua mãe foi a única pessoa que a aceitou como travesti.
   
Aos 15 anos de idade, Débora abandonou a sua cidade natal, Cachoeira do Sul (RS). Com a morte de sua mãe, já não havia mais laços afetivos no local. Então, mudou-se para Caxias do Sul, onde começou a se prostituir.

“Era uma travesti nova, não tinha teto para morar, fui para a prostituição. Era a única forma de sobreviver”. Débora começou a trabalhar em boates e nas ruas de Caxias do Sul.

Em 1989, mudou-se para Ponta Grossa, onde também atuou como profissional do sexo. Durante todo esse período sofreu diversos preconceitos e agressões.

Hoje Débora Lee é presidente do Grupo Renascer. Desde o início do grupo, em 2005, ela permanece na diretoria. Para Débora, o maior objetivo do grupo é retirar os travestis das margens da sociedade .

“A maior culpada de nós estarmos na prostituição é a sociedade, porque eles acham mais fácil pegar o extintor e jogar, jogar ovos do que abrir as portas para o mercado, nós (travestis) somos capazes de desenvolver uma profissão”.

Débora não tem contato com a família há 28 anos. Ela acredita que no período em que mais precisou do apoio não teve, portanto hoje não há necessidade. “Eu tenho tudo, minha casa, meu carro e minha vida social. Tudo isso eu devo à prostituição. Para minha família, não interessa se eu estou viva ou morta”.

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