EDITORIAL
Carinho, apoio e conscientização
    Em funcionamento desde agosto do ano passado, o projeto do Grupo Renascer trabalha diretamente com as profissionais do sexo. Através de conversas e distribuição de preservativos e materiais explicativos, o Renascer busca diminuir o índice de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs)  e o consumo de drogas nesta profissão. Mas, além deste trabalho de conscientização, o Grupo também dá atenção e carinho a essas profissionais.

Acompanhando o projeto de perto

PERFIL
Protagonistas da cidade noturna


Com o intuito de diminuir o índice de DST’s, AIDS e consumo de drogas entre as profissionais do sexo de Ponta Grossa, o Grupo Renascer trabalha com um projeto de conscientização desde agosto de 2008: o “Faces de Vênus”.

A idéia surgiu devido ao fácil acesso e à grande convivência dessas profissionais com o álcool e as drogas, principalmente o crack.

“É uma droga que vicia muito rápido, então muitas profissionais acabam baixando o preço de seus serviços para sustentar o vício”, explica Fernanda, integrante do Grupo Renascer e coordenadora do projeto.

O “Faces de Vênus” foi montado pelo Grupo Renascer, que então encaminhou o projeto para a Divisão de Controle de DST’s e AIDS de Curitiba. O intuito inicial era trabalhar com cerca de 200 profissionais. No entanto, o número de pessoas atendidas atualmente já é bem superior a este, uma vez que o Grupo trabalha em bares, boates, postos de gasolina, ruas e rodovias.

O trabalho é realizado por cinco integrantes do Renascer, que buscam uma relação de cumplicidade com as beneficiadas. As executoras do projeto vão pessoalmente ao local de trabalho dessas profissionais e entregam preservativos (dezesseis por semana) e materiais explicativos sobre uso de álcool e drogas e sobre as DST’s. As profissionais que apresentam dependência química ou algum tipo de doença são encaminhadas ao órgão responsável.

Quando a dependência é ligada ao álcool ou drogas, o órgão competente é o CAPS – Centro de Apoio Psicossocial, onde são oferecidas terapias que ajudam no processo de desintoxicação. No entanto, por acreditarem que já estão “curadas”, muitas profissionais iniciam a terapia e acabam deixando o tratamento na metade. Em casos assim, o retorno ao vício é praticamente certo.

Já em relação ás DST's, as pacientes são deslocadas aos postos de saúde mais próximos. Entretanto, mesmo com a possibilidade de tratamento da maioria dessas doenças, o preconceito atrapalha a adesão. “Muitas profissionais são tratadas com indiferença nos postos de saúde, o que as desmotiva a procurar este tipo de ajuda”, conta Fernanda.

Mas tão importante quanto o combate às DST’s e às drogas é a atenção e o carinho que as integrantes do Grupo Renascer dispensam a estas profissionais, muitas vezes marginalizadas pela sua condição. “Elas ficam nos esperando. E, mesmo que já estejam com cliente, sempre dão um jeitinho de vir falar conosco”, acrescenta Fernanda.
A

alt

Voluntária do Grupo Renascer – em apoio a prostitutas, travestis e homossexuais – desde a sua fundação, em 2000, Débora Lee afirma que o trabalho que desempenha na entidade enriqueceu sua visão sobre o papel social do grupo e, também, lhe proporcionou um crescimento pessoal.


altSemanalmente o Grupo Renascer vai às ruas para levar preservativos e orientações sobre doenças sexualmente transmissíveis até mulheres, homossexuais e travestis que exercem a prostituição no centro de Ponta Grossa. O trabalho acontece há mais de seis anos.