altQuando a filha mais nova de seus avós adoeceu, toda a família de Maria da Aparecida de Almeida viu-se obrigada a se mudar de um município vizinho a Tibagi para Ponta Grossa. Ela tinha dois anos de idade.

Maria estudou nos colégios Epaminondas Novaes Ribas e Regente Feijó, e diz que teve a “sorte” de passar no primeiro vestibular para Pedagogia, na Universidade Estadual de Ponta Grossa, onde também trabalhou como zeladora. Formada em 1999, fez pós-graduação em Educação Infantil na própria UEPG.

Passou a trabalhar na APAM – Associação de Promoção à Menina, onde ficou durante dois anos como professora e quatro anos como coordenadora. Foi lá que conheceu uma menina portadora do vírus HIV, e a matriculou na APAM, em 2001.

Na mesma época, esta mesma menina estimulou Maria a conhecer o Grupo Reviver, onde a pedagoga descobriu que havia o projeto Roda Peão, que visava à implantação de uma escolinha dentro do Grupo. Logo saiu da APAM para trabalhar no Reviver, coordenando o grupo de crianças que iam com as mães frequentar a instituição.

O projeto Roda Peão abrange crianças da comunidade, portadoras ou não do vírus HIV. “Eu trato as crianças como se todas fossem portadoras, ou como se nenhuma tivesse AIDS, todos são iguais”, afirma. Mesmo assim, ainda sofre algum preconceito por parte da família e de conhecidos. “Ou me enchem de perguntas ou se afastam de mim”, desabafa.

Até mesmo no bairro onde mora, Maria tornou-se referência quando o assunto é prevenção de AIDS. Maria afirma que “quem trabalha no Reviver tem que renovar sua bagagem de informação sempre, porque acaba se tornando fonte para a comunidade”. Nunca teve receio algum de trabalhar no Reviver, e abraça a causa totalmente.

Como toda boa pedagoga, Maria se frustra quando algum aluno não passa de ano, e comemora quando eles atingem algum objetivo. “Sou feliz aqui, amo o trabalho que desempenho”, garante.