reviver2-20-09-2012

O Grupo Reviver é uma instituição que cuida de pessoas portadoras do vírus HIV na cidade de Ponta Grossa. Dentre os projetos do grupo, o Roda Pião é o responsável por cuidar de crianças da comunidade. Ele funciona como contra turno escolar e atende cerca de 85 crianças.

 “Nós temos o berçário, que atende de zero a cinco anos, depois outra turma que é de seis a dez anos e, depois disso, eles vão pra outra turma, até os 15 ou 16 anos”, explica o presidente do Grupo, Alceu Fontana. Alceu conta que as crianças atendidas são, normalmente, filhos de portadores do HIV ou, em alguns casos, portadoras também.

“Quando as crianças estão passando para a adolescência, nós temos um treinamento que ensina qual é o papel do grupo, como deve se tratar e como é a doença AIDS e os perigos que ela oferece”. Os responsáveis por ensinar as crianças são as assistentes sociais e as professoras, dentro de sala de aula.

Durante a gravidez, no caso de a mãe ser HIV +, é possível fazer um tratamento durante o pré-natal para que o filho não adquira o vírus no nascimento. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o recomendado é que no primeiro e terceiro trimestre de gestação se faça o teste do HIV.

Para minimizar os riscos de passar o vírus para o feto, a gestante não deve amamentar o bebê, e o mesmo deve tomar o medicamento que inibe o vírus até os seis meses de idade. Na hora do parto, uma vacina antirretroviral é dada na mãe para que a criança não corra riscos de contrair a doença. 

Coquetel antiaids dá mais vida aos pacientes
Foi no final do ano de 1995 que o coquetel contra a AIDS surgiu. Nos anos anteriores, o portador do vírus HIV estava fadado à morte por conta de doenças oportunistas, como tuberculose e pneumonias. As Normas Brasileiras e Mundiais da AIDS determinam que o portador não deve tomar o medicamento se a contagem das células de defesa do organismo – CD4 – estiverem acima de 350.

Quando os valores estão entre 200 e 350, a decisão de se introduzir o coquetel deve ser analisada caso a caso por um médico especialista. Abaixo de 200, o uso do medicamento é obrigatório para corrigir a deficiência imunológica que o vírus causa. Os efeitos colaterais que o coquetel de medicamentos traz é o que dificulta a adesão dos pacientes ao tratamento.

O Grupo Renascer oferece o projeto de adesão ao medicamento, que explica aos adultos as vantagens e desvantagens de usar o coquetel. Os efeitos colaterais não se manifestam em todas as pessoas, apenas em algumas. 

 “Eu sofri muito com os efeitos colaterais do medicamento porque, além de ser complicado de tomar, faz a gente sofrer, mas é bom mesmo assim”, conta um portador do vírus que prefere não se identificar. Ele explica que sofreu crises de rim, de fígado e ainda teve problemas no estômago, como gastrite e azias frequentes. ‘Decidir tomar o medicamento foi muito difícil. Eu sabia o que ia me acontecer, porém preferi viver mais, mesmo que com tantos problemas”, conta.

Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que os coqueteis antiaids podem causar danos aos rins, fígado, ossos, estômago e intestino, além de doenças neuropsiquiátricas e diabetes. Eles também afetam o sistema metabólico, provocando lipodistrofia, que é uma mudança na distribuição de gordura no corpo.

Apesar destes transtornos, o tratamento com os antirretrovirais trazem benefícios, pois impedem a multiplicação dos vírus, aumentando a sobrevida dos pacientes. Para uma pessoa saber se é ou não portadora do vírus, basta ir até um posto de saúde e pedir o teste de HIV. O resultado fica pronto em 20 minutos, e o coquetel só pode ser tomado sob orientação médica.

Dona Perpétua e a luta contra a AIDS
No Brasil, o 1° de dezembro é lembrado como o Dia Mundial de Combate à AIDS, a fim de lutar contra o preconceito e o estigma que ainda envolve a doença.

 O país tem aproximadamente 530 mil soropositivos, segundo dados do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/Aids (Unaids). Mesmo assim, ainda é um desafio fazer com que parcela da sociedade aceite e entenda que a partir do tratamento, as pessoas têm melhor qualidade de vida e almejam novas perspectivas, desejos e o direito de se relacionarem afetivamente, bem como trabalhar, estudar e ter filhos.

Dona Perpétua Correia Diniz (42), é portadora de HIV há 18 anos. Foi infectada através do marido. Assim como milhares de brasileiros, Dona Perpétua tinha uma ideia contrária do que realmente é a doença. “Achava que só pessoas bem debilitadas, magrinhas eram Aidéticas e não meu marido, que era forte, de 90 e poucos quilos”, relata.

“Quando descobrimos que temos o HIV, a primeira coisa que passa pela cabeça é que vamos morrer”, comenta Dona Perpétua, que perdeu o movimento das pernas, após dois meses do seu primeiro exame de AIDS. “Se eu tivesse a mente um pouco mais aberta, teria corrido atrás para saber sobre a doença, já que o acesso à informação esta tão próximo. Seja nas reportagens da televisão, nos postinhos médicos, até mesmo por folders espalhados na rua”, conta.

Hoje, ela é a única pessoa de sua família soropositiva e não se importa com o preconceito social, uma vez que o essencial era ter o respeito e carinho da sua filha e do seu neto. “Não tive vergonha em ensinar para minha filha modos para se prevenir e uso a minha história de vida como exemplo para as pessoas se cuidarem contra a doença”, finaliza.

Reviver231-05-2013

Arquivo Comunitário:
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