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Repetindo a tradição, o Grupo realizou homenagens às mães na tarde da última sexta-feira, dia 06, com apresentações realizadas pelas 75 crianças que participam das atividades de contra-turno escolar e lanche no encerramento.

altO médico Dráuzio Varella visitou o grupo Reviver no dia 21 de outubro para uma reportagem a ser veiculada no Fantástico, no dia 21 de novembro. O programa terá como tema portadores do vírus HIV que lidam de forma diferente com a doença. Personagem principal dessa matéria, Seu Nestor de Assis, há 11 anos voluntário no Reviver, ficou honrado com a visita de Dr. Dráuzio.


Seu Nestor Ramiro de Assis foi caminhoneiro a vida toda. Contraiu o vírus HIV e só foi descobrir depois de muito tempo, aos 60 anos. “Quando veio o exame, eu achei que estava condenado. Vendi tudo o que eu tinha, achando que não ia usufruir de mais nada, porque estava morto. Fiquei muito doente”, afirma.

Porém, algum tempo depois veio a melhora, e, como seu Nestor não sabe ficar parado, foi em algumas palestras sobre AIDS. Em uma delas, conheceu uma equipe do Grupo Reviver. Na época soube que a entidade precisava de um motorista da van que faz o transporte das crianças que participam dos seus projetos da casa. Assim, resolveu fazer o trabalho voluntário.

Essa emocionante história acabou chamando a atenção do médico Dráuzio Varella, autor do livro “Carandiru” e apresentador de vários quadros voltados à saúde no programa Fantástico, da Rede Globo, aos domingos.  Para a matéria sobre portadores do vírus HIV que encaram a doença de forma diferente, o médico veio para Ponta Grossa no último dia 21 de outubro para conhecer de perto a história dos integrantes do Reviver.

Segundo Cláudia Hey, assistente social da instituição, a impressão no Reviver foi unânime: "Dr. Dráuzio é uma pessoa simpática, humana e simples".  Sobre o médico, Cláudia disse ainda: “Ele não ficou cheio de rodeios, fez perguntas objetivas, é um homem decidido. Conversou com todo mundo, sem distinção. Ele é aquela pessoa doce e carinhosa que vemos na televisão”, conta.


Foto: Revista Época
Reviver-06-11-2010.jpgDr. Dráuzio não foi entrevistado pela equipe do Portal Comunitário a pedido do Grupo Reviver e da própria Rede Globo, que queria que a visita fosse privada. O quadro do médico no programa Fantástico, que tem a participação de Seu Nestor (foto) e do Reviver, irá ao ar no dia 21 de novembro de 2010.

Sobre a expectativa de aparecer na TV, Seu Nestor afirma: "É uma honra fazer parte e poder levar o nome do Grupo”, garante.

altQuando a filha mais nova de seus avós adoeceu, toda a família de Maria da Aparecida de Almeida viu-se obrigada a se mudar de um município vizinho a Tibagi para Ponta Grossa. Ela tinha dois anos de idade.

Maria estudou nos colégios Epaminondas Novaes Ribas e Regente Feijó, e diz que teve a “sorte” de passar no primeiro vestibular para Pedagogia, na Universidade Estadual de Ponta Grossa, onde também trabalhou como zeladora. Formada em 1999, fez pós-graduação em Educação Infantil na própria UEPG.

Passou a trabalhar na APAM – Associação de Promoção à Menina, onde ficou durante dois anos como professora e quatro anos como coordenadora. Foi lá que conheceu uma menina portadora do vírus HIV, e a matriculou na APAM, em 2001.

Na mesma época, esta mesma menina estimulou Maria a conhecer o Grupo Reviver, onde a pedagoga descobriu que havia o projeto Roda Peão, que visava à implantação de uma escolinha dentro do Grupo. Logo saiu da APAM para trabalhar no Reviver, coordenando o grupo de crianças que iam com as mães frequentar a instituição.

O projeto Roda Peão abrange crianças da comunidade, portadoras ou não do vírus HIV. “Eu trato as crianças como se todas fossem portadoras, ou como se nenhuma tivesse AIDS, todos são iguais”, afirma. Mesmo assim, ainda sofre algum preconceito por parte da família e de conhecidos. “Ou me enchem de perguntas ou se afastam de mim”, desabafa.

Até mesmo no bairro onde mora, Maria tornou-se referência quando o assunto é prevenção de AIDS. Maria afirma que “quem trabalha no Reviver tem que renovar sua bagagem de informação sempre, porque acaba se tornando fonte para a comunidade”. Nunca teve receio algum de trabalhar no Reviver, e abraça a causa totalmente.

Como toda boa pedagoga, Maria se frustra quando algum aluno não passa de ano, e comemora quando eles atingem algum objetivo. “Sou feliz aqui, amo o trabalho que desempenho”, garante.


altDizem que a música é a voz da alma. Paulo Roberto Salvador, de 28 anos, leva isso muito a sério, e faz da música sua vida. Nascido em Saudades do Iguaçu, já  aos nove anos de idade ganhou um violão dos pais. Desde então, nunca mais largou o instrumento.

Cantou em festivais e sempre esteve envolvido com canto e dança, em especial a tarantela italiana. Morou em várias cidades do interior do estado, como Pontal do Paraná, onde trabalhou em uma lanchonete, cantado música sertaneja.

Foi para a cidade da Lapa aos 21 anos, também se apresentando em restaurantes. Nessa época, o irmão, Pedro, foi chamado para trabalhar com artesanato em madeira no CAIC - Centro de Atendimento Integral à Criança e ao Adolescente, mas não pôde ir.

Paulo, então, tomou seu lugar. Começou a ajudar a professora do coral do CAIC e, quando ela teve de sair, assumiu a parte musical do Centro, onde ficou por três anos coordenando oficinas de música.

Paulo descobriu que, quanto mais se envolvia com música, mais deveria aprender, para poder passar seu conhecimento para os alunos. Descobriu como fazer partituras, escrever roteiros e até montou uma peça. Autodidata, aprendeu a tocar vários instrumentos.

Com o trabalho do CAIC, pôde mostrar seu material em Porto Amazonas, onde trabalhou como professor de música. “Lá era um serviço bem puxado, tive que aprender muita coisa na marra. Valeu a pena, foi um trabalho produtivo, havia estrutura”, conta.

A coordenadora do projeto de Porto Amazonas é irmã de Herbert, voluntário do Reviver, e apresentou a instituição para Paulo. Contratado como professor de música, Paulo trabalha de segunda a quinta-feira no Reviver, e toca em bares na Lapa de sexta a domingo. Além disso, fez uma participação em um dos curta-metragens do quadro “Casos e Causos”, da Revista RPC, veiculada pela Rede Globo aos domingos.

O músico conta que a satisfação de poder participar do Reviver é muito grande. “Poder ver as crianças fazendo notas perfeitas no violão, se animando, trazendo as músicas que elas querem tocar e conseguindo tocá-las é a razão do meu trabalho. Música é uma linguagem universal, que une todo tipo de gente, e isso torna o meu trabalho no Reviver muito importante”, garante.

altMensalmente o Grupo Reviver promove uma reunião de capacitação direcionada a novos e antigos frequentadores. Nos encontros, profissionais e voluntários de distintas áreas da saúde apresentam palestras e atividades que ajudam os participantes a entender mais a respeito da doença e formas de gerar a própria qualidade de vida. A cada reunião também é ressaltada a importância da medicação e os cuidados básicos no dia a dia.


Na última segunda-feira, dia 19, aconteceu mais uma reunião de capacitação no salão do Grupo Reviver. O voluntário Herbert Adolf Molkenthin abordou formas de transmissão do vírus HIV e pediu para os participantes desenharem o que entendiam como vias de acesso do corpo à doença.

“Sempre bato na mesma tecla, às vezes eles falam que eu repito demais, mas é importante fazê-los compreender bem a prevenção”, ressalta Herbert.

A aula não é restrita apenas aos portadores do vírus e seus familiares, pessoas da comunidade também podem participar. Esse é o caso da divulgadora Andréia Galvão, que sofre de depressão e deseja ser voluntária no Reviver. “Essa é minha segunda vez aqui, na outra reunião falaram mais sobre formas de violência”, conta Andréia.

De acordo com Herbert, muitas pessoas entram em pânico porque não conhecem a doença. É preciso falar sobre o uso de preservativos, prevenção e preconceito. “Muita gente não sabe, mas o casal portador precisa usar camisinha, senão ocorre troca de vírus”, destaca.

O fluxo de participantes varia sempre. Nessa palestra, cerca de dez participantes receberam cartolina e lápis de cor para desenhar as formas que conheciam de transmissão do vírus. De acordo com Herbert, tudo é feito de maneira a recuperar a auto-estima dos frequentadores e ajudá-los.

A dona de casa Silvana Moreira é portadora do vírus há 1 ano e 2 meses e essa foi a terceira vez que frequentou a reunião. “O mais importante para mim até hoje foi o debate sobre a discriminação e reação ao coquetel de remédios”, afirma Silvana.

“As pessoas têm que sair daqui sabendo o que é a doença e como funciona”, encerra Herbert. Nas reuniões, além da palestra, ocorre muita conversa e interação entre os participantes e profissionais.