altPara que uma cidade seja considerada livre do analfabetismo, precisa apresentar índice inferior a quatro porcento de analfabetos.
Na tentativa de alcançar esta meta, Ponta Grossa participa do Programa Estadual Paraná Alfabetizado, e o Grupo Reviver fornece espaço para realização das aulas.
Mesmo com este estímulo por parte da ONG, dos doze alunos que iniciaram o curso em abril,  apenas seis continuam frequentando as aulas assiduamente.

 

As dificuldades estão sendo enfrentadas com dedicação
Na cidade de Ponta Grossa, mais de onze mil pessoas não sabem ler e escrever o próprio nome. Isto significa cerca de 5,5% da população da cidade. No Grupo Reviver, este índice é de 60% do número de usuários que frequentam a Associação.

De acordo com a professora do curso de AlfabetizAção, Danyza Nowak,  a principal dificuldade é manter os alunos. No início das atividades, eram 12 estudantes. Hoje apenas seis frequentam as aulas.

“Alguns aprenderam a desenhar o nome e não voltaram mais. O que eles queriam era poder assinar um documento. Só permaneceram mesmo aqueles que tem algum sonho”, afirma a professora.

Ela conta que alguns alunos já viveram sessenta anos sem ler e escrever e, ainda assim, tiveram sua família, trabalho e construíram uma casa. “Já viveram tanto tempo sem as 'letrinhas', para quê vão precisar agora?”

Além disso, há muitas faltas devido ao fato de alguns dos usuários do Grupo terem data para ir ao médico e levar seus filhos. Eles não podem nem deixar de ir e nem remarcar a data. A professora alerta: “Eles não podem adoecer. Alguns têm a imunidade muito baixa. Se eu adoeço não posso vir dar aulas. Por isso compreendo e estimulo que eles cuidem de sua saúde”.


O Grupo Reviver oferece vale-transporte para os estudantes. E o Programa AlfabetizAção fornece a mesma merenda da rede estadual e todo o material escolar.No entanto, mesmo com estes estímulos alguns alunos desistem antes de ser alfabetizados.

Segundo a Coordenadora Regional de Alfabetização, Mônica Bruning, a evasão não é exclusividade do Reviver. Em Ponta Grossa, cerca de 30% dos participantes deste programa desistem antes de concluir o processo.

“Eles não entendem a importância de aprender”, afirma a Assistente Social da ONG, Cláudia Hey. Ela comenta que o Grupo está pensando em novas estratégias para manter os alunos.

Para aqueles que continuam na alfabetização, o esforço já está dando resultado. Coisas simples, como assinar o próprio nome, saber fazer as compras de supermercado e ler alguns versículos da Bíblia, têm feito a diferença no dia-a-dia dos estudantes.

“Eu já consigo ajudar meu filho com algumas tarefas da escola”, conta animada a aluna Rode.Maria Colaço percebeu bastante diferença na hora de ir ao supermercado. “Agora eu já sei o que eu posso comprar e o que o dinheiro não vai dar”.

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altBrinquedos singelos, guloseimas, cachorro quente, bolo de chocolate, refrigerante, brincadeiras e um pouco de atenção.
Coisas que podem parecer simples, mas que fizeram a diferença no dia de comemorações das 63 crianças que participam da ONG Reviver.
Através da doação de empresas e parceiros, o grupo pode fazer para as crianças um dia todo especial, pensado só para elas. A recompensa veio com os sorrisos e  a sensação de que o trabalho está sendo cumprido.


Na última sexta feira, foi comemorado o dia das crianças no Grupo Reviver. Através da doação de empresas, parceiros e amigos da ONG, as 63 crianças que são atendidas pelo projeto Roda Peão receberam uma alimentação especial, brinquedos, doces e guloseimas, além de recreação durante toda a tarde. O projeto  oferece atividades no contra turno escolar para os filhos dos usuários e também as crianças da comunidade.

Segundo a coordenadora pedagógica, Maria de Aparecida Almeida (foto), o dia foi todo pensado e planejado para dar às crianças um momento especial. “Eu liguei para a escola de cada uma para pedir que liberassem as crianças para passar o dia todo no Grupo”.

E completa:  “Se não fosse o Reviver e as doações, acredito que o dia das crianças seria bem triste. Muitos pais não têm nem condições de oferecer a atenção e o carinho necessário, quem dirá um mimo como doces e brinquedo”.

Para retribuir o carinho e os presentes, as crianças prepararam várias apresentações com o tema primavera. Poemas, músicas, danças e teatros, tudo para revelar o lado artista de cada um e, ao mesmo tempo, falar sobre a importância de preservar a natureza.
Ronaldo Silva (foto), professor voluntário de música, diz que a sensação que tem ao ver seus alunos no palco, felizes e cada vez mais íntimos com os instrumentos e a musicalização, é a de trabalho cumprido.

“Tem gente que não acredita no trabalho de ONG’s, não acreditam que é possível mudar alguma coisa trabalhando com as crianças carentes.  Nós, que trabalhamos aqui, temos a obrigação de mostrar que isso é possível”, explica Ronaldo

Maria Colasso, que tem três filhos participando do Grupo, sabe bem como essas doações e a atenção especial faz a diferença na vida dos pequenos. “Fico muito feliz em saber que existem pessoas dispostas a ajudar. Não tenho condições de comprar presente para os três. Se não fosse o Reviver, eles passariam o dia das crianças em branco.” 

Sua filha Ângela completa: “estava ansiosa esperando, adorei os presentes, as brincadeiras, a comida, tudo!”, afirma a sorridente garota de 10 anos, com seu pacote de doces e sua bola nova nas mãos.

A professora Carla Teleginski conhece bem as crianças e afirma: “Não precisa de muito para deixa-las feliz. É gratificante ver os olhinhos delas brilhando de alegria, afinal o que pode parecer pouco para outras pessoas é muito para elas.

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altNestor Ramiro de Assis ganhou o primeiro lugar no Concurso Cultural do Ministério da Saúde.
O prêmio “Vidas em Crônica: Retratos da Aids no Brasil” teve o objetivo de divulgar alguns aspectos que marcaram a epidemia da Aids sob a ótica de quem vive ou convive com HIV. Nestor foi o único paranaense premiado.
A crônica conta sua história desde o descobrimento do vírus aos 60 anos de idade.

O Senhor Nestor, como é carinhosamente conhecido pelo Grupo, fez sua inscrição no Concurso de Crônicas do Ministério da Saúde em parceria com a Unesco: “Vida em crônica. Retratos da Aids no Brasil”.

O concurso foi subdividido em três categorias: 1980, 1990 e 2000. Nestor Ramiro de Assis, com o pseudônimo de Guido, ficou em 1º lugar e foi o único paranaense premiado. Irá receber um computador e também a viagem com todas as despesas pagas para a Cerimônia de Premiação, que ainda não tem data e local definido.

O texto premiado é o relato feito por Nestor do momento em que descobriu que era portador do vírus HIV, aos 60 anos. De acordo com ele, a pessoa que o ajudou e o motivou para contar sua história foi a Assistente Social da ONG e amiga, Cláudia Maria Hey da Silva.  “O Reviver recebeu o cartaz do Ministério da Saúde e eu disse a ele: sente e nos conte sua história”. Relata a amiga.

Nestor diz que ficou muito contente com o resultado: “Cheguei até a ficar emocionado. Vou começar a treinar no computador”. Ele relata que agora pretende aprender mais de informática e escrever direto no equipamento.

altCrônica: Um recorte do cotidiano

“Atividade musical coletiva ajuda a criança de maneira especial”, diz professor da UEPG
    Uma das atividades pedagógicas que o Grupo Reviver desenvolve em contra turno escolar são as aulas de canto e música. São 57 alunos no total, com idade entre quatro e 18 anos. Para os de quatro a seis anos, o trabalho é de musicalização. Já com os demais alunos, o trabalho é teórico, em sala de aula, e também prático, em estúdio, no qual aprendem canto e a tocar instrumentos musicais. O Projeto Família Pintando o Sete fará sua primeira apresentação agora em junho.

A importância da música, nas palavras das crianças (áudio)

O Grupo Reviver conta com o Projeto Família Pintando o Sete. Este projeto desenvolve atividades artísticas. As aulas que deveriam ser de teatro e música, hoje, são apenas de música.

“Por ser voluntário o trabalho do professor de teatro, a pessoa vem uma vez e depois não aparece mais”, desabafa o Auxiliar administrativo e Professor de música do Grupo Reviver, Ronaldo Silva.

De acordo com ele, o objetivo das aulas não é formar músicos profissionais e sim aguçar outros aspectos: “Eu tenho sentido que eles estão ficando mais confiantes na comunicação, adquirindo mais coordenação motora, e a interação em grupo melhorou. Estou muito satisfeito com os resultados”.

Apesar de as aulas terem começado em outubro do ano passado, parado no período das férias escolares e retomado as atividades em março deste ano, o projeto pessoal do Professor é de uma banda mais completa, com baterias e baixos.

reviver3-31-05-09.jpgPara Vera Regina Taborda (foto), Presidente da ONG, as aulas de música surgiram da necessidade das crianças de exteriorizarem seus sentimentos.

“A música é uma maneira de nós expressarmos o que sentimos. Nós vimos que as nossas crianças tinham esta necessidade porque familiarmente eles não têm condições de aprender alguma coisa. Aqui estamos vendo que eles estão melhorando o comportamento”.

Hoje a Instituição conta com 30 violões e instrumentos alternativos como pandeiro, triângulo, maraca, cavaquinho, tambor, para os que não têm habilidades com instrumentos de corda, e flauta doce. As aulas são divididas em teóricas e práticas. Nas aulas teóricas os alunos aprendem a ler partituras e tablaturas, o que segundo Ronaldo é um diferencial.

“Só a elite, que pode estudar em boas escolas e conservatórios, tem acesso a esta questão teórica que envolve a música”. Já as aulas práticas, que são feitas em um estúdio improvisado numa das salas da sede do Reviver, são realizadas com grupos de até dez alunos por vez, para que as instalações ofereçam o mínimo de conforto.

Já foi solicitada ao poder público uma verba para comprar mais instrumentos. De acordo com o professor, que é especializado em cordas, as aulas contemplam três mundos dentro da música: percussão, sopro e corda.  Para ele, a aquisição de novos instrumentos será boa para tornar mais dinâmicas as aulas.

A primeira apresentação do grupo está marcada para a Conferência Anual da Assistência Social, que deve ocorrer em junho, na cidade de Ponta Grossa. Para este momento, estão preparando uma apresentação com a música Asa Branca de Luiz Gonzaga.

O professor Ronaldo (foto) destaca os fatores positivos desta canção: “Trata-se de uma música simples, qualquer instrumento pode tocá-la. Para mim, a mais importante do século e é de conhecimento público”. O músico conta que todos os estudantes irão participar da apresentação. Um figurino e coreografia também estão sendo pensados para o dia.altalt

altO Grupo Reviver de apoio a portadores de HIV dedicou um dia especial às mulheres. As frequentadoras foram contempladas com maquiagem, manicure e penteados. Aproveitando a ocasião, o técnico de prevenção, Hebert Adolf Molkenthin falou à reportagem do Portal Comunitário sobre as atividades para 2009, como o Programa Cravo e a Rosa (destinado à prevenção de DST´s entre heterossexuais), o Grupo de Artesanato e o projeto Roda Pião.
 


No último dia 8 foi comemorado o dia Internacional da Mulher. Para homenagear as frequentadoras, na segunda-feira, 9, a Associação Reviver de Assistência ao Portador do Vírus HIV promoveu um dia inteiro de atividades.

Elas aproveitaram desde o atendimento estético como massagem, maquiagem, manicure e penteado, até sorteio de brindes. Animada com tantos paparicos V.R., de 32 anos, mãe de seis filhos e que já é avó, conta que esse dia é um momento em que as mulheres do grupo ficam ainda mais unidas.

“O dia da mulher é todo dia”. Sorridente, diz que muitas mulheres diante da correria do dia a dia às vezes nem arrumam os cabelos e, neste dia, recebem um cuidado especial e se sentem mais femininas.
Programação para 2009.


A ONG, que fará 14 anos em 2009, realiza diversos trabalhos com os soropositivos da sociedade ponta-grossense. Entre os programas, está o apoio à família, apoio espiritual e religioso, projetos de prevenção, de aceitação e incentivo ao tratamento.

A instituição ainda conta com uma creche que, além de cuidar dos bebês de mães frequentadoras, auxilia no tratamento de negativação dos recém-nascidos.

“Aqui eles tomam remédio na hora certa, alimentação adequada e higiene, coisas que em casa talvez não fosse possível”, afirma o técnico de prevenção, Hebert Adolf Molkenthin.

Outros programas previstos para esse ano são a continuidade do Projeto Cravo e a Rosa, que busca orientar os heterossexuais em relação a Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST’s), com a distribuição de preservativos a caminhoneiros e a prevenção na terceira idade.

O programa Roda Pião, que prevê atendimento social e pedagógico em contra-turno escolar para crianças soropositivas e filhos de soropositivos, oferece refeições e atividades recreativas e educativas, como música e teatro, além de orientação sobre higiene.  E o grupo de artesanato, que irá iniciar,  até o final do mês, um curso de costura para que as participantes produzam enxovais.