A Universidade Estadual de Ponta Grossa realiza experimentos com seres vivos em pesquisa e ensino. Grupos de proteção animal condenam a atividade, como abusiva e imoral, e afirmam que existem métodos alternativos que poderiam substituí-la. 

O uso de animais em pesquisa e ensino ainda é uma realidade no mundo inteiro. No Brasil, a discussão sobre a validade da prática voltou à tona quando, em outubro, ativistas invadiram o laboratório de São Roque, interior de São Paulo, e soltaram cachorros da raça beagle usados em pesquisa.

Em Ponta Grossa, a situação não difere do resto do país. A Universidade Estadual de Ponta Grossa(UEPG) utiliza ratos e camundongos para atividades de pesquisa e porcos para o ensino em sala de aula, no curso de medicina.

A militante do AVEG, grupo de abolicionistas veganos, professora Andresa Jacobs afirma que a utilização é absurda e que não se deveria utilizar outros seres vivos dessa maneira. “Isso é imoral! Usam os animais porque eles não têm voz, e eles passam por procedimentos de tortura”, ressalta Jacobs, que acrescenta que existem métodos alternativos capazes de substituir o uso de animais.

Apesar da objeção dos grupos de proteção animal, a UEPG mantém um biotério funcionando em Uvaranas e a utilização de animais continua. O coordenador do biotério da Universidade, professor Marcelo Ferro, afirma que as experiências são necessárias para a ciência, para o desenvolvimento de medicamentos, para o entendimento das doenças que afligem pessoas e outros animais e para a formação de profissionais capazes.

O professor afirma que a utilização de animais foi reduzida e que sempre que existe método substitutivo, o Comitê de Ética e a coordenação do biotério não permitem a experiência em animais. “Nós utilizamos métodos alternativos, mas há um equívoco nessa questão. Ainda não há como substituir totalmente o animal. É complicado usar um método só, utilizamos os métodos alternativos, quando necessário usamos os animais e, no fim, fazemos os testes em humanos. Só com a junção de todo esse conhecimento podemos avançar no tratamento das doenças”, ressalta o professor, e acrescenta que se houvesse um método ele seria amplamente adotado, “ainda não conheci ninguém que goste de fazer experiência com animais”.

A professora Andresa Jacobs contesta. “Existe uma série de alternativas, o que falta é que os professores que estão agarrados a essa prática busquem romper com a tradição e procurem as alternativas”, afirma a ativista.

Próximo bloco: UEPG apresenta o biotério para equipe de reportagem do Portal Comunitário