A praça Dom Antônio Mazzarotto, no Jardim Carvalho, sofreu uma série de reformas há aproximadamente um ano, no entanto, as consequências dessas mudanças e a fraca manutenção ainda geram debate entre a comunidade que frequenta o espaço. As principais transformações aconteceram no parquinho infantil, que teve seus brinquedos substituídos, e no espaço verde do local, que teve uma grande quantidade de árvores retiradas.

 


As condições atuais da praça dividem opiniões entre os moradores do bairro que costumam passar frequentemente pelo local. Enquanto alguns acreditam que o lugar é agradável e seguro, outros presenciam uso e venda de drogas no espaço, além das discordâncias a respeito do corte das plantas antigas.


A praça Dom Antônio Mazzarotto é um espaço que, segundo os registros da Procuradoria Legislativa Municipal, existe desde 1941. Inicialmente era um dos vários espaços públicos que não possuíam nome oficial, mas, a partir da lei municipal nº 1.654 de 5 de dezembro de 1964, a praça foi batizada em homenagem ao primeiro bispo da diocese de Ponta Grossa.


Localizada em frente à Paróquia Santo Antônio, a área da praça ocupa uma quadra completa. Uma das principais possibilidades de lazer oferecidas é o parquinho infantil. Segundo a Secretaria Municipal de Obras, a reforma aconteceu há aproximadamente um ano devido às condições precárias dos brinquedos antigos que foram totalmente substituídos. O novo espaço conta com gangorras, gira-gira, balanços e casinhas com escorregadores e outros brinquedos acoplados.


A área de lazer infantil também recebeu uma cerca após a reforma dos brinquedos. Segundo o diretor do Departamento de Serviços Públicos, Geraldo Kapp, o gradil que agora delimita a área do parquinho mantém os animais em situação de rua fora do perímetro, dificultando a proliferação de doenças que poderiam ser transmitidas pela areia do chão do playground. O acesso aos brinquedos agora se dá através de uma catraca e de um portão com trava.  


A moradora do Jardim Carvalho, Milene Tomasi, 33, começou a frequentar o espaço há aproximadamente um ano. Ela lembra que antes da reforma a praça era menos limpa e possuía brinquedos antigos. Milene afirma estar satisfeita com as mudanças: “Eu trago meu filho de vez em quando para brincar aqui agora que está bem mais limpo e os brinquedos são novos. Acredito que para a finalidade do lugar a qualidade está boa”, conta.

 

Novo visual da praça Dom Antônio não agrada a todos que utilizam o espaço


O aposentado Ademar Pereira dos Santos, 62, visitou a praça Dom Antônio Mazzarotto pela primeira vez. Ele conta que todos os dias se exercita acompanhado da esposa utilizando os equipamentos de ginástica do Parque Ambiental e recentemente resolveu conhecer melhor o espaço do Jardim Carvalho.


Ademar conta que costumava passar pela praça, mas que nunca tinha parado para conhecer o local. Ele afirma que simpatizou com o ambiente e ressaltou que “está tudo bem cuidado e limpo; é agradável para fazer caminhadas e se exercitar na academia ao ar livre, que agora são instaladas por quase toda a cidade”.


Porém, nem todos os frequentadores da praça concordam com as mudanças que a reforma trouxe ao local. O praticante de slackline José Everson, 40, treina há quatro anos e afirma conhecer a praça desde criança. José conta que a principal perda do espaço depois da reforma foi em relação à arborização. “Acabaram com todas as árvores antigas que tinham aqui, inclusive um salgueiro-chorão que eu mesmo plantei quando era criança. Agora fizeram esses canteiros de terra e as flores que plantaram, que  não vão nem sobreviver ao inverno”, afirma.


A prefeitura alega que as árvores antigas foram retiradas por dois motivos: algumas estavam doentes e sem possibilidade de recuperação e as árvores de grande porte tornavam o ambiente mais escuro, criando ‘esconderijos’, facilitando atividades ilícitas como o uso de drogas no local.


A insatisfação de José Everson se estende também às condições do campo de futebol que, segundo o diretor do Departamento de Serviços Públicos, havia sido reformado. Porém, não consta nenhum tipo de manutenção. José conta que as pessoas que costumavam utilizar o espaço para jogar futebol migraram para o Complexo Esportivo Monteiro Lobato devido à falta de estrutura do campo da praça – cujas traves estão enferrujadas e há falta de gramado, tendo apenas pedaços de mato espalhados pela areia do chão.

Moradores se preocupam com segurança da praça


Outro aspecto que divide os frequentadores da praça Dom Antônio Mazzarotto é a segurança do local. Francimar Yank, 30, usufrui diariamente do espaço com sua filha, Ana Beatriz, de dois anos. Ele conta que antes da reforma não trazia a família para o espaço porque considerava o ambiente muito perigoso. “Agora, a gente sempre vê a Guarda Municipal por aqui, principalmente nos fins de semana”, conta.


Em contrapartida, essa não é a opinião do aposentando Luiz Garcia, 70, que leva seu neto de dois anos, Lucas, todos os dias ao parquinho da praça há aproximadamente quatro meses. Ele afirma que o ambiente destinado às crianças é muito bom, mas sente que a segurança da praça poderia ser reforçada. “Tem algumas pessoas que usam a arquibancada do campo de futebol, que fica mais escondida, para usar drogas durante a noite. Eu acho que precisava de uma batida por ali de vez em quando”, afirma. Nossa equipe procurou a polícia mas não obteve resposta sobre a vigilância da praça até o fechamento desta reportagem.


Arquivo comunitário
27/01/14- Vandalismo prejudica quem usufrui da Praça Sto Antônio