lgbtt1-23-04-13Jovens lado a lado em um banco azul. Risos, leve toque de mãos, uma pequena carícia no cabelo, rápida, discreta. Mais uma cena de amizade na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), com uma particularidade, não são amigos, são namorados e são gays.

Ambiente da universidade favorece (auto)aceitação das diferenças



As relações homoafetivas conformam a nova realidade do século XXI. Estão representadas em novelas, são temas de filmes e aparecem nos jornais. No ambiente universitário, suposto templo do conhecimento e da liberdade, ocorre o mesmo – casais de gays e lésbicas convivendo social e academicamente com os outros alunos.

Segundo a psicóloga Adriana Machado Gomes, os jovens que entram na universidade estão em fase de amadurecimento e início da vida adulta. Em contato com a variedade de preferências e contextos tornam-se mais sujeitos à aceitação do diferente.

“A universidade tem um clima mais aberto, as divergências de opiniões são relativamente bem toleradas, esse conjunto de fatores facilita que o sujeito assuma sua orientação sexual perante seus pares”, relata.

No entanto, a psicóloga explica que a facilidade em assumir um relacionamento ou interesse homoafetivo não acontece sempre, já que em casos específicos há a negação e constrangimento tanto social quanto pessoal.

“A sociedade é regida por heterossexuais, é preciso vencer os próprios preconceitos internalizados, para então deixar de sentir-se deslocado, com sentimentos impróprios, com desejos errados e chegar à auto-aceitação”, diz.

A sexóloga Helen Machado, explica que a aceitação de casais de mulheres é mais fácil por conta do fetiche masculino em ter relações sexuais com mais de uma mulher ao mesmo tempo. “É um pensamento propriamente machista, mas é comum. Esse fetiche torna a ideia mais ‘aceitável’ do que a relação entre homens”.

Para a especialista é o tratamento do assunto sexo como tabu que prejudica a compreensão e assentimento das diferenças. “A falta de conhecimento sobre os assuntos do corpo, sobre o sentir e sobre a sensualidade torna as pessoas ignorantes. A educação sexual desde pequeno, sem tabus, sem punição e sem acanhamento ajudaria na redução da intolerância e da incompreensão geral”, ressalta.

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