Para baixar os custos, empresas terceirizadas precarizam as condições de serviço. Funcionários são prejudicados com uma jornada de trabalho maior e o exercício de várias funções ao mesmo tempo.

 

 

Em busca de maior qualidade nas condições de trabalho, o Sindicato dos Metalúrgicos levantou a discussão a respeito da terceirização de serviços. De acordo com o presidente, Mauro Carvalho, o sindicato incentiva a sindicalização de trabalhadores terceirizados e busca convencer os empresários a evitar a prática. “Para ser competitivo e ganhar mercado garantindo qualidade e segurança na produção é melhor contratar diretamente o trabalhador e investir na sua capacitação do que simplesmente recorrer à terceirização”, explica.
 

De acordo com o advogado Volney Campos dos Santos, todo trabalhador com contrato de emprego formal, seja terceirizado ou não, pode ser sindicalizado. Volney explica que a Constituição Federal permite ao empregado tornar-se voluntariamente membro associado ao sindicato de sua categoria.
 

O presidente do sindicato acredita que a concorrência entre as empresas terceirizadas faz com que os empresários baixem os custos de produção, o que precariza as condições de trabalho. “Ou seja, sem treinamento ou equipamentos adequados, em jornadas de trabalho cada vez mais desgastantes e cumprindo várias funções ao mesmo tempo”, conclui.

Entenda a terceirização

Difundida nos anos 90, a terceirização é uma prática em que uma empresa, chamada tomadora, contrata outra para prestação de determinados serviços, as chamadas empresas terceirizadas. “É bom lembrar que a terceirização é uma forma de contratação excepcional, ou seja, apenas em algumas situações ela é permitida pelo ordenamento brasileiro”, destaca Volney. Segundo Mauro, uma dessas exceções  é que a empresa não pode terceirizar sua atividade principal.

O presidente do Sindicato dos Vigilantes em Ponta Grossa, José Nilson Ribeiro, explica que todos os trabalhadores filiados ao sindicato são terceirizados. Por estarem em contato mais direto com estes empregados, vêem a dificuldade do setor. “O número de empresas terceirizadas tem crescido bastante, ao mesmo tempo em que muitas delas tem falido. Isso é uma insegurança para o trabalhador, que muitas vezes fica sem os seus direitos quando as empresas fecham”, conta.

Ao contrário do setor de vigilância, o Sindicato dos Servidores Públicos conta com uma parcela pequena de trabalhadores terceirizados e que são sindicalizados. A vice presidente, Katia Fioravante, fala sobre a terceirização do serviço público. “Somos totalmente contra. Porque este tipo de trabalhador tem um período de contrato curto e por isso não é efetivo, então ele não tem a mesma dedicação e empenho para manter o emprego. Somos a favor da contratação por concurso público, afinal, a terceirização acaba saindo mais cara para o Município”, conclui.

 

Arquivo comunitário:

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