metalurgicos1-23-04-11Quatro a cinco turmas se formam por ano nos cursos de soldagem, mecânica ou empilhadeira. Os cursos são oferecidos pelo Sindicato dos Metalúrgicos, que busca proporcionar uma maior qualificação dos profissionais, visando a um aumento no salário dos trabalhadores. Para os sindicalizados não há custo na execução do curso, mas para os demais interessados o custo é de 450 reais.




 

O Sindicato dos Metalúrgicos de Ponta Grossa oferece, desde 2005, cursos de solda, mecânica e empilhadeira. O objetivo desses cursos é oferecer uma especialização para os trabalhadores, possibilitando um aumento no salário. Os cursos são de 70 horas, sendo 30 horas teóricas e 40 horas práticas.

O secretário de formação do Sindicato, Jefferson Leandro Gomes Palhão, explica que antes da criação dos cursos as empresas não aumentavam os salários, já que os metalúrgicos não possuíam profissionalização: “Um dos argumentos dos patrões era  de que os funcionários não tinham qualificação”.

De acordo com o secretário, através do curso o metalúrgico pode ter um rendimento maior. “É uma possibilidade de o trabalhador fazer o curso e se qualificar profissionalmente”, completa.

Para o professor de solda, Gabriel do Nascimento, a importância dos cursos está em especializar os trabalhadores. “Qualificar os alunos sabendo que eles vão poder aumentar a renda no final do período, saber que eles estão ganhando mais, é a nossa maior satisfação”, afirma.

Segundo Jefferson Palhão, o grande desafio do curso é manter a qualidade: “Temos que investir no curso, senão cai no descrédito. A prioridade do sindicato é o curso”.

Nascimento explica que é de fundamental importância o certificado do curso. Através dele, as empresas são obrigadas a pagar a insalubridade aos funcionários, isto é, como em algumas áreas os metalúrgicos se expõem a riscos no trabalho, cabe à empresa pagar um adicional baseando-se no salário de cada trabalhador.

Este adicional é considerado para funcionários que possuem certificados, como é o caso de quem faz o curso de solda, atividade em que os metalúrgicos se expõem a agentes nocivos à saúde. De acordo com o professor, isso gera benefícios ao trabalhador, já que, será recompensado pela salubridade sofrida, e ao empresário, que terá mão-de-obra qualificada. “Isso faz com que as pessoas se qualifiquem e corram atrás de um trabalho. E a maioria das empresas tem que pagar salubridade.”


metalurgicos2-23-04-11O sindicato oferece aos alunos arames, gases e eletrodos para as aulas práticas. Também é oferecido o Equipamento de Proteção Individual (EPI), que inclui luvas, óculos e máscaras. Materiais como chapas são doadas por fábricas, assim como as demais matérias-primas utilizadas pelos alunos nas aulas práticas.

Diego de Oliveira, que se forma no curso de solda no próximo dia 16, afirma que o curso serve para um aprimoramento profissional: “Quero me aperfeiçoar e ter outra qualificação”.

Oliveira, que é operador de máquina em uma empresa local, diz que irá permanecer nesta profissão. “Pretendo continuar onde trabalho, mas espero um dia ter uma oportunidade na área de solda”, afirma.

Palhão ressalta que as empresas sempre estão à procura de trabalhadores com os cursos de solda, mecânica ou empilhadeira: “Hoje o mercado é mais aquecido e os empresários ligam para o sindicato à procura de funcionários”.

Ele também fala sobre a diferença nos salários de quem tem qualificação: “Os percentuais de reajustes foram maiores com os cursos profissionalizantes”.

A procura pelo curso de solda é a maior entre os alunos. No entanto, as empresas buscam mais profissionais com especialização em mecânica, conforme explica Palhão. “Os alunos ‘fogem’ do curso de mecânica, já que tem cálculos. Mas a verdade é que a linguagem é simples. E quando o aluno entra no curso, gosta e acaba ficando”, completa.

metalurgicos3-23-04-11Em um curso onde aproximadamente 95% dos alunos são homens, Aline Cristine Ribeiro é a única mulher de Mecânica Industrial Básica. Ela afirma que sempre gostou de mecânica. “Com o curso vou ter mais oportunidade de emprego. Eu quero continuar, quando a gente gosta do que faz, a gente se dá bem”, explica. Aline, que trabalha como operadora de torno CNC, ressalta que quer seguir adiante e fazer no futuro faculdade de Engenharia Mecânica.

Benefícios da sindicalização
Para se associar ao sindicato o metalúrgico paga uma taxa mensal equivalente a 2% do salário. Os não associados que desejam fazer o curso pagam um valor de 450 reais.

Esse valor é cobrado porque os cursos são oferecidos para os metalúrgicos sindicalizados, não tendo como foco a comunidade. Antes de haver os cursos, o número de associados ao sindicato era de 700 indivíduos, hoje, já são 2000 metalúrgicos sindicalizados.

Por ano são concluídas de quatro a cinco turmas dos cursos de soldagem, mecânica ou empilhadeira. Elas têm uma duração média de 50 dias e uma nova turma começa logo em seguida ao término da outra. Os cursos acontecem de segundas às sextas-feiras, das 19h às 22h, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos.