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metalurgicoshubner1-31-05-11De braços cruzados. É assim que os trabalhores da Fundição Hübner permanecem por tempo indeterminado. O motivo é a falta de acordo sobre o pagamento da PLR (Participação nos Lucros e Resultados).  Os funcionários reivindicam o valor de 4 mil reais, mas a empresa se propõe a pagar apenas mil reais.

 

Os metalúrgicos da fábrica Hübner de Ponta Grossa e Curitiba suspenderam suas atividades nesta terça-feira. Até então, não têm previsão para voltar ao trabalho. O motivo refere-se a uma discussão que iniciou em dezembro do ano passado sobre a PLR (Participação no Lucro e Resultados).

Os trabalhadores tentaram fazer uma negociação com a fábrica desde janeiro, e esperaram até abril para uma decisão da empresa. No entanto, a negociação frustada terminou em greve dos trabalhadores.

Segundo o representante da comissão da PLR, Wilson Kaminski, o motivo da paralisação                                                                                       se deve à falta da PLR: “Estamos tentando implementar a PLR em Ponta Grossa, em Curitiba já existe. Todos os anos, os metalúrgicos de lá se mobilizam para que a empresa repasse parte do lucro para os funcionários”.

Kaminski afirma que ano passado a PLR para cada funcionário de Curitiba chegou a 2 mil reais, enquanto em Ponta Grossa foi de apenas 1,5 mil reais. Esse ano, os metalúrgicos das duas cidades pediram um valor de 4 mil reais.

Segundo um dos membros da diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos e funcionário da Hübner, João Carlos Camargo, o valor solicitado pelos empregados seria parcelado: “Esses 4 mil reais seriam divididos em duas parcelas, sendo uma em 30 de julho e a outra em 30 de dezembro”.

No entanto, o que foi ofertado aos metalúrgicos de Ponta Grossa foi o valor de apenas mil reais, enquanto na capital o valor foi de 2,5 mil reais. A proposta da Hübner para os funcionários locais era a de dividir esse valor de mil reais em dois momentos: 300 reais seriam recebidos agora, e 700 reais reais seriam implementados no segundo semestre.

Porém, o valor a ser recebido no segundo semestre é em decorrência do cumprimento da meta de produção estimada pela empresa, conforme explica o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Mauro César Pereira.

Kaminski afirma que, em 2010, o valor que os funcionários receberam pelos lucros foi em forma de bônus. “O valor foi de 1,5 mil reais. Esse ano queremos a PLR, e não podemos aceitar um valor mais baixo do que o recebido pelo abono do ano passado”.

Além disso, a empresa Hübner pede que as metas desse ano sejam maiores que em 2010. O faturamento da empresa era equivalente a uma média de 1450 toneladas por mês. E a produtividade girava em torno de 27 toneladas por metalúrgico anualmente, enquanto o refugo (eventuais perdas materiais que ocorrem durante o processo de produção) cerca de 8,8 por mês.

Para esse ano, a empresa pede metas maiores, e menos desperdícios, o que dá um total de: 1750 toneladas por mês. Enquanto a produtividade seria aproximadamente 31 toneladas ao mês por homem. E o refugo igual a 6,8 por mês.

“Para conseguir esse valor imposto pela empresa, eu preciso ter uma carteira, ela é em média de 1500 toneladas. A média do faturamento depende da carteira. E eles pedem um valor de 1750, o que não é possível”, explica Kaminski.

A carteira refere-se ao crédito estipulado pela empresa, são os pedidos feitos a ela. “Esse ano, a carteira é a mesma do ano passado, então pedimos para que o dinheiro seja no mínimo maior do que em 2010”.

“A gente entende que a parcela do segundo semestre, de 700 reais, já estaria comprometida em função da meta difícil de ser alcançada. Poderíamos negociar um valor para que os funcionários alcancem essa meta. No entanto, eles não querem discutir isso, porque a carteira não é suficiente”, afirma Pereira.

A empresa hoje está sem produção. “Tem alguns setores que estão trabalhando, mas cerca de 90% da fábrica não está trabalhando”, diz o presidente do Sindicato. “A gente esperou que a empresa apresentasse melhoras até ontem, no entanto, não foi o que ocorreu, então assim segue a paralisação por tempo indeterminado”, completa.

Os trabalhadores, junto com o Sindicato, esperaram hoje por uma posição da Hübner, no entanto, nenhum acordo foi feito. Assim, segue a paralisação, e amanhã às 7 horas haverá uma Assembleia no local da empresa, envolvendo funcionários e Sindicato.

“Não acredito que vão conceder quanto pedimos. O que eles estão querendo é um acordo”, conclui o funcionário da fundição,  Sílvio Luis Feczynsk.    


Questões anteriores

Kamisnski explica que alguns dos funcionários da empresa não estavam tendo direito a insalubridade: “Em 2009, muitos funcionários foram demitidos, sendo recontratados em 2010, e esses funcionários que voltaram, aproximadamente 200, não estão recebendo esse direito”.

A insalubridade é um adicional de cerca de 20% do salário do metalúrgico. Esse acréscimo refere-se ao fato de que os metalúrgicos se expõem a riscos no trabalho, muitos deles em que o EPI (Equipamento de Proteção Individual) não é suficiente. Como o piso do metalúrgico é de 710 reais, a insalubridade seria referente a 140 reais.

Outra questão apontada pelo representante da Comissão de PLR é que, devido à insatisfação dos funcionários com o que é pago pela Hübner, muitos se demitiram e foram trabalhar em empresas concorrentes. Através disso, a fábrica aumentou o salário de uma pequena minoria, desagradando aos demais trabalhadores.

Além disso, segundo o empregado Sílvio Luis Feczynsk, os funcionários não têm alguns benefícios. Caso o trabalhador falte quatro horas dentro de um mês, ele perde o direito à cesta básica mensal. “Nós perdemos o ticket [cesta básica] a cada 4 horas não trabalhadas, mesmo apresentando atestado médico ou se nos machucamos aqui dentro da fábrica”, completa.

 

Categoria: Metalúrgicos
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