Pré-Assentamento Emiliano Zapata, distante a 30 km de Ponta Grossa, precisa de regularização das terras para conseguir recursos do INCRA. Aproximadamente 60 famílias residem hoje no local. No Paraná, mais de 32 mil famílias foram assentadas nos últimos nove anos

O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) da região completa, em abril deste ano, 11 anos de ocupação no Emiliano Zapata, localizado no distrito de Itaiacoca. A luta pela desapropriação da área e a documentação das terras, no entanto, é uma das grandes bandeiras que permanece nas reivindicações do movimento.

O local onde os integrantes vivem é uma área pública da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A falta de legalização das terras, no entanto, impossibilita que recursos do governo sejam repassados ao grupo. “O INCRA - Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária -, órgão mais próximo da gente no assentamento da reforma agrária, não disponibiliza ajuda enquanto as terras não estiverem documentadas”, relata um dos integrantes do MST, Sílvio de Matos.

Segundo dados divulgados pelo INCRA, entre 1994 e 2013, mais de 32 mil famílias foram assentadas no Paraná (32.239, no total). Em Ponta Grossa, no entanto, as quase 60 famílias que moram no Emiliano Zapata aguardam a legalização das terras e se organizam para garantir a própria subsistência.

Há nove anos, as terras do Emiliano foram distribuídas entre as famílias e apenas há quatro meses, por exemplo, a comunidade conquistou a instalação da energia elétrica no local. Hoje, existem 50 pontos de luz no acampamento.

Trazer luz para os moradores, porém, foi uma tarefa árdua, segundo os integrantes do MST. “Entramos com um processo na Promotoria, que intimou o Estado. Até mesmo porque já fazia dez anos que as famílias moravam aqui”, explica um dos principais articuladores do grupo, Célio Rodrigues.

De acordo com a assessoria do INCRA, o processo de obtenção da área do Emiliano Zapata está aberto no instituto desde 2004. Para que o assentamento aconteça, é preciso que a medição das terras seja concluída. “Isso depende da conclusão e regularização em cartório da matrícula da área em posse da Embrapa”, afirma a assessora Cássia Faxina.