Alunos organizaram na tarde da quinta-feira, dia 28, um ato público em apoio aos professores do ensino estadual e superior do Paraná. A manifestação intitulada “A aula é na rua”, teve concentração às 14 horas, na Praça dos Polacos. Estudantes, professores e outras pessoas da comunidade seguiram em passeata pela Avenida Vicente Machado até o Parque Ambiental.

 

Aloizio Neves, estudante de Administração na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), é uma das pessoas que contribuiu para a organização do evento. Segundo ele, a iniciativa “partiu de uma conversa particular, porém teve adesão da UMESP (União Municipal dos Estudantes Secundaristas)". Já a UEPG, segundo Aloizio, ficou "representada por quem está participando", por não tem ainda uma organização forte do DCE.

O estudante explica que foi organizado um fórum: “O fórum permanente tem o caráter de denunciar algumas atrocidades do governo, porém também indicar soluções. Fazemos parte do problema e queremos propor a solução”, explica.

Sobre as pautas do fórum permanente, Aloizio cita o ‘Fera Com Ciência’, “projeto que realizava festivais de artes e ciências que o governo arbitrariamente fechou. Isso é um descaso com a sociedade. Queremos saber pra onde está indo essa verba”.

Outra reivindicação é o Faxinal do Céu, "que era usado pelo governo como centro de formação de estudantes e capacitação de professores. Hoje isso não acontece, a gente quer saber por que faxinal do céu foi fechado”.

Em relação ao movimento, o acadêmico explica que serão escolhidas outras datas para os encontros. Ele ressalta que o movimento é independente, “sem nenhuma força política por trás: apoiamos a greve dos professores e queremos a qualidade de ensino. Não só volta a às aulas, mas a qualidade de ensino”, finaliza Aloizio.

A professora Dalva Cassie Rocha, do Departamento de Licenciatura em Ciências Biológicas da UEPG, afirma que “a greve é um processo de manifestação do cidadão. O que é ser cidadão? É ser consciente dos seus deveres, consciente dos seus direitos e ter criticidade para se manifestar. E é isso que a greve nos ensina".

Sobre o fim da greve, Dalva afirma que só será viável quando o governador Beto Richa (PSDB) abrir um “espaço de diálogo”, que “nunca aconteceu”. Ela avalia que as propostas estão sendo impostas. “Nós estamos em greve porque nós queremos ser ouvidos. A hora que ele abrir negociação, talvez a nossa greve pare”, conclui a professora.

A acadêmica Isabella Scherer, do curso de Direito da UEPG, que também ajudou na organização, destaca a importância de reunir os alunos. “É uma questão de consciência cidadã, quanto mais alunos você chama, mais você chama atenção para o movimento. Chamando a atenção para o movimento, você pode colocar em questão o motivo da greve e, com isso, criar uma consciência cidadã no aluno”.

A professora Gisele Masson, do Departamento de Educação e Vice-presidente do SindUEPG, avaliou as ações do governo Beto Richa em seu discurso aos participantes do ato:

“Todos nós estamos pagando a conta de um governo que não administra o estado priorizando saúde, segurança e educação. Ao contrário disso, ele aprova auxilio moradia para os os juízes do tribunal de contas, aumenta o seu salário, aumenta os salários dos deputados, aumenta o número de cargos comissionados no estado”.

Ela também falou da permanência da greve: “Hoje nós estamos na rua não é só para receber 8,17% da perdas inflacionárias do período. Nós continuamos na luta porque o governo saqueou nossa previdência, aprovando uma lei que foi inclusive julgada inconstitucional pelo Ministério da Previdência”.

Durante o trajeto, relatos de alunos e professores e palavras de ordem conduziram a passeata. Após a chegada ao Parque Ambiental, os participantes iniciaram um debate sobre a qualidade do ensino público no Paraná.

Arquivo comunitário
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