Estudantes decidem paralisar movimento após governo prometer melhorias até 2017 

Ocupação ocorreu devido à precária condição do Colégio Frei Doroteu. As salas de aula são inapropriadas para ensino. Foto: Angelo Rocha

A ocupação no Colégio Frei Doroteu de Pádua, organizada pelos estudantes secundaristas, com apoio de professores e pais, aconteceu entre os dias primeiro à cinco deste mês. Após duas reuniões com os representantes do governo, o acordo com os estudantes foi um investimento, até o início de 2017, no valor de R$ 100 mil para as reformas, o que inclui a construção de novas salas.

Christopher Ferreira, representante da União de Estudantes Secundaristas de Ponta Grossa (UMESP), conta que a movimento aconteceu durante as férias e o principal objetivo foi chamar a atenção do governo sobre a atual situação das escolas da cidade. Duas reuniões de negociação aconteceram, durante a ocupação, entre o governo e representantes dos estudantes. "Uma primeira reunião foi para apresentar as reivindicações. Na outra, eles trouxeram a proposta", relata Ferreira.

A reunião, no último dia 4, contou com a presença do superintendente da Superintendência de Desenvolvimento Educacional (Sude), Victor Hugo, quando foram designadas providências sobre as reformas estruturais do colégio.

Thaís Sandoval, assistente da Superintendência, conta que, para o início do ano letivo de 2017, quatro salas de madeiras serão substituídas por salas novas, com estrutura viável e acessível. Ela ainda explica que no prazo de 60 dias, em outubro deste ano, terá início o processo licitatório.

Já as reformas referentes aos banheiros, que contam com recursos descentralizados, serão licitadas no final deste mês, como ainda afirma Thaís. Neste caso, estão previstas melhorias nos refeitórios e na rede elétrica.

"Em relação às questões de acessibilidade, será destinada a verba de R$ 100 mil para a realização das melhorias", afirma. Além disso, a assistente afirma que será designada uma comissão, composta por representantes de estudantes, professores e comunidade. Em contato direto com a Sude, ela acompanhará todos os procedimentos previstos para a reforma.

Resistência

 A organização dos estudantes permitiu a união entre os estudantes e a comunidade em geral. O "estado de alerta" permanece entre eles. Foto: Angelo Rocha

A professora e pesquisadora Adriana da Silva comenta, em nome do Sindicato dos Trabalhadores de Educação Pública do Paraná (APP), que o movimento foi considerado legítimo e que a comunidade, em geral, está cansada de ser ludibriada com promessas irreais, sem atitudes concretas.

Adriana ainda relembra a ocupação da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), em 2015, que partiu de uma organização, realizada em massa, por professores, alunos e funcionários, para protestar contra as medidas do governo.

"Já se passaram mais de um ano e meio de promessas políticas para a realização das obras. Tudo isso desencadeou no movimento dos estudantes, mostrando assim sua força. Eles viram que somente na luta coletiva teremos resultados", avalia.

A professora reforça, no entanto, que o Colégio Frei Doroteu não é um caso isolado. "Há outros estabelecimentos de ensino em nosso município e região com estruturas péssimas, tratados com descaso pelo governo que não busca soluções para resolver pontos pendentes", destaca. Para ela, a situação se repete em todo o Estado do Paraná.

Na primeira noite de ocupação, cinco jovens permaneceram no colégio, resistindo ao frio. Nos dias consecutivos, o movimento ganhou força com apoio de mais alunos, dos professores, do diretor, dos pais e da comunidade. Nas redes sociais, os estudantes se manifestaram a favor do movimento usando a hashtag: "#‎OcupaFreiDoroteu‬: Contra os cortes na educação, por reformas na estrutura precária e pela valorização dos professores".

Durante a ocupação, foram realizadas atividades culturais, esportivas e educativas, como as oficinas de pipa e de libras. Esta foi organizada para proporcionar a inclusão de alunos com deficiência auditiva e de comunicação. Os alunos fizeram um mutirão para a limpeza dos banheiros, de lote e também confeccionaram grafite em uma parede da escola. Reparos foram realizados na residência do caseiro do colégio. Suportes de lâmpadas, que estavam acumulados sem utilização, foram recolhidos por um caminhão enviado pelo Núcleo Regional de Educação.

A ocupação aconteceu de forma pacífica. Após o diálogo que os estudantes abriram com o governo, se espera que o acordo seja cumprido. Contudo, os alunos permanecem em estado de alerta. "Deixamos o governo avisado que, se algum dos acordos não for cumprido, nós iremos ocupar novamente", relata Ferreira.

Clique abaixo para acessar o vídeo feito pelo projeto de extensão Lente Quente, do Curso de Jornalismo da UEPG. Nele, estudantes relatam a experiência de ocupação do Colégio Frei Doroteu de Pádua:

RELATO DA OCUPAÇÃO da Escola Frei Doroteu em Ponta Grossa-PR

 

 

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