Estudantes pedem por um espaço próprio, já que o bloco que utilizam é do município, e deverá ser desocupado até o 2018.

Alunos do Colégio Estadual Ana Divanir Boratto ocuparam o prédio durante a tarde da quarta-feira, dia 05. A mobilização, organizada pelo grêmio estudantil, tem como foco reivindicar um novo prédio para o colégio. Atualmente, as turmas de 6º ano, do ensino fundamental, ao 3º ano, do ensino médio, dividem bloco com a Escola Municipal Professor Faris Antônio Michaele.

Alunos, que permaneceram no colégio na noite de quinta-feira para sexta-feira, explicaram que a prefeitura já pediu o bloco ocupado pelo Colégio, dando o prazo de até 2018 para a devolução. O embate é quanto à solução do problema.

“Há 14 anos, o Governo do Estado nos prometeu um colégio próprio, mas até hoje não saiu do papel. Dizem que já foi doado o terreno, mas agora falta resolver quem vai construir. É um jogo entre os governos e ninguém resolve”, explica o presidente do grêmio, João Pedro Cordeiro.

Atualmente, cerca de 700 alunos estudam no Boratto, divididos nos turnos da manhã, da tarde e da noite. Entre os problemas relacionados à falta de estrutura estão a sala dos professores, onde também funciona a biblioteca e com o laboratório de informática, a carência de laboratórios de biologia e química e de quadra poliesportiva.     

Para algumas aulas, como as de educação física, os alunos utilizam a quadra do bairro, tendo que dividir o espaço também com os moradores. Já para o uso do laboratório de informática, é preciso dividir espaço com os professores que estão preparando aula.

Os estudantes já aderiram ao movimento, já que a preocupação quanto ao futuro do Colégio afeta a todos. A aluna Kauany Freitas, do 1º ano do ensino médio, relata que há a necessidade de um engajamento dos alunos. Para ela, somente assim haverá um avanço quanto à demanda de construção da nova escola.

“Nós precisamos da participação de todos os alunos. Pra mim, isso aqui não é escola, mas tem espaço para nós. Precisamos de um prédio nosso, com laboratório, ginásio, biblioteca e uma sala de professores que realmente seja deles”, argumenta.

Além dos alunos, mães e pais estão em apoio aos estudantes. Alguns participaram do pernoite a fim de ajudar na segurança do local. Dona Maria Silva, mãe de duas alunas do 6º e 1º anos, conta que apoia as filhas quanto a lutar por uma escola melhor, já que mora no bairro há 23 anos.

“Há tempos precisávamos de algo assim, para parar tudo mesmo. Eu moro aqui há 23 anos e esse colégio para nós é prioridade. Eu apoio minhas filhas e todos os alunos na luta pelos direitos deles, e estaremos aqui para ajudar no que for possível”, declara.

A ocupação continua nesta quinta-feira, dia 6, com atividades durante todo o dia. Haverá duas assembleias, uma pela manhã e outra à tarde, além de campeonatos de ping-pong, futsal e atividades culturais.

Estudantes estão preparando atividades culturais e torneios esportivos durante a ocupação, como forma de integração entre os alunos.

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