No Paraná, 100 escolas foram ocupadas como protesto à Medida Provisória que prevê alterações no ensino médio


Cartazes colados na quadra do colégio em protesto à MP 746

A maior escola pública da cidade, o Colégio Estadual Regente Feijó, foi ocupada pelos estudantes após reunião feita na tarde da última sexta-feira, dia 07. A reunião aconteceu entre os próprios alunos e membros da diretoria da União Municipal dos Estudantes Secundaristas Ponta-grossenses (Umesp).

 

As ocupações são protestos contra a Medida Provisória 746/2016, que institui uma reforma no ensino médio, alterando sua grade curricular. Os cursos de artes, filosofia e sociologia ficariam fora da grade, cujo foco seria mantido nos cursos de linguagens, matemática e ciências da natureza.

Os alunos têm o apoio da Umesp e de professores do colégio. Não há número exato de quantos estudantes estão ocupando. “Há salas separadas para os meninos e para as meninas e também um horário de recolher e equipes de ronda à noite”, diz fonte que preferiu não ser identificada.

Quanto à alimentação, existe uma ordem e cada dia fica uma pessoa responsável para organizar a comida e existe um cronograma para as refeições. Isso acontece também na limpeza e na organização, para que todos possam estar trabalhando e sentindo o que é uma ocupação, explicou a fonte.

Os estudantes estão aceitando doações de alimentos, como pão, margarina, café, bolachas e sucos, produtos de higiene, como sabonete e papel higiênico, colchões e cobertores. Eles também pedem o apoio dos pais, de professores e de outros estudantes ponta-grossenses.

Estudantes em oficina de confecções de cartazes na tarde de sábado, dia 8

Na quarta-feira, dia 5, ocorreu a primeira de uma série de ocupações em Ponta Grossa. O pontapé inicial foi dado pelos alunos do Colégio Estadual Ana Divanir Boratto. Um dia depois, às seis horas da manhã da quinta-feira, dia 6, foi a vez do Colégio Polivalente. Também na sexta-feira, dia 7, os secundaristas ocuparam o Colégio Doutor Epaminondas Novaes Ribas.

Todos os dias são feitas oficinas para os estudantes nas escolas ocupadas. As atividades são ministradas por acadêmicos de alguns cursos da UEPG, como os cursos de Artes e História. Os próprios professores também oferecem oficinas e palestras sobre temas variados, como uma preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e Processo Seletivo Seriado (PSS).

Quem quiser dar alguma oficina será bem vindo. Os estudantes estão abertos para qualquer tipo de ajuda que possa ser proveitosa pedagogicamente, seja uma aula de matemática ou de geografia. Eles pedem ainda a ajuda dos acadêmicos de Educação Física. O objetivo é que eles trabalhem a parte física com os alunos através de jogos esportivos, como o basquete.

Em todo o Brasil, secundaristas aderiram, na última semana, ao movimento de protesto não somente contra a MP 746, mas também contra a Proposta de Emenda à Constituição 241 que limita os gastos do poder público.

Veja também: 
06/10/16 - Estudantes secundaristas ocupam Colégio Estadual Ana Divanir Boratto

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