Moradia estudantil não tem mulheres, e a entrega do novo bloco será em março, após a licitação do mobiliário

ceu editada Novo bloco aguarda licitação de móveis para receber moradores (Foto: Marcos Vinicius)

 

A promessa era que o novo bloco da Casa do Estudante Universitário da UEPG, concluído em dezembro, fosse inaugurado no início deste ano. Segundo a Coordenadoria de Assistência e Orientação ao Estudante (CAOE) da Universidade, o adiamento para março deve-se ao fato de que ainda estão faltando os móveis planejados, que estão sendo licitados.

Um dos principais problemas da Casa do Estudante é a falta de segurança, como recorda a ex-moradora Maria Salles. “A maior dificuldade era eu me virar sozinha, me manter longe dos ladrões.” Entre os incidentes aos quais ela se refere, está o assalto, no final da obra do novo bloco. O vigia foi atacado por um homem que usava um facão e teve o celular roubado.

Com a construção do muro alto, que cercará toda a casa, alguns furtos poderão ser dificultados, como ocorreu com as calças do atual morador Antônio Bennites. “Lavei, estendi no varal e, quando fui recolher, haviam sumido”, relata.

A segurança foi um dos pontos reivindicados pelos estudantes durante a ocupação da Reitoria realizada, no último ano, durante a greve estudantil. O tema continua em pauta e segue sendo discutido pelos alunos que pretendem promover um fórum ainda neste semestre.

"Vai acontecer um fórum no começo do ano letivo. A gente vai debater a segurança no Campus Uvaranas em busca de medidas para melhorá-la", destaca o estudante de jornalismo Lucas Feld, que participou do movimento de ocupação da Reitoria. Feld comenta a ocorrência de assaltos no campus enfatizando a necessidade do debate de propostas para a segurança dos alunos e da UEPG.

Estudantes reclamam ainda da falta de clareza nos procedimentos de seleção dos beneficiados com a moradia estudantil. Gabriela Freitas, aluna do curso de física e ex-moradora, conta que tentou retornar à casa, ano passado. Ela chegou a preencher toda a documentação na CAOE, mas, por algum motivo, não foi aceita.

O professor Milton Anfilo, coordenador de assistência estudantil da CAOE, esclarece que todos os pedidos, feitos através da página da CAOE, são analisados. O requisito é que a renda familiar do solicitante seja de até três salários-mínimos, mas como a casa está em condições precárias existe um maior rigor na entrada.

O próximos passos para receber os novos moradores estão explicados por Milton. “São apenas oito quartos, todos com banheiro. Os moradores do bloco antigo serão transferidos para o novo para a reforma das antigas instalações”. O professor informa ainda que serão dois moradores por quarto e o bloco abrigará estudantes de ambos os sexos.

Novos moradores só serão aceitos após a licitação dos móveis e da reforma dos blocos antigos. Segundo Ariangelo Hauer Dias, Pró-Reitor de Planejamento, as instalações antigas serão reformadas, em princípio, pela própria universidade, após a conclusão do novo bloco.

Quem quiser solicitar moradia ou obter informações sobre a Casa do Estudante Universitário deve se dirigir à CAOE no Campus de Uvaranas, bloco da Reitoria, ou entrar em contato pelo telefone (42) 3220-3771, pelo e-mail  Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou pelo site http://sites.uepg.br/prograd/caoe/.


Assistência estudantil na UEPG não está estruturada

A segurança, a taxa do restaurante universitário, o auxílio financeiro e a moradia estudantil estão entre pontos que causam impasses na negociação entre a Reitoria da UEPG e os estudantes.


Em maio de 2016, o reitor Carlos Luciano Sant’Ana Vargas recebeu o relatório final elaborado pela comissão formada por funcionários e alunos responsáveis por discutir a assistência estudantil. A entrega se deu alguns meses antes de estudantes, em greve, terem encabeçado o movimento de ocupação da Reitoria.

O objetivo da criação da comissão foi o estudo e a proposta de instrumentos que viabilizassem a permanência e a conclusão de curso por alunos com dificuldades financeiras. O documento foi elaborado em seis meses e contou com a participação de funcionários de vários setores.

Entre as medidas propostas estão a criação da bolsa permanência, do fundo de assistência estudantil e do cadastro único de assistência estudantil. Também foi debatida a alteração dos critérios de seleção de alunos para os estágios de natureza administrativa, para a moradia estudantil e para os benefícios concedidos para o uso do restaurante universitário.

Um dos grupos que compôs comissão discutiu as propostas para a melhoria da Casa do Estudante e para a concessão de descontos e de isenções aos usuários do Restaurante Universitário (RU).

O cadastro único de assistência estudantil, uma espécie de CADúnico em sua versão para a UEPG, e a “Bolsa Permanência’ seriam mantidos a partir de recursos oriundos de um fundo a ser criado e administrado pela Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Institucional, Científico e Tecnológico (FaUEPG).

O benefício teria vigência de até um ano e, ao final do prazo, o estudante teria preferência na inserção em programas de bolsa de iniciação científica ou de extensão, bem como em estágios remunerados.

ocupada 1 editadaEm novembro passado, alunos ocuparam o Campus Uvaranas reivindicando mais atenção à assistência estudantil (Foto: Lauro Alexandre)

O estudante jornalismo Lucas Feld participou da ocupação ocorrida em novembro e comenta as reivindicações que integraram a pauta de greve, como a reformulação do plano proposto.

"O plano de assistência estudantil foi formulado pela universidade. Ou seja, feito por pró-reitores, sem a participação efetiva de acadêmicos. A gente quer reformulá-lo”, explica o aluno destacando que o plano era bom, mas não deixava claro de onde viria a verba para a assistência estudantil.

Outra reivindicação, a principal segundo Feld, era barrar o aumento da tarifa do do RU. Atualmente, o valor pago pelo aluno é de R$ 1,90, tendo sido proposto um reajuste para R$ 4, o que representa um acréscimo superior a 100%.

As reivindicações relativas ao plano de assistência foram feitas por alunos participantes do movimento de ocupação. Embora muitos dos que aderiram à greve sejam membros de Centros Acadêmicos, a UEPG não conta com um Diretório Central Estudantil (DCE) para negociação dos interesses estudantis. “A universidade não tem uma entidade que represente a graduação. Então, não havia ninguém do DCE”, explica Feld.

Feld diz que a universidade respondeu, durante a greve, solicitando um documento dos manifestantes formalizando a pauta de reivindicações sobre o plano de assistência estudantil e sobre aumento do RU. “A universidade está aguardando a gente encaminhar um documento para eles”, finaliza informando que até o momento da entrevista o documento ainda não havia sido encaminhado.

UTFPR oferece estrutura de apoio aos alunos

A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) possui um Núcleo de Acompanhamento Psicopedagógico e Assistência Estudantil (Nuape) em cada campus, o que inclui a unidade localizada em Ponta Grossa. Eles são responsáveis pelo Programa de Bolsa-Permanência ao Estudante que tem a finalidade de apoiar o aluno, evitando que ele abandone a Instituição.

Cada Nuape conta com um equipe multidisciplinar responsável pelo atendimento e pelo acompanhamento psicopedagógico dos estudantes e pelos programas institucionais de apoio aos discentes. Entre os serviços prestados aos alunos estão os atendimentos emergenciais nas áreas de medicina, de enfermagem e odontologia.

A Bolsa-Permanência da UTFPR concede um auxílio financeiro aos estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica. O objetivo é evitar a evasão acadêmica. Condicionada à autorização da UTFPR, a bolsa é concedida, mensalmente, no valor de R$ 400, paga diretamente, ao estudante, pelo Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Já os estudantes indígenas e quilombolas recebem um valor equivalente a pelo menos o dobro da bolsa paga aos demais estudantes. A UEPG também possui bolsa para alunos indígenas.

Além de ser acadêmico da UTFPR, outro critério é o aluno tem que possuir renda familiar per capita não superior a um salário mínimo e meio.

Veja quais benefícios financeiros são concedidos aos alunos da UTFPR:

Auxílio Alimentação: concedido na forma de crédito para refeição nos Restaurantes Universitários da Instituição;

Auxílio Básico: concedido na forma de recurso financeiro, no montante de R$200;

Auxílio Moradia: para os alunos que moram fora do domicílio familiar, é ofertado o Auxílio Moradia no valor mensal de R$ 300;

Auxílio Instalação: concedido em uma única parcela e destinado, exclusivamente, ao estudante ingressante. O valor de R$ 400 visa contribuir com as despesas relacionadas à instalação do estudante no município onde está situado o campus no qual está matriculado.

porta pintadaDurante a ocupação, alunos da UEPG pintando a porta da Reitoria, no Campus Uvaranas (Foto: Lauro Alexandre)

Os alunos indígenas da UEPG recebem uma bolsa auxílio no valor de R$ 900,00. Para os indígenas que têm um filho ou mais sob guarda, há acréscimo de 50% no valor da bolsa. Além disso, eles recebem dois passes por dia, independente da distância em relação à universidade, bem como almoço e jantar grátis no RU segundo informações da CAOE.

Em 2016, o Conselho Administrativo da Casa do Estudante (Conace) decidiu, no entanto, que os quatro indígenas deveriam sair, até o começo do ano de 2017, da moradia estudantil. Dessa forma, eles não poderiam mais permanecer no bloco antigo. Renato Pereira, um dos índios residentes no local, diz que gostaria de permanecer na casa.

A UEPG, por meio da CAOE e o Conace, fez os alunos indígenas assinarem um documento aceitando que deixariam a casa até o início do ano letivo. Até o momento, nenhum dos alunos indígenas deixou o local.

Arquivo Portal Comunitário
10/10/2016 - Polêmica na proposta de aumento do preço do RU
23/04/2015 - Grupo de estudos do movimento estudantil da UEPG inicia com debate sobre a segurança no Campus Uvaranas

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