Evento de promoção da cultura hip hop movimenta o Centro de Ponta Grossa

Grupo de pessoas reunidas em frente do DCE da UEPG.
O evento de contracultura interage com a cidade, grafites são feitos por participantes e a Avenida ganha o modo de vida deles.

 

Em frente ao Campus Central da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), uma movimentação de pessoas chama a atenção de todos que passam pela Avenida Bonifácio Vilela. Parado, à espera da abertura do Diretório Central dos Estudantes (DCE), o grupo se destoa do ritmo acelerado do Centro da cidade. Ali, começa o “Sarau Poetas Bárbaros”, evento criado pelo coletivo de hip hop “Art&Fato”. O objetivo é a valorização da cultura hip hop, em Ponta Grossa.

 O DCE é aberto e alguém coloca a primeira música. É perceptível que todos os presentes não tinham ensaiado uma dança, mas o balanço das cabeças acompanhava o ritmo do som. Enquanto alguns ajudavam na montagem da aparelhagem de som, outros já abriam espaço para a apresentação dos b.boys, como são chamados os dançarinos do hip hop.

 Uma menina abre uma canga e começa a colocar bijuterias e roupas para a venda. As pessoas se espalham pela lateral do muro do DCE e começam a medir os espaços nas paredes e a separar as tintas para o grafite. Ali estava começando mais um Sarau Poetas Bárbaros.

 O evento reuniu diversos tipos de apresentações artísticas, como grupos de rap, bandas de rock e pequenas rodas onde cada um pode ter seu espaço para apresentar qualquer tipo de arte.

 Os amantes do hip hop acabaram sendo quase uma unanimidade entre os participantes. Por isso, não é difícil ver alguém falando sobre algum disco e citando os clássicos do rap nacional, enquanto espera uma apresentação começar.

 Nas pequenas rodas, era possível ouvir três ou quatro vozes rimando frases para arrancar mais gritos ou risos dos espectadores. As famosas “Batalhas de Rimas” aconteceram em espaços paralelos ao evento principal e só pararam para as apresentações de grupos de rap.

 Ao final do dia, a menina recolheu as bijuterias que sobraram e as poucas peças de roupas que ainda se encontravam na canga. O DJ começou a desligar o som. As pessoas que acompanhavam as músicas já faziam o próprio rap de improviso na rua.

 A tinta já estava seca na parede do muro de fora, deixando o DCE mais colorido do que o normal. Após seis horas de muita poesia, rap e dança, chega ao fim mais um Sarau Poetas Bárbaros, onde os bravos poetas voltam à realidade de lutar para ter seu espaço na sociedade.

A estrutura

DJs tocam ao fundo enquanto público ouve o show.
DJ Kabessa e Gueg organizam o som. O hip hop discotecado é o primeiro som da noite.

 

O organizador do Sarau Poetas Bárbaros, Guilherme Rudnik, explica que a ideia do evento surgiu após alguns estudos sobre a cultura hip hop em São Paulo, Curitiba, Campinas e Santiago (Chile). “O Sarau não representa apenas esse lado cultural, mas representa também a luta!”, enfatizou.

Para Rudnik, o sarau ponta-grossense se defere dos realizados em grandes centros, sobretudo, por aspectos culturais que marcam a cidade paranaense. “Ponta Grossa é uma cidade mais conservadora. Quem vem da periferia é recebido com outros olhos”, afirma.

A organização tem ainda como proposta promover ações culturais para crianças moradoras de áreas afastadas do Centro da cidade. O Sarau sempre recebe doações de livros e faz resgate de livros do lixo, como já foi feito para a criação de uma biblioteca comunitária.

Para o rapper e participante do projeto, Gabriel “Malinali” Becher, o Sarau é uma forma de todos começarem a apresentar o trabalho que realiza. “O Sarau abre espaço para todo tipo de manifestação artística que vem como subversão ao que nos é apresentado como padrões”. Ele ainda comenta a necessidade de se promover o Sarau, já que é a única oportunidade para alguns artistas se apresentarem.

Outra participante, Luana Santos, também avalia a importância da abertura do espaço para os artistas da região. “Sou uma das pessoas que pode mostrar um pouco do meu trabalho. A oportunidade é muito boa para nós”, comenta.

Luana ainda lembra que esse movimento pode criar conexões entre os artistas, além de apresentar para a cidade a cultura hip hop local. Ela destaca o sistema de doações que existe. “Já vi gente chegar, doar livros e agasalhos e ir embora, eles estão vendo que o movimento também é para ajudar as pessoas.”.

Um dos espectadores, Felipe Cruz, comenta a diversidade de culturas encontradas no evento. “Venho com meus amigos e sempre encontro pessoas diferentes das que convivo, é algo para se destacar.”

Cruz, que é um dos amantes da cultura hip hop, relata que o evento ajuda a mudar pensamentos. “Eu nunca tinha ouvido indie rock e achava que era algo muito ruim. Depois de algumas apresentações, aqui no Sarau, até canto algumas músicas.”

O “Sarau Poetas Bávaros” acontece com ajuda de doações para rifas feitas pelos participantes. Cada um doa uma arte ou produto para ser o prêmio. Além disso, a “Art&Fato” está para virar uma Associação de Movimentos Periféricos, o que pode facilitar a receber patrocínio de empresas.

As edições, que são mensais, acontecem aos sábados no DCE. No último dia 25, foi realizada a 4° edição do Sarau. Segundo a organização, os sábados são escolhidos de forma aleatória, mas sempre de forma a não atrapalhar outros eventos culturais da cidade. A próxima edição ocorre no dia 16 de julho no DCE da UEPG.

Banda Chalize toca enquanto público aproveita o show.
Chalize toca indie rock para o público. Muitos ficam em volta "curtindo" o som.
  • Junto ao portão de entrada do DCE, muitos param e fazem rap de improviso no caminho
    Junto ao portão de entrada do DCE, muitos param e fazem rap de improviso no caminho
  • Participante do evento na parte externa do DCE.
    Participante do evento na parte externa do DCE.
  • DJ Kabessa toma conta das pickups
    DJ Kabessa toma conta das pickups
  • Famílias fazem parte do público
    Famílias fazem parte do público
  • Gueg embala os ouvintes com graves e agudos do rap nacional
    Gueg embala os ouvintes com graves e agudos do rap nacional
  • Venda de bijuterias e artesanatos
    Venda de bijuterias e artesanatos
  • Livros doados para a biblioteca pública
    Livros doados para a biblioteca pública
 

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