Influenciado por rappers da Costa Oeste americana e do cenário nacional, Twoclok sobe aos palcos e constrói carreira em Ponta Grossa


Entre as principais referências de Twoclok, está o rapper norte-americano Tupac, estampado em um dos quadros do seu quarto e também do estúdio.

Aos 23 anos, Twoclok concilia, diariamente, o emprego, o rap e a produção musical. Na mesma casa, onde cresceu e conheceu o mundo do hip hop, Andrey Rotter tem seu próprio estúdio e busca compor músicas que inspirem o público.

Rapper ponta-grossense e influenciador do rap na cidade, Twoclok criou em parceria com membros do coletivo 100$Crew, a Batalha do Ambiental, em 2015. A iniciativa visa, desde então, garantir espaço e crescimento aos Mcs de Ponta Grossa.

Apesar de ter iniciado carreira apenas em 2009, o envolvimento com o estilo musical veio muito antes, a partir de clipes de cantores norte-americanos. Após ter contato com um disco com hits da Costa Oeste dos Estados Unidos, aos pouco mais de 11 anos, Twoclok passou a compor sem compromisso, apenas expressando aquilo que vivia no momento.

O começo, apesar de despreocupado com a importância e grandiosidade do movimento hip hop, refletiu o que hoje se tornou realidade. O nome foi pensado por conta da vila onde cresceu (Vila Clock) e pela dupla jornada de atividades que desenvolvia (futebol freestyle e rap). Já a ideia de criar um coletivo surgiu de brincadeiras com amigos daquele período. Hoje ambos os projetos são concretos e têm grande repercussão em Ponta Grossa.

Com dois Cd’s e outros dois Ep’s, Twoclok traz influências diversas em seu repertório. Dono de uma complexidade técnica e melódica, o artista se mostra crítico e rigoroso com aquilo que produz justamente por saber da importância que o rap tem enquanto expressão cultural.

O rapper traz em seu corpo tatuagens que demonstram essas inspirações vindas do interesse pelo estilo musical da Costa Oeste americana. No braço direito, Tupac, a maior influência e aspiração no rap. No antebraço esquerdo, Ab-Soul, marco da presença técnica e de escrita predominante.    

O envolvimento com o rap aconteceu paralelamente a trabalhos com o Futebol Freestyle. Conciliar duas carreiras, que exigiam ensaios e viagens, se tornou impossível e Twoclok notou isso após uma viagem a trabalho em 2014. Foi a partir daí que concentrou suas atenções no rap.

Um período de pausa, logo após os primeiros dois trabalhos (“Passo a Passo”, de 2011, e “Abrindo os Olhos”, de 2012), trouxe a necessidade de ele se reinventar, pensar aquilo que seria o foco dali em diante. Foi a partir daí que Twoclok lançou, ao final de 2014, seu trabalho oficial “Clok’Soul”.

As produções são totalmente independentes, desde o beat até a finalização das músicas.

Por ser o primeiro trabalho oficialmente lançado pelo rapper, houve a preocupação e o cuidado de trazer ao público a junção daquilo que fôra inicialmente apresentado nos primeiros trabalhos, considerados experimentais. O melódico e o provocativo, lado a lado, mostravam todas as facetas e apostas que seriam desenvolvidas dali em diante.

Nesse CD, é possível notar músicas de protesto à falta de incentivo à cultura, reflexões sobre a própria vida e produções que foram feitas no período em que fez parte do grupo Nouss, juntamente com outros dois rappers.

Em 2015 lançou mais um EP, dessa vez com participações de todos os integrantes do coletivo 100$Crew, chamado “CoMercy4ll”.

Hoje, Twoclok busca passar a visão de mundo que defende, mas sem deixar de transmitir sentimento. O artista traz referências múltiplas em suas músicas, a fim de instigar quem ouve a ir em busca do sentido para além do explícito nas letras.

Inspirador, influenciador, poético, referencial e metafórico. A evolução musical acompanhou uma busca constante pela história do rap e também dos ídolos que ainda lhe servem de base, a fim de não reproduzir máximas errôneas ou mal interpretadas do movimento.  

Batalha do Ambiental

Twoclok e 100$Crew foram os idealizadores do projeto cultural independente que reuniu jovens interessados em rimar e batalhar no Centro de Ponta Grossa. Quando se fala em rap, a Batalha do Ambiental se tornou referência na cidade.

Criada em 2015, a Batalha era realizada semanalmente, com vencedores a cada encontro. Ao final de cada edição anual, havia a batalha final, reunindo os vencedores de cada edição e personalidades do cenário local e nacional.

Apesar de centralizada, a Batalha se tornou um espaço de encontro e conhecimento de músicos de bairros e regiões antagônicas da cidade. Tanto geograficamente quanto socialmente. Dos encontros surgiram parcerias e um espaço de vendas de CDs e de beats.

O projeto desenvolvido por Twoclok foi a forma por ele encontrada para devolver à sociedade e à cultura tudo que recebeu dela. Foi a partir de um show em uma escola da cidade que o artista decidiu que seguiria carreira, mesmo sabendo das dificuldades que enfrentaria. Seja a falta de espaço para apresentações, seja a falta de retorno econômico, são questões que seguem sendo os principais obstáculos tanto na atuação solo quanto enquanto membro do Coletivo.

Fruto da Batalha do Ambiental, um novo grupo começa a se organizar na cidade. Jovens, ainda estudantes, estão em processo de produção das primeiras músicas. Por mais que ainda em um formato improvisado, sem uma identificação enquanto marca ou nome, a Batalha traz a jovens uma visão de que é possível se expressar e ter voz. O grupo mostra o quanto a Batalha também se tornou um espaço de formação de novos músicos.

Garotos de bairros diferentes, por vezes de realidades diferentes, veem  na música um ponto de encontro. A Batalha se tornou mais que uma opção de entretenimento gratuita na cidade. O evento tornou-se uma forma de fortalecer um movimento que é crescente no país, dando visibilidade a uma produção que tem responsabilidade pela bagagem cultural e crítica inserida nas rimas.

Por hora, a Batalha do Ambiental está paralisada. Os rappers esperam retomá-la ainda no primeiro semestre deste ano, mas com uma periodicidade menor. O projeto ainda está em discussão pelos membros do Coletivo, já que são eles que assumiram a frente desde a criação.

100$Crew
O Coletivo 100$Crew tornou-se um projeto independente em 2011, mas inicialmente sem uma formação fixa. Foi em 2015 que a ideia passou a se concretizar, com três rappers trabalhando e produzindo para divulgação do rap como coletivo.

Os primeiros membros do projeto, em 2015, foram Thiago P, Insana e Andrey Axt. Com participação no CD “Clok’Soul”, o Coletivo foi ganhando forma e se concretizando.

A organização da Batalha do Ambiental garantiu a aproximação com outros rappers. Malinali foi integrado em fevereiro de 2016, já no segundo ano de existência da Batalha.

O Coletivo é hoje composto pelos cinco rappers e pelo DJ Cisco, último a ser integrado. Todo o processo de produção vem sendo realizado pelos integrantes. Desde o beat (batida ou melodia da música) até a gravação, mixagem e masterização.

100$Crew já possui um EP lançado, chamado Golden Lake. São seis músicas: uma introdução, um remix e quatro canções inéditas, sendo uma de cada membro.

Desde 2016, Twoclok está à frente da produção dos EPs de cada participante. O primeiro foi de Thiago P, no mesmo ano, chamado “Pro Topo do Jogo”. Já em 2017 foi a vez de Malinali, lançando o inaugural “G.I.T.”. Neste ano, o Coletivo almeja ainda a produção de Insana.
 

No próximo dia 10, 100$Crew, em parceria com o Coletivo Essence, lança uma nova festa em uma casa de shows da cidade. O evento será de apresentação dos EPs e uma forma de comemorar um ano da formação atual.

Hoje a 100$Crew possui cinco rappers e um DJ, responsáveis pela produção e divulgação dos EPs.

 

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