Rapper há mais de 10 anos, Adriano CDG é um dos importantes nomes do estilo musical em Ponta Grossa

Adriano em uma de suas apresentações
Adriano, que atualmente canta sozinho, começou sua carreira com o grupo Consciência do Gueto. (Foto: Felipe Hoffman)

Jeito humilde, conversa fluída e muitos sonhos para o futuro. Rapper há mais de 10 anos, Adriano CDG nunca desistiu da música mesmo frente às inúmeras adversidades. É nascido e criado na Vila Cristina, em Ponta Grossa.

A inspiração para começar na música veio de dentro de casa. O grupo Consciência do Gueto, que introduziu Adriano no mundo do Rap, é composto por seus dois primos, Christian e Rodrigo. Mesmo ouvindo o estilo desde os 14 anos, foi apenas aos 16 que se lançou como MC.

Por ter crescido em um local humilde e ter enfrentado uma realidade difícil, Adriano viu, no Rap, um estilo musical que compreendia e cantava sua vivência. Ele aponta que, no começo de sua trajetória, os grandes nomes do estilo estiveram presentes em sua vida. Cita, entre as grandes influências, grupos como Racionais MC's e RZO e MC's, como Renan Inquérito e Sabotage. 

Sem compromisso e apenas com a vontade de fazer rap, o grupo CDG surgiu na Vila Cristina, onde Adriano e sua família moravam. O contato com o Rap, tanto dele quanto de seus amigos e primos, foi nas ruas através da vivência cotidiana. Naturalmente, os encontros aconteciam e a união existia em torno da música.

O grupo existia, mas ainda não havia um nome. ‘Consciência do Gueto’ emergiu da ideia tanto da consciência pelo conhecimento de algo, quanto pelo sentido e pela percepção do ser humano. No momento, o grupo está um pouco afastado e apenas Adriano segue gravando, compondo e fazendo shows.

Adriano comenta que, no começo do grupo, o trabalho de divulgação das produções era complicado pela dificuldade de acesso à internet e até mesmo aos integrantes do grupo. Segundo ele, existem diversos materiais que foram gravados na época, mas não foram divulgados.

Aos 17 anos, Adriano fez cursinho pré-vestibular e se inscreveu para o concorrer a uma vaga no curso de Educação Física, na Universidade Estadual de Ponta Grossa. No dia em que participaria da segunda etapa da prova, Adriano escolheu ir cantar em um evento de rap no bairro Ronda. Hoje, dez anos depois, o rapper afirma ter outra visão e saber a importância do estudo tanto para sua vida, quanto para a música. Segundo ele, sua mente fechada, na época, o fez tomar essa decisão, pois acreditava que estudar ''não era pra ele''. Ele comenta também que tem planos de, ainda neste ano, voltar a estudar.

A rotina dupla conciliando o trabalho e a música sempre foi difícil. Com família e emprego, Adriano conta que cada vez se torna mais complicado dedicar-se ao rap. À medida que as responsabilidades crescem as dificuldades aumentam, já que a música não traz o retorno financeiro que precisa. Adriano reforça que a dedicação é o que faz o trabalho ir para frente, mas os obstáculos acabam reduzindo o ritmo das produções.

Por vezes, com as inúmeras dificuldades encontradas pelo caminho, o rapper pensou em parar, mas segundo ele quando percebia já estava envolvido novamente. Para ele, o rap precisa ser vivido e é o que lhe traz animação para o dia a dia. Adriano considera que a música mudou a sua vida e que se não fosse o rap, seria uma pessoa completamente diferente. Isso se deve não apenas ao trabalho e à dedicação, mas também ao que aprendeu com outros artistas e mensagens.

Para ele, o cenário do rap mudou desde quando ele começou até hoje. Antigamente, existiam mais grupos, mas o acesso era mais complicado e a “mente mais fechada”. Hoje, se pode conhecer várias coisas e absorver as ideias. Para gravar, tudo ficou mais prático com as novas tecnologias. O público também mudou: as ideias e assuntos são melhor recebidos. ‘’Foi preciso enxergar que o rap é música, e música fala de amor e de qualquer outro tema do dia a dia”, completa.

Embora os videoclipes sejam nos dias de hoje comuns na internet, eles eram uma realidade muito distante para o grupo no começo de sua trajetória. O primeiro clipe foi lançado, com muita dificuldade, em 2013, através de um contato com um produtor de Curitiba. Em 2014 o grupo lançou na internet seu EP que surgiu da reunião de oito canções do CDG.

Adriano acredita que, hoje em dia, o Rap é mais valorizado, inclusive em grandes casas de shows, devido ao conteúdo que a mensagem tenta passar. O preconceito diminuiu conforme as pessoas foram conhecendo do que se tratavam o trabalho e as temáticas. Até mesmo seus pais, que inicialmente não demonstravam muito apoio, vendo seus esforços, acabaram aprovando e percebendo que o Rap colaborou para a formação da personalidade e do caráter de Adriano.

O rapper diz que, em Ponta Grossa, há muitos bons artistas e grupos de Rap, mas a visão de lucro acaba interferindo muito nas escolhas de quem sobe aos palcos. Para ele, as batalhas de rima deveriam ser valorizadas, pois sendo feitas nas ruas e sem a necessidade de uma grande produção, elas são democráticas e acessíveis a todos.

A partir do momento em que as pessoas têm acesso e conhecem a batalha de rima existe uma contribuição para o fim do preconceito. Adriano afirma que as batalhas mostram, para as pessoas, todo o talento e a arte que está envolvida nesta forma de expressão cultural. Apesar de reconhecer e frisar a importância do evento, ele comenta, em meio às risadas, que a batalha de rima não é muito a ''sua praia''.

O rapper também incentiva que eventos em convênio com a Prefeitura voltem a acontecer nos bairros, como era há alguns anos. Isso levaria a população a conhecer e poderia ajudar a mudar a visão sobre o rap. Para ele, essa é uma das medidas mais eficazes para mudar a visão do ponta-grossense sobre quem participa desse meio. ''Quando os shows chegam aos bairros, as pessoas estão com uma visão e, depois, elas se sentem muito mais atraídas pela música'', completa.

Em outras cidades em que esteve com o grupo CDG, Adriano percebe que o cenário também mudou. Antigamente aconteciam mais eventos, exceto em Curitiba, onde ainda é forte o cenário. Voltando, agora, a Ponta Grossa, depois de alguns anos em Curitiba, Adriano vê, no rap, uma grande parcela de um recomeço. Podendo se dedicar mais às produções, ele pretende continuar compondo. Além disso, também voltando a estudar, ele pretende poder se manter fazendo Rap.

 

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