O documentário "Doze meses de resistência: A terra como horizonte de vida" será lançado oficialmente neste sábado, dia 08/07, às 18h, no Acampamento Maria Rosa Do Contestado (MST), em Castro.

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Apresentação

Agrônomo na plantação de trigoO Portal Comunitário entrevistou o agrônomo e produtor de transgênicos José Luiz Buss. O agrônomo falou sobre o mercado dos transgênicos, a rejeição em alguns países e a lei da rotulação.

 Portal Comunitário: “Em 10 anos no Brasil, mais de 90% dos grãos plantados são geneticamente modificados, o senhor estima que em mais quanto tempo chegaremos ao 100%?”.

José Buss: “Nós já estamos muito próximos ao 100%. No Brasil, hoje, mais de 95% das plantações são Organismos Geneticamente Modificados (OGM). Acho que não devemos passar desses limites. Ainda não chegamos a cem porque ainda existem os mercados específicos que ainda pagam um pouco mais por optarem por não plantar os transgênicos”.

PC: “Qual é o mercado da soja transgênica produzida no Brasil? Ela é usada como matéria-prima para quais produtos?”.

JB: “O maior mercado da nossa soja é a China. A soja é muito rica em proteína, por isso ela é um importante componente da ração animal. Este é o principal fim que ela tem. Há também uma quantia usada na produção de alimentos como o tofu, mas algo como 95% é para a ração.

PC: “A União Europeia vem, constantemente, descartando a entrada de sementes transgênicas em seu território. A população europeia tem grande resistência a essas sementes e produtos. O que este diagnóstico pode indicar?”.

JB: “O consumidor é soberano em termos globais. Se os consumidores do mundo inteiro optarem em não consumir os transgênicos o mercado produtor vai ter que se adaptar a essa realidade. Por enquanto existe mercado para todas as fatias (OGM, orgânicos e convencionais). Enquanto o consumidor optar por consumir os transgênicos continuaremos a plantá-los.

PC: “O que é mais saudável: alimentos transgênicos ou agroecológicos?”.

JB: “O alimento orgânico, produzido de maneira sustentável tem menos risco de contaminação. Assim como o alimento transgênico se produzido da maneira correta trará poucos danos a saúde”.

PC: “Qual a sua opinião sobre a lei da rotulação?”.

JB: “A rotulação é o mais importante que existe em qualquer segmento. O mercado é soberano, e por isso o consumidor tem que saber o que está consumindo e ter a opção do que vai querer levar pra casa. Se for transgênico, orgânico ou convencional ele tem que saber o que está consumindo”.

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