Para as mulheres da Vovó Já Dizia Cooperativa há dois motivos principais para deixar de utilizar absorventes industriais: o impacto ambiental e as consequências para a saúde e o bem estar da mulher com o próprio corpo.
Segundo a cartilha distribuída pelo grupo, durante a vida fértil, cada mulher usa de 10 a 15 mil absorventes descartáveis que, em sua maioria, provêm de fontes não renováveis.

 

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“A maioria dos absorventes industriais utilizados até hoje estão no mundo, pois os materiais que os formam não se degradam”, afirma Ana Carolina. Uma das alternativas adotadas para o descarte desses produtos é a incineração. Porém, ela libera gases tóxicos, como dioxina e cloro.


“Muitas vezes parece impossível viver sem a quantidade de produtos descartáveis que consumimos... Uma das razões disso é que a indústria traz seus produtos como grandes inovações, como se os sujeitos não tivessem capacidade de criação para dar resposta às suas necessidades”, analisa a cartilha do coletivo, que defende o modo de vida independente do consumismo exacerbado.


“A gente não aceita o nosso corpo como ele é. Você tem a ideia de que o sangue é sujo, mas ele é uma coisa normal para todas as mulheres. Depois que se toma uma atitude como a utilização do absorvente ecológico não tem como não começar a questionar muitas coisas”, acredita a ativista dos Abolicionistas Veganos e integrante da cooperativa, Ligis Creuza.


A ativista analisa que à medida que foi conhecendo melhor o seu corpo e o que faz mal à ele, começou a realizar diversas trocas que, segundo ela, são vistas de forma estranha: “Percebi que ao pensar mais em mim do que no que os outros vão pensar me senti muito melhor comigo mesma e com meu próprio corpo”.


A cooperativa afirma que 60% das mulheres apresentam problemas de saúde relacionados ao uso do absorvente descartável. Um exemplo é a maior suscetibilidade a Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) devido a cortes e a ulcerações causados pelos polímeros.


A cartilha também afirma que o uso do absorvente industrial pode causar infecções cutâneas provocadas pelo poliacrilato de sódio presente na composição desses produtos.


Outro problema é o aumento do fluxo do sangramento. As dioxinas, usadas no clareamento do algodão do absorvente, rompem o hormônio que regula o ciclo menstrual (estrogênio), e acabam intensificando o crescimento do tecido endometrial.