Coletivo Marie Curie organiza evento para promover discussão sobre os temas feminismo e LGBT na UTFPR

A Mesa Redonda "Mulheres na Ciência" trouxe duas engenheiras para debater a atual situação da mulher no trabalho e na sociedade.

A 2ª Semana de Ciência, Gênero e Tecnologia, realizada na Universidade Tecnológica Federal do Paraná, encerrou suas atividades nessa quinta-feira, dia 18. O evento contou com palestras, mesas redondas, atividades culturais e documentários sobre feminismo, LGBTfobia, violência, gênero e sexismo. O Coletivo Marie Curie, composto por estudantes da UTFPR, foi o principal responsável pela organização do evento.

 

A professora também responsável pelo evento, Katya Picanço, conta que, este ano, com a organização do coletivo, o evento passou a ter uma visibilidade maior. A primeira edição aconteceu em 2015.

"Do ano passado pra cá, o evento e a discussão sobre gênero, bem como as pautas do movimento LGBT, passam a ter uma maior visibilidade dentro da universidade. Isso traz uma discussão que não faz parte dos currículos formais dessa universidade tecnológica, que é muito fechada na discussão do técnico", ressalta.

Picanço destaca que a discussão desses temas e de outros, como a consciência negra e a tecnologia social, visam quebrar uma cultura dominante, não apenas na universidade, mas também na sociedade. "A partir da existência do coletivo, acredito que as pautas passam a ser mais pontuais em diversas instâncias da universidade. Isso mexe um pouco com a própria estrutura da instituição", completa.

A estudante de Engenharia Química, Mayara Scheffer, faz parte do Coletivo e conta que os temas foram definidos de forma que eles não provocassem muita polêmica. "A gente não quis ir muito a fundo no feminismo porque a UTF é difícil para trazer esse tipo de coisa, e estamos surpresas com a quantidade de gente que tem vindo, porque a maioria do pessoal é fechado para esse tipo de discussão", comenta.

Contudo, Scheffer conta que foi realizada uma enquete e os resultados apontaram várias críticas. Nelas, havia comentários de que a universidade teria "problemas mais relevantes" a serem discutidos. "Claro que a gente não quer tirar o foco de outros problemas, mas é muito importante a gente fazer isso, porque não existe aqui. Eu entrei em 2012 e nunca vi o que está acontecendo esta semana. Maravilhoso", conta.

O estudante de Engenharia Mecânica, Lucas Paiva, não participou do evento, mas relata que acha interessante trazer a discussão na questão de gênero, homofobia, entre outros temas. O coletivo organizou cartazes, espalhados pela universidade, com frases "machistas" a partir da hashtag: #JáOuviNaUTF. "Sobre as frases expostas, acho que é um jeito de abrir a mente dos homens, que predominam em quantidade aqui na universidade", expõe. Paiva acredita que projetos de palestras e campanhas educativas de conscientização devem continuar. 

O evento foi aberto à todos os estudantes, mas ainda assim, a maioria eram mulheres.

Coletivo Marie Curie

Marjorie Batistela, estudante de Engenharia de Produção e integrante do Marie Curie, conta que o coletivo é feminista e LGBT, tendo sido criado, a princípio, para a Semana de Ciência, Gênero e Tecnologia. "A gente criou o coletivo por causa da semana do ano passado, nós não estávamos, mas foi visto que precisavam ser discutidos alguns temas dentro da universidade", relata. Batistela conta que o grupo quer se organizar melhor para continuar a pensar em projetos dentro da universidade.

A estudante de Licenciatura de Ciências Sociais e também participante do Coletivo, Andrieli Coscoski, conta que ainda não foram definidos cargos. "Fazemos reuniões com debates e decisões em grupo. Estamos em torno de umas 15 pessoas", completa. 

Coscoski conta que houve vários comentários, como "isso aqui não é lugar para vocês" e "não precisa desse tipo de atividade dentro da universidade", vindos tanto por parte dos alunos, como de professores. Mas diz que ao mesmo tempo em que há críticas, há apoio. "Está sendo bem legal e os homens estão integrando. Eles estão tendo a oportunidade de nos conhecer melhor", finaliza.

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