A principal atividade desenvolvida pelas mulheres nos encontros da cooperativa é a confecção dos absorventes ecologicamente corretos.  Durante a produção das peças são usados dois pedaços de algodão cru, uma tira de tecido impermeável, como nylon, e camadas de flanela de camisa ou de limpeza.

 

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Ligis explica que a quantidades de tecido flanela depende do fluxo menstrual de quem utilizará o absorvente. “Recomenda-se quatro camadas do tecido para quem possui fluxo médio e de seis a oito para quem possui fluxo intenso”, explica.

 

Outros materiais necessários para a confecção do absorvente ecologicamente correto são tesoura, botões de pressão, um molde do absorvente feito em cartolina ou papel resistente, caneta marcadora, agulha e linha de costura.

 

Após serem cortadas no formato preterido, as peças de tecido são empilhadas de forma que o nylon e as flanelas fiquem na parte interior do absorvente, cobertas pelo algodão cru, que entrará em contato com a pele. As peças são então costuradas à mão pelas membras da cooperativa.

 

De acordo com as produtoras da Vovó Já Dizia, um absorvente ecológico pode durar até cinco anos se for mantido sob os cuidados necessários. Ana Carolina recomenda que se deixe o absorvente de molho em água morna. “Essa imersão pode ser feita acompanhada de ervas como alecrim, melissa e eucalipto, que possuem propriedade antibacterianas”, acrescenta.

 

Após o período de molho recomenda-se utilizar sabão de coco, neutro ou glicerinado para finalizar a higienização do absorvente devido a sua menor agressividade química. A secagem deve ser feita ao sol para evitar a proliferação de qualquer bactéria remanescente.

Para as mulheres da Vovó Já Dizia Cooperativa há dois motivos principais para deixar de utilizar absorventes industriais: o impacto ambiental e as consequências para a saúde e o bem estar da mulher com o próprio corpo.
Segundo a cartilha distribuída pelo grupo, durante a vida fértil, cada mulher usa de 10 a 15 mil absorventes descartáveis que, em sua maioria, provêm de fontes não renováveis.

 

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“A maioria dos absorventes industriais utilizados até hoje estão no mundo, pois os materiais que os formam não se degradam”, afirma Ana Carolina. Uma das alternativas adotadas para o descarte desses produtos é a incineração. Porém, ela libera gases tóxicos, como dioxina e cloro.


“Muitas vezes parece impossível viver sem a quantidade de produtos descartáveis que consumimos... Uma das razões disso é que a indústria traz seus produtos como grandes inovações, como se os sujeitos não tivessem capacidade de criação para dar resposta às suas necessidades”, analisa a cartilha do coletivo, que defende o modo de vida independente do consumismo exacerbado.


“A gente não aceita o nosso corpo como ele é. Você tem a ideia de que o sangue é sujo, mas ele é uma coisa normal para todas as mulheres. Depois que se toma uma atitude como a utilização do absorvente ecológico não tem como não começar a questionar muitas coisas”, acredita a ativista dos Abolicionistas Veganos e integrante da cooperativa, Ligis Creuza.


A ativista analisa que à medida que foi conhecendo melhor o seu corpo e o que faz mal à ele, começou a realizar diversas trocas que, segundo ela, são vistas de forma estranha: “Percebi que ao pensar mais em mim do que no que os outros vão pensar me senti muito melhor comigo mesma e com meu próprio corpo”.


A cooperativa afirma que 60% das mulheres apresentam problemas de saúde relacionados ao uso do absorvente descartável. Um exemplo é a maior suscetibilidade a Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) devido a cortes e a ulcerações causados pelos polímeros.


A cartilha também afirma que o uso do absorvente industrial pode causar infecções cutâneas provocadas pelo poliacrilato de sódio presente na composição desses produtos.


Outro problema é o aumento do fluxo do sangramento. As dioxinas, usadas no clareamento do algodão do absorvente, rompem o hormônio que regula o ciclo menstrual (estrogênio), e acabam intensificando o crescimento do tecido endometrial.

A Como Vovó Já Dizia Cooperativa foi criada e desenvolvida para mulheres, buscando o autoconhecimento através de absorventes de pano menstruais e para seio. No coletivo, os produtos incentivam a valorização do trabalho artesanal de forma diferente do comércio capitalista.

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O Grande Auditório da UEPG Central recebeu na última quinta-feira, dia 26,, o  I Simpósio sobre violência contra a mulher: ações de enfrentamento. Organizado pelas acadêmicas do 3º ano de Serviço Social como parte de uma das disciplinas do curso, o evento contou com três palestrantes na mesa principal.

A campanha de prevenção aos cânceres de mama e colo de útero de 2015 encerrou-se no dia 31 de outubro. A Secretaria Municipal de Saúde mobilizou durante todos os finais de semana do mês o Centro Municipal da Mulher, as Unidades Básicas de Saúde dos bairros de Oficinas, Nova Rússia, Uvaranas e Santa Paula, e a unidade de atendimento móvel no Parque Ambiental para realizar exames preventivos nas mulheres usuárias do Sistema Único de Saúde.