As meninas que chegam à Associação de Proteção à Menina (Apam), apesar da pouca idade, têm experiências marcantes. A maioria é retirada de suas famílias devido ao envolvimento com  drogas por parte dos responsáveis ou a casos de abuso sexual, negligência e violência.

 Apesar de ser um abrigo, o ambiente da Apam é acolhedor. O prédio principal lembra uma escola de ensino fundamental. Há várias salas de estudos multifuncionais que as meninas utilizam para fazer as tarefas do colégio e atividades acadêmicas, acompanhadas por funcionários que as auxiliam.

 

Marcas de uma infância

Meninas em situação de vulnerabilidade social encontram abrigo e oportunidades na Apam

Editorial: Um abrigo não é um lar

 

 

O refeitório é um grande salão que comporta até 88 crianças. São servidos café da manhã, almoço em dois horários diferentes – às onze e meia da manhã, para as meninas que estudam no período da tarde, e  a uma hora da tarde para as que estudam pela manhã. Além disso, há o lanche durante a tarde e o jantar.

 

A biblioteca é um dos espaços mais populares entre as crianças. Monitorada pelo professor João Gilberto Agner Holm, a sala recebe, diariamente, as meninas,  para diversas atividades. “Fazemos leituras compartilhadas, recitação de poesias e contações de histórias, utilizamos vários recursos diferentes para dar efeitos nas narrativas, como bonecos, sons, etc.”, conta João.

 

Outra ocupação das meninas é a oficina de bordado, ministrada pela instrutora Saionara Tribeck. “Com essa atividade eu procuro trabalhar principalmente a paciência das meninas. Elas participam durante o ano da oficina e, ao final desse período, 20% do que bordaram são delas e 80% são vendidos para que, com o dinheiro obtido, a gente compre mais materiais”, relata a instrutora.

 

Atividades físicas também estão entre as favoritas das crianças. Há uma quadra de esportes coberta onde realizam atividades de recreação utilizando brinquedos como bolas, cordas e bambolês, e as aulas de ballet, oferecidas duas vezes na semana.

 

 

 

 

 

Hoje a Apam pode abrigar até 20 meninas, que moram numa casa ao lado da instituição. Esse espaço de acolhimento é chamado ‘Casa Lar’. O local possui vários quartos, cozinha, sala com TV e brinquedos e um banheiro compartilhado, onde cada uma possui seus próprios materiais de higiene pessoal.

 

 

Meninas em situação de vulnerabilidade social encontram abrigo e oportunidades na Apam

Atividades diversificadas colaboram para o desenvolvimento das meninas da Apam

Editorial: Um abrigo não é um lar

 


É tudo muito limpo e organizado. Nos quartos, são dispostos beliches e armários para que cada uma tenha espaço para acomodar os próprios pertences. Elas possuem horários e têm rotinas.


Uma das meninas que mora no acolhimento é a Rafaela*. Ela tem 13 anos e está no sétimo ano do ensino fundamental. A Apam se tornou seu novo lar porque o pai tinha problemas com bebidas alcoólicas e a mãe não tinha tempo para cuidar dela. “Faltei muito na escola porque meus pais e meus irmãos não me levavam pra aula, então eu reprovei. Foi quando me trouxeram pra cá”, relata a adolescente.


O pai de Rafaela está muito doente e se alimenta por sonda. A mãe é catadora de material reciclável. “A juíza falou que eu estou morando há muito tempo aqui. Não é que eu não goste, mas eu estou longe dos meus pais e eu quero ir embora. Meu pai está doente e minha mãe precisa de mim. Meus irmãos não ajudam ela, e eu prometi que voltaria”.


Apesar das dificuldades com a família, Rafaela é espontânea e não parecia constrangida ou tímida enquanto dava a entrevista. Ela disse gostar muito das crianças que fazem contraturno na Apam e que seu sonho é ser professora. “Eu tenho esse sonho e eu vou conseguir. Quero trabalhar, eu aceito qualquer emprego”, planeja.


Outro caso é o da Luana*, que tem 14 anos e mora na casa há dois. Ela acabou se mudando para o local porque seu pai faleceu e a mãe, usuária de drogas, havia levado ela e o irmão para morar com a avó. E, na época, a familiar não tinha condições financeiras para cuidar deles.


“Minha mãe falou que eu moraria com a minha avó só por um tempo, até ela se estabilizar. Depois ela voltaria para buscar eu e meu irmão. Ela ficou seis anos sem dar notícias e depois ela entrou em contato. Não quis falar com ela porque eu não aceitava o que ela tinha feito comigo. Depois pensei melhor e quem sabe se ela não tivesse feito isso, meu futuro teria sido bem pior”, reflete.


Quando perguntada se ela gosta de morar na casa,  a adolescente afirma que nem sempre é bom. Nos finais de semana, as outras meninas vão para a casa dos pais ou parentes e ela permanece na casa, já que a avó faleceu há aproximadamente um mês.


“Eu fico aqui todos os dias, o ano todo. Fico com as tias e só. Quase não saio. A minha convivência aqui, com as meninas, é mais de coleguismo e não de amizade”. Perguntamos se ela tinha amigas na instituição: “Só eu mesma”, enfatiza.  


Durante a entrevista Luana falava rápido e parecia nervosa. Não gostava de conversar sobre aquele assunto. Dentre as atividades propostas pela Apam, ela disse gostar muito de informática, leitura, teatro e ballet.


“Ainda não sei o que quero fazer, mas eu queria trabalhar. Tenho vontade de sair daqui e mostrar para as pessoas, que não acreditaram em mim e disseram que eu não teria futuro, que vou ser uma grande pessoa um dia. E que eu não precisei da ajuda deles”.


A psicóloga Eligiane Binotto Godoy trabalha na Apam há três anos. Ela auxilia no acolhimento das assistidas na Casa Lar. “Trabalhamos com a possibilidade de uma transformação familiar, que precisa do comprometimento dos pais para que isso aconteça. Fazemos visitas domiciliares e eu mesma converso com eles. Se tudo ocorrer bem, elas retornam às suas famílias”, afirma.


Eligiane conta que a maioria das meninas chega à casa com valores distorcidos e não possuem limites. Ela e a equipe técnica trabalham no processo afetivo, ensinando com carinho novos hábitos como, por exemplo, higiene pessoal e lavagem de roupas.


“Muitas delas jogam as roupas no lixo ou na churrasqueira quando chegam aqui porque, quando estavam com a família, ninguém lavava as suas roupas. Então, elas não possuem esse hábito e, com carinho, o introduzimos a rotina delas”.
Os profissionais da associação trabalham também para levar as meninas à compreensão da negligência e do abuso sexual por elas sofridos. O objetivo é evitar que situações de violência se repitam na vida delas.


A Apam recebe doações de roupas, materiais de higiene pessoal e limpeza, além de brinquedos que estejam em ótima conservação. Mais informações no site.


*Os nomes das meninas foram alterados para preservar suas identidades.

 

 

 

 

 

A iniciativa, lançada na segunda-feira, dia 24, resulta de parceria entre o coletivo feminista Amapô e a Comissão da Mulher da Ordem dos Advogados do Brasil, Subseção Ponta Grossa. A campanha arrecadará, de 01 de setembro a 10 de outubro, absorventes higiênicos. O material será destinado a mulheres do Presídio Hildebrando de Souza e do Centro de Socioeducação (CENSE) de Ponta Grossa.


Serão aceitos pacotes fechados de absorventes internos e externos e outros tipos de produtos de higiene pessoal. Também serão arrecadados remédios sem receita obrigatória e, para o acervo da biblioteca do presídio, livros e revistas seminovos.

Os principais pontos de coleta das doações serão as Faculdades Ponta Grossa, UNOPAR, UEPG, Secal, CESCAGE, UTFPR e Faculdades Sant’Ana. Para mais informações, acesse o evento no Facebook: Arrecadação de Absorventes para Mulheres presas

Arquivo Comunitário:

10/07/2015 - Primeiro sarau feminista no DCE reúne produções independentes da cidade

05/07/2015 - Ponta Grossa conta com apenas um polo especializado de atendimento à saúde feminina

 

O grupo Abolicionistas Veganos (AVEG), juntamente com o grupo da Cooperativa Como Vovó Dizia, realizará no fim do mês de agosto, dia 29, às duas horas da tarde, o ‘Compartilhando saberes femininos’.

O evento, que acontecerá no Canto Gaia, conta com uma oficina para a confecção de absorventes ecológicos e meditação. Além disso, será ensinado às mulheres o processo do autoexame do colo do útero. Para os interessados é necessário levar lanterna e espelho.

Os organizadores se encarregarão de disponibilizar os espéculos vaginais, mas pede-se uma contribuição voluntária para a compra dos materiais utilizados.

Mesmo com as atividades somente à tarde, quem quiser ir no horário de almoço pode levar um prato vegano para compartilhar durante a refeição. O evento será ao ar livre.
Mais informações disponíveis no grupo AVEG no Facebook