Na Escola Municipal Djalma de Almeida Cesar, em Olarias, 50 crianças de 4-5 anos foram inclusas na educação infantil em 2016. Medida pretende liberar mais vagas em creches de toda a cidade. A meta do Plano Nacional de educação de ensino fundamental de nove anos gerou mudanças. A partir de 2016, as crianças de cinco anos estão inclusas no ensino municipal.

A mudança resulta da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e o Plano Nacional de Educação (PNE), este aprovado pela Lei nº 10.172/2001, com a Meta 2 que prevê a universalização do ensino fundamental. Ambos, portanto, já traziam a determinação de implantar progressivamente o ensino fundamental com duração de nove anos.

A partir de agora as crianças devem frequentar a creche até os três anos de idade. A pré-escola vai até os cinco anos. E dos cinco aos 14 anos de idade correspondem o ensino fundamental.
Com a inclusão das crianças de cinco anos no ensino fundamental, como efeito do PNE, essa passa a ser a tendência seguida pelos estabelecimentos de ensino público.

As pedagogas Lisete ArelaroI, Márcia JacominiIl e Sylvie Klein realizaram um estudo sobre a implementação do nono ano do ensino fundamental a partir de entrevistas e questionários.

Jacomini relata que o resultado da pesquisa comprova que, diante das mudanças apresentadas, o ensino fundamental de nove anos não representa um ganho para a educação das crianças.

“Ao contrário, diante das expectativas socialmente construídas pelos pais e pelas orientações, bem como exigências das redes de ensino, muitas crianças têm sido submetidas a um regime de trabalho escolar incompatível com a faixa etária”, afirma.

"Eu acho preocupante colocar as crianças dentro de sala sem um planejamento certo, só porque precisam de mais vaga nas creches. Pra mim, é isso que parece, não tem lugar pra todo mundo na creche e aí tem que matricular na escola. O pior é que ainda não sei o conteúdo que meu filho vai ter", diz Jandira Andrioli.

Segundo Francisco de Chagas, da Secretaria Estadual de Educação, em 2005 o Paraná possuía três municípios com o ensino fundamental com duração de nove anos. Na época, 21.772 alunos, com idade inferior a seis anos, estavam matriculados na rede pública de todo o estado.

“Os sistemas educacionais, ao optarem pelo ensino fundamental de nove anos, são orientados no sentido de adequarem a sua estrutura, os conteúdos, os materiais didáticos e as práticas pedagógicas à faixa etária das crianças ingressantes”, completa.

A psicopedagoga Berenice Fogaça afirma que apenas ampliar o tempo do ensino fundamental não basta. Para Fogaça, é necessário qualificar as ações com práticas pedagógicas adequadas e um quadro de professores satisfeitos com a profissão.