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Ao longo do Arroio do Prancha as famílias moram junto ao esgoto, convivendo com o mau cheiro, animais que se proliferam e lixo próximo. Apesar de ser área de preservação ambiental, nada de efetivo tem sido feito para mudar a situação.

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Dona Glaci Aparecida da Silva mora no bairro Órfãs, especificamente na Vila Liane, há sete anos. Sua casa é ao lado do arroio que desemboca no Rio Pitangui, onde todos os dias faz o serviço doméstico e trabalha, ao lado das filhas.

O problema é que, o que antes era apenas um córrego, hoje recebe inúmeros esgotos, fazendo com que haja mau cheiro, proximidade de doenças e lixo no entorno. Dona Glaci não possui água encanada nem luz elétrica e tem consciência de que o lugar aonde mora é área de preservação ambiental.

Essa não é uma realidade única. Ao longo do Arroio do Prancha, são inúmeras famílias que convivem com a realidade de um esgoto a céu aberto ao lado de suas casas. Até outros moradores, mesmo que não estejam tão perto do arroio, conseguem sentir o mau cheiro que o ambiente exala.

A maioria sabe que ali é área de mata ciliar, porém, sem uma negociação justa com a Prefeitura, não aceitam sair de onde estão. Justo, para eles, seria receberem algo pelo terreno e casa construídos e, se forem realocados, em um lugar que condiga ao local em que já moram, ou seja, não em bairros tão afastados, que mudariam sua dinâmica de vida.

"O que mais dá medo são as enxurradas. Quando chove, o rio enche muito. Alguns bichos também entram em casa por causa do arroio", conta Aparecida de Fátima Oliveira, moradora há 17 anos. Para o problema da chuva e alagamentos, foram feitas uma espécie de barricadas, que evitam a invasão da água nas casas.

Porém, se a chuva for além da normalidade, as residências são muito próximas ao rio, comprovando o medo da população. Avaldiva Carvalho, moradora do local há 15 anos, explica que, se quando o chove o medo é de alagamentos, em épocas de pouca chuva, o esgoto acumulado seca e o mau cheiro piora, com a mistura de todos os dejetos jogados.

E, mais uma vez, aparece a declaração recorrente dos moradores: "A Prefeitura mandou a gente sair. Mas vamos para onde?".

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