Na terra do sol nascente, o operário Mário Goto, que mora no Japão há 11 anos, conta que nunca viu ciclovias na região onde mora, Ama-Gun Kanie-Cho. Ele comenta que, apesar do país ser geograficamente plano, existem muitas pontes, o que dificulta a construção de ciclovias.

O dekassegui explica que os mais variados tipos de pessoas utilizam a bicicleta. "Os estudantes, não sei ao certo a idade, mas correspondem mais ou menos a alunos de 5ª a 8ª séries, tem que usar capacete. Os idosos são um perigo, pois alguns entram nos cruzamentos sem olhar ou parar para ver se vem carro".

Ele conta que, apesar de existirem muitas ruas estreitas, as pessoas usam mais como meio de transporte do que como um instrumento de lazer.

Goto relata que para andar de bicicleta não precisa de habilitação, mas há pouco tempo foram criadas novas leis para o ciclista. “Não sei de todas, mas foi proibido carregar pessoas na garupa, andar em fila dupla, usar celular, usar guarda chuva, alcoolizado e, a mais antiga, de usar o farol à noite. No geral os ciclistas não respeitam, campanhas de concientização existem, com visitas aos órgãos de trânsito pelos estudantes, panfletagem nas ruas num dia específico, mas parece pura mídia".

Ele acredita que, quanto mais chove, mais os japoneses lançam mão da bicicleta como meio de transporte. "Já da outra vez que estive aqui em Saitama-Ken, divisa com Tókio, algumas pessoas tinham duas bicicletas: uma pra ir até a estação de trem e outra na estação destino pra se locomover até o trabalho, por ser mais fácil e rápido do que ir pelo transito e esperar o onibus".

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ciclovias4-29-07-11O arquiteto e urbanista Roque Sponholz explica que a dificuldade na mobilidade urbana se deve, principalmente, ao grande número de carros e à péssima qualidade do transporte público. “O carro é uma arma na mão do sujeito que ocupa espaço, além de sair caro para o município”.

O uso de bicicleta em Ponta Grossa se torna difícil devido à topografia irregular. Mas o arquiteto apoia a construção de ciclovias em vias planas como a Avenida Carlos Cavalcanti e na antiga estrada de ferro, no bairro de Oficinas. “Quando eu planejei o contorno Leste, foi colocada uma ciclovia no projeto”.

O arquiteto ainda aponta outros aspectos para a implantação de uma ciclovia. “Tem que disciplinar o tráfego com canaletas para os ônibus, ciclofaixas e a rua para os carros, além de sincronizar os semáforos para evitar os engarrafamentos”.

Sobre alternativas de lugares para a implantação de ciclovias, Sponholz cita algumas ruas e avenidas da cidade: Av. dos Vereadores, Rua Ernesto Vilela, Av. Dom Pedro II, Av. Souza Naves, Av. Visconde de Mauá.

“Antigamente as cidades eram divididas em parte industrial, parte institucional (Prefeitura, Fórum, Previdência) e Centro Cívico. Hoje, deve-se misturar tudo para diversificar o uso e diminuir a necessidade de deslocamento”.

A Secretaria de Planejamento da Prefeitura de Ponta Grossa foi procurada, mas não quis se pronunciar sobre o assunto.

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Gostei muito da reportagem sobre o Grupo dos 30, publicada nesta semana no Portal Comunitário. O relato da proposta das comunidades está claro e bem explicado, e a matéria traz a reflexão de um especialista, que situa o fato em uma perspectiva maior. É algo de que eu sentia falta nas publicações passadas.