Os animais são transmissores potenciais de raiva e, por isso, o Portal Comunitário foi conferir os modos de prevenção da doença 

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Vacina feita na modalidade preventiva em estudantes

O morcego é um dos principais transmissores da raiva, uma doença que afeta o sistema nervoso central e pode levar à morte. Em Ponta Grossa, há colonização de morcegos no Centro da cidade, como na rua Paula Xavier e na rua XV. Baseado em exames feitos por amostragem, o Controle de Zoonoses demonstrou que nós temos morcegos insetívoros, frugívoros e hematófagos contaminados com o vírus rábico aqui no Paraná.

Vacinação

Quando se tem contato com o morcego, independente da espécie, a pessoa precisa se submeter à vacinação, sendo classificada na modalidade por exposição grave. Logo após o contato, é necessário que o indivíduo aja, rapidamente, indo ao Pronto Socorro e informando o ocorrido para receber a vacinação. Ela é composta por quatro doses e soro ou imunoglobulina anti-rábica.

“Não é necessário que exista uma lesão de mordedura do morcego. Ele pode ter apenas batido ou tocado no corpo das pessoas. Como o morcego tem o hábito de viver em colônias e eles se lambem entre si, como comportamento natural. Eles têm o corpo também como potencial de contaminação pela saliva”, explica Úrsula Kemmelmeier, enfermeira do Setor de Imunização da Secretaria Municipal de Saúde.

No ano de 2016, em Ponta Grossa, foram aplicadas 468 doses da vacina. O número se refere a todas as etapas da vacinação contra raiva em humanos, segundo os dados do Centro de Imunização.

Outra modalidade de vacinação são as pessoas que trabalham na área e têm contato direto com os animais, como médicos veterinários, biólogos e acadêmicos de medicina veterinária. Neste caso, de os estudantes terem contato direto com os animais nas atividades do curso de graduação e nos estágios, a faculdade acaba exigindo a vacina por precaução.

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Enfermeira Úrsula aplica terceira dose na estudante Mauryllaine

Mauryllaine Venancio, estudante de medicina veterinária na Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), conta sobre a vacinação dos acadêmicos. “Nas faculdades privadas, o que eu sei é que eles dão a vacina para os alunos na própria faculdade. Mas lá, na Unicentro, a gente tem que tomar por conta própria. Eu fui procurar pra tomar a vacina nas unidades de saúde de Guarapuava, mas eles fazem de tudo pra não vacinar. Aí, pra gente da faculdade, fica difícil”.

A acadêmica é nascida em Ponta Grossa e, nas férias de janeiro, aproveitou para tomar as vacinas em sua cidade natal. Assim, também fazem os muitos estudantes da Unicentro que, em grande maioria, são de outras cidades também.

A vacinação para essa modalidade funciona de outra maneira. No esquema de pré-exposição à raiva, a pessoa recebe três doses.. Após 28 dias da última dose, é feita uma testagem do sangue da pessoa pra ver se ela desenvolveu o anticorpos.

O que fazer?

Caso você esteja no mesmo ambiente em que haja a presença de morcego e precisa retirá-lo do local, como explica Úrsula Kemmelmeier. “Você não pode tocar com as mãos. Deve usar luvas ou usar algum tipo de anteparo, como por exemplo uma garrafa pet aberta.”

Caso o morcego esteja morto, é necessário entrar em contato com o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). “Liga para a Zoonoses, a gente vai até o local e recolhe esse morcego. Então, ele é encaminhado para análise no Laboratório Central (LACEM), em Curitiba, pra ver se ele tem o vírus da raiva. Aí, eles mandam o laudo para nós para sabermos se resultado é positivo ou negativo pro vírus da Raiva”, explica Fabio Martins, agente de endemias do CCZ.

O agente ainda explica que, se alguém achar um morcego, não é para encostar nele, que você tem que colocar uma luva de raspa de couro, ou tentar pegar com uma vassoura e uma pazinha, mas sem ter o contato.

No centro da cidade

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Morcegos se alojam nos sótãos das lojam e estragam instalações

Os morcegos fazem parte da fauna brasileira e são protegidos pela Lei Federal 5.197 de 3 de janeiro de 1976, sendo crime matar esses animais. Os morcegos estão presentes em colônias no Centro de Ponta Grossa. Às vezes, é possível encontrar alguns deles mortos na rua, por acidente com carros, mas é bem mais comum encontrar a presença da urina e das fezes nas ruas.

“O cheiro da urina deles é insuportável, fede muito. Tem dias que não consigo ficar na loja. Eu liguei na Zoonoses e eles deram algumas orientações, como sempre deixar o ambiente iluminado durante a noite e escuro durante o dia que, daí, eles saem. Também é preciso tapar todos os buracos, colocar tela em todas as janelas”, relata Maria Cláudia, proprietária da Tok de Luz, que fica na Rua Paula Xavier.

Uma loja desocupada, que fica ao lado do estabelecimento de Maria Cláudia, é um dos locais onde eles se alojam. Por não ter nenhuma vigilância no local e ter frestas por onde os morcegos podem entrar, o caos é grande. Mas duas semanas atrás, foi aberto o espaço para limpeza e proteção. Havia cinco meses que ele não era aberto e estava atrapalhando os demais comércios da rua por ter se tornado abrigo desse tipo de animal.

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Prevenção, com grades, feita na loja desocupada na Paula Xavier

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