altA empresa, que atua no setor da soja na cidade, tem 76 empregados e todos estão sem pagamento há quase 80 dias. O Sindicato de Trabalhadores na Indústria de Cerveja e Bebidas em Geral, Azeite e Óleos, Alimentos e Soja (SindBeb) representa os funcionários e está cobrando dos proprietários da Insol a regularização dos salários, mas até agora não houve acordo.

Imagine a seguinte cena: você trabalha em uma empresa e, com o salário que ganha, ajuda a sustentar sua família. De repente, essa empresa simplesmente para de funcionar e, como consequência, de pagar seu salário.

Você chega ao local de trabalho e todo o serviço está paralisado, um pouco depois não há mais energia elétrica, água e nem linhas telefônicas na fábrica e seu patrão não dá nenhuma satisfação a você, trabalhador.

Foi exatamente isso que aconteceu com Luis Cesar Oliveira, que é operador de secador há 8 anos na Insol, empresa ponta-grossense que planta, colhe, armazena, processa e comercializa soja. Ele e mais 75 funcionários estão há quase 80 dias sem receber pagamento.

“Alguns trabalhadores fazem bico por aí, outros ficam dependendo da esposa para o sustento. A maioria tem família e não há condições de ficar mais tempo sem receber”, analisa Oliveira.

 A Insol paralisou todas as atividades em outubro de 2009. O proprietário da empresa alegou que a crise financeira mundial, a queda do dólar, a falta de incentivo do governo e briga fiscal com outros estados prejudicaram o rendimento da Insol.

Durante 5 meses, os funcionários da empresa tiveram o contrato de trabalho suspenso para participar de cursos de qualificação, conforme o artigo 476-A, oriundo da Medida Provisória n.º 2.164-41. Após esse período, a produção foi retomada, e os trabalhadores continuaram comparecendo ao serviço, mas sem receber.


De acordo com Josmar Camargo, diretor-secretário do Sindicato de Trabalhadores na Indústria de Cerveja e Bebidas em Geral, Azeite e Óleos Alimentos e Soja, Torrefação e Moagem de Café, Trigo, Milho e Mandioca, Panificadora, Confeitarias, Ração e Gráficos em Geral de Ponta Grossa (SindBeb), já houve várias tentativas de acordo com a empresa.

“Apesar desse momento difícil, muitos funcionários vestiram a camisa da Insol e continuaram trabalhando sem receber. Mas chegou num momento em que eles estão passando por sérias dificuldades”, conta.

O Sindbeb sugeriu pelo menos a liberação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e os documentos dos funcionários retidos na empresa para então chegar num acordo sobre o pagamento do salário.

Como os diretores da Insol não acataram nenhuma das reivindicações, o Sindbeb entrou com um pedido de bloqueio de bens da empresa.

A Insol possui uma filial em Maringá, cujos trabalhadores estão recebendo normalmente. A fábrica possui capacidade de processamento de 1,2 mil toneladas de soja por dia de operação.

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