De 2013 para cá foram 226 profissionais que pediram a conta ou foram demitidos em padarias da cidade. Segundo informações do Sindibebidas a maior rotatividade é entre balconistas. Até fevereiro de 2014, 26 profissionais fizeram rescisões no emprego.

    No último ano, 200 pessoas foram demitidas ou pediram demissão na área de panificação em Ponta Grossa. Segundo o Sindibebidas, a rotatividade maior foi na posto de balconista. Já neste ano, 26 profissionais saíram da área de panificação. Destes, cinco pediram demissão e 19 foram demitidos.

    Segundo Jorge Luiz Pitela, presidente do Sindibebidas Ponta Grossa, o sindicato fiscaliza  168 padarias, tanto as que funcionam em mercados, quanto independentes. “A maior rotatividade que ocorre é entre mulheres balconistas”, explica.

    Silvia*, hoje em seguro desemprego, trabalhou durante um ano e alguns dias em uma padaria da cidade. Diariamente, a funcionária tinha dois turnos: das 6h30 ao 12h e das 16h as 19h. “Era uma rotina estressante e eu tinha que fazer de tudo, enfrentava os maus tratos da gerente e tinha muito trabalho. Todas as funcionárias dividiam todas as tarefas”, conta.

    Karine Santos, balconista, concorda que o maior problema é o trabalho de domingo. “Creio que se houvesse mais rotatividade de horário não teríamos que trabalhar tão cedo ou chegar em casa muito tarde”, diz.

    José Salomão Messias, presidente do Sindipan SG que abrange 23 municípios da região, diz que os principais motivos de demissões são a carga horária de final de semana e distância do trabalho. “Como elas trabalham no domingo, por vezes não têm com quem deixar os filhos e também não podem aproveitar o domingo em família.” Outra questão apontada por Messias é a má qualificação da classe. “Normalmente, o primeiro emprego é em padarias. Na mesma semana, contratei duas e demiti uma funcionária”, esclarece.

    O piso salarial do Paraná é de 850 reais, mas os profissionais da panificação recebem 753 reais para uma carga-horária de 8 horas diárias.