Em vários bares de Ponta Grossa, a música ao vivo é um dos atrativos. A reclamação dos músicos é que, com o projeto de lei que limita o funcionamento de bares e similares após a meia-noite, seus empregos estariam ameaçados com redução de shows, renda e a diminuição do consumo musical.

 

 

Fabrício Cunha toca nas noites em bares da cidade. Vindo de família de músicos, ele está preocupado em relação ao fechamento dos bares e o futuro de sua profissão. “Você vai acabar com a violência e com a noite, mas vai acabar com os músicos. Os músicos são a grande riqueza da cidade”, argumenta.
      
O proprietário de bar Fábio Zak Fanfono explica que se precisar fechar à meia-noite, será necessário  antecipar o horário da música. “Eu terei que ajustar os horários das apresentações musicais.  É um dos atrativos que o meu bar oferece, mas penso que muita gente não poderá ver as bandas tocarem por conta do horário”, explica.
        
Já Mauricio Souza conta que sempre frequenta bares para consumir música.  Se o projeto for aprovado, ele explica que seu lazer, ver shows em bares, ficará afetado. “Trabalho o dia inteiro e estudo à noite. Saio da faculdade dez da noite. Nos fins de semana sempre saio curtir uma musiquinha. Mas se os bares que frequento fecharem à meia-noite não terá como, pois dará só o tempo de chegar e ir embora”, explica.
       
Fabricio Cunha defende que políticas públicas sejam feitas para conscientizar a população. “As pessoas precisam de inclusão social, musicalização desde a escola e uma educação não falha. Só assim às pessoas aprendem a curtir, beber o tanto que tem que beber e ir embora em paz”, sugere.

 

 

Projeto de lei endurece regras para funcionamento de bares e similares

 

Regra prevê funcionamento até meia-noite. Somente com licença especial e adequação, os estabelecimentos poderão atender até mais tarde

 

O Projeto de Lei (PL) 407/2014 que limita o funcionamento de bares e similares, entre 6 horas da manhã e meia-noite, gera polêmica entre a população. O texto prevê, que todos os estabelecimentos de Ponta Grossa que comercializam bebidas alcoólicas para o consumo no próprio local, exceto clubes sociais, deverão fechar à meia-noite.

 

No entanto, os empresários poderão pedir uma licença através da qual é possível estender esse horário. Caso a iniciativa de lei seja aprovada, aqueles que queiram ficar abertos após a meia-noite terão que adequar o estabelecimento às regras previstas no projeto.

 


Entre as medidas previstas pelo PL, estão apresentação de alvará, projeto de isolamento acústico, condições de higiene e iluminação adequadas e segurança privada. Essas são as exigências para a obtenção da licença especial de funcionamento definidas no texto.

 


Um dos autores do projeto, o vereador Walter de Souza, conhecido como Valtão, argumenta que a intenção de regulamentar esses locais é para dar mais segurança. "O empresário teria que dar mais segurança dentro de seu estabelecimento para os frequentadores", explica.

 


Christian Guilherme Kricak frequenta bares durante a noite. Ele vê o projeto como uma boa iniciativa para o combate à violência. "Para esses bares e botecos de vila que não têm segurança privada e o poder público não consegue conceder segurança como deveria, o projeto é importante para coibir brigas que frequentemente são vistas".

 


Fábio Darci de Souza trabalha há 15 anos como segurança de casa noturna e conta que as brigas acontecem diariamente. "Os seguranças servem apenas para apartar as brigas. Muitas vezes as brigas começam lá dentro. Eles são retirados, mas é do lado de fora que acontecem as fatalidades como espancamentos, ferimentos com arma branca e mortes", relata.

 

Sindicato diz que classe trabalhadora será a maior prejudicada caso o projeto seja aprovado

O impacto econômico e a insegurança em relação aos empregos preocupam o sindicato que representa bares e similares em Ponta Grossa. Segundo o Sindethur, o Projeto de Lei 407/2014, que limita o funcionamento dos bares das 6 horas à meia noite, cerceia o direito dos cidadãos ao lazer.

Para o sindicato, os mais prejudicados seriam aqueles que trabalham como empregados de bares e similares.A direção da entidade alega que o projeto vai diminuir o rendimento das empresas e, consequentemente, afetará, indiretamente, a classe trabalhadora.

“Caso resolva o problema da segurança, vai gerar outros piores como desemprego e também fechamento de estabelecimentos”, argumenta o presidente do Sindethur, José Guimarães.

Para Fábio Zak Fanfona, proprietário de um bar, caso o projeto seja aprovado e ele precise fechar à meia-noite seu estabelecimento, haveria uma queda nos lucros, principalmente, nos fins de semana.
“O povo que frequenta e se estende até mais tarde gasta um pouco mais. Certamente cairia uma porcentagem dos meus lucros”, avalia.

Para o presidente do Sindethur, o projeto generaliza ao propor que todos fechem à meia-noite. Ele concorda que existe a violência, mas que são casos pontuais. “Precisa-se agir para que essas zonas que tenham maior conflito tenham mais segurança, e não fechar tudo, sacrificando empresários e empregados”, afirma.

O público jovem demonstra descontentamento com o projeto. O estudante universitário Felipe Ortega argumenta que o fechamento impediria seu lazer. “Normalmente a galera da universidade vai para algum bar em fins de semana. Isso prejudicaria tanto o lazer dos universitários, quanto o lucro dos bares”, destaca.

Paulo Martins, dono de um bar há 19 anos, acredita que, caso o projeto de lei seja aprovado, isso provocaria uma queda de 70% suas vendas no fim de semana. “Nas noites de fins de semana quem mais frequenta é o público jovem. Eu já tenho uma clientela formada, e caso eu precise fechar à meia-noite, isso me complica bastante”.

Valtão explica que o projeto aguarda apenas uma conversa entre os parlamentares para coloca-lo em votação. "Se os vereadores acharem que deve entrar na ordem do dia, o projeto pode ser votado nas próximas semanas. Se houver emendas terá de passar por comissões, demorando mais 15 ou 30 dias".


O projeto é de autoria dos vereadores Altair Nunes Machado (PTN), o Taíco, Izaías Salustiano (PSDC), Pastor Ezequiel Bueno (PRB), Romualdo Camargo (PSDC) e Walter de Souza (PROS), o Valtão.