Em assembleia realizada pela Seção Sindical dos Docentes da Universidade Estadual de Ponta Grossa (SindUEPG) nesta quinta-feira, dia 12, no grande auditório do Campus Central da UEPG, os professores decidiram, em maioria absoluta, pela suspensão da greve e manutenção do estado de greve.

 

A assembleia iniciou com informes sobre as pautas apresentadas ao governo do Estado e discutidas em reunião realizada no dia 10 de março com o deputado estadual Luiz Claudio Romanelli, líder do governo na Assembleia Legislativa (Alep), e o secretário da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, João Carlos Gome.

Durante este encontro, um termo de compromisso foi firmado perante o Comando Estadual de Greve dos Docentes das sete universidades estaduais do Paraná. Marcelo Bronosky, presidente do SindUEPG, falou sobre a agenda positiva estabelecida com o governo.

“Descartada a extinção do fundo do Paraná Previdência e com a revogação do projeto de autonomia universitária, passamos a discutir um processo mais eficiente. Em 60 dias o governo se compromete, com os sindicatos docentes, a discutir a retirada da UENP e da UNESPAR do meta quatro”. Outros temas, como concurso público e alteração do percentual do Adicional de Titulação, também fizeram parte do acordo.

Durante a assembleia, professores e estudantes tiveram espaço para avaliar o período de greve. Robson Laverdi, professor de História, avaliou os resultados positivos conquistados ao longo de um mês de movimento.

“Na minha perspectiva, devemos suspender a greve e continuar de fato mobilizados”, observa. Sergio Gadini, professor de Jornalismo, falou sobre o impacto da greve dentro da universidade e do envolvimento de docentes, funcionários e estudantes. “Uma greve tem um impacto mental na concepção de como vemos o mundo”.

O presidente do SINDUEPG analisa como a categoria pretende continuar a agenda de mobilização diante do fim da greve e dos compromissos firmados pelo governo. “Continuamos mobilizados, intensificando as informações a respeito das nossas pautas de reivindicação. Se não houver o atendimento de alguma das pautas, a gente convoca os companheiros e companheiras para deliberar novamente sobre o retorno à greve ou não”, explica.

Sobre o resultado da assembleia, Marcelo Bronosky diz que a consulta à categoria foi tranquila. “Chegamos a um relativo consenso sobre a suspensão do movimento de greve e entrada em um estado de mobilização, constituímos um espaço de união, mas muitas demandas precisam ser atendidas, e a vigilância deve ser permanente”.

Para Cintia Xavier, professora de Jornalismo, o resultado da assembleia foi positivo. “A partir desta decisão, as atividades dos professores voltam ao normal. O que não pode voltar ainda são as aulas, pois o calendário está suspenso”.

A professora informa que, na reunião do Conselho Universitário que ocorre na tarde desta quinta-feira, deve ser definido novo calendário para o ano letivo de 2015.

A assembleia que pôs fim à greve aprovou ainda os seguintes encaminhamentos:

  • solicitação à reitoria de abertura dos dados financeiros da instituição;
  • exigência de transparência do SAS e melhoria na qualidade do sistema de atendimento;
  • ocupação dos espaços para divulgação dos temas que envolvem a universidade;
  • continuidade de atividades de integração da comunidade universitária já desenvolvidas durante o período de greve;
  • promoção de uma recepção aos estudantes com esclarecimentos sobre a greve;
  • apoio e empenho dos professores acerca da consolidação do sistema de assistência estudantil, inclusive a moradia estudantil da UEPG;
  • retomada imediata do turno integral do CAIC;
  • construção e participação no debate sobre a autonomia universitária;
  • produção de panfleto para os estudantes e comunidade sobre a situação da universidade e reivindicações do movimento;
  • encaminhamento aos colegiados de solicitação de disciplinas integradoras; e
  • criação de um espaço para discussões sobre o cotidiano da comunidade universitária.

Arquivo comunitário
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