Reunidos em assembleia extraordinária na noite desta terça-feira, dia 05, docentes da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) decidiram continuar em greve até que o Ministério da Previdência dê o seu parecer sobre as mudanças no Paranaprevidência aprovadas pela Assembleia Legislativa no dia 29 de abril. Entre as propostas aprovadas, está o pedido de nova suspensão do calendário de atividades da instituição.

Com mais de 180 professores presentes, a Assembleia Geral Extraordinária, convocada pela Seção Sindical dos Docentes da Universidade Estadual de Ponta Grossa (SindUEPG), discutiu longamente as propostas de continuidade ou não da greve. Antes de iniciar os debates, a direção do sindicato informou os presentes sobre a greve nos vários setores da educação pública paranaense.

Além do relato da situação nas outras universidades estaduais, os presentes foram informados da decisão dos professores da rede rede estadual, que aprovaram a continuidade da greve em asssembleia realizada na tarde desta terça-feira, em Curitiba. Também foi feita a leitura da Nota do Conselho de Administração da UEPG.

No documento, os conselheiros referendam a posição da reitoria de repudiar o "uso da força desproporcional e totalmente descabida contra os servidores públicos paranaenses" e solicitam "a exoneração do secretário estadual de Segurança Pública, Fernando Francischini". O Conselho afirma também que não irá "adotar nenhuma medida administrativa e restritiva que possa prejudicar os servidores desta Universidade, quer tenham participado ou não das paralisações e greves da categoria".

Sobre a ilegalidade da greve, o professor Volney Campos informou que o SindUEPG recebeu nesta segunda-feira, dia 04, a notificação da liminar concedida pelo Tribunal de Justiça do Paraná, que define como abusivo o movimento e estabelece multa de 10 mil reais por dia. A assessoria jurídica do sindicato está recorrendo da decisão do TJ-PR.

Discussão da greve
Em três rodadas de inscrições para avaliação das razões e implicações do movimento grevista, a maioria dos pronunciamentos foi no sentido da manutenção da greve. O professor Robson Laverdi, do Departamento de História, contou que, em sua participação no ato da manhã desta terça em Curitiba, percebeu que os vários sindicatos de servidores têm divergências nas estratégias, mas há um consenso: a continuidade da greve.

"Nós não podemos voltar atrás, pois o que está em causa não é mais um problema na relação trabalhista, o que está em causa é a salvaguarda da educação pública", afirmou Robson.

Silvana Oliveira, do Departamento de Letras, lembrou que o trabalho planejado pelos professores no início do ano foi "colocado de cabeça para baixo", pela necessidade de fazer uma greve contra o desrespeito do governo estadual para com a educação.

"Fomos ultrajados, me sinto mais honrada em fazer uma greve mesmo que sem a adesão total dos colegas, do que em encerrar a greve neste momento", ressaltou a professora.

No debate, a proposta de encerramento da greve e manutenção do estado de greve, foi apresentada com o argumento de que a greve não levará a uma situação melhor do que o embate jurídico que já está acontecendo. Na defesa da proposta, o professor Gilberto Ortolan, do Departamento de Medicina, pediu aos presentes para não decidirem em clima emocional. "Que se pense racionalmente para tomar uma decisão", concluiu.

Algumas propostas aprovadas:

  • Continuidade da greve até que o Ministério da Previdência se pronuncie sobre o PL 252/2015;
  • Pedido de suspenção do calendário acadêmico;
  • Manutenção das propostas aprovadas na última assembleia, entre as quais a de cobrar uma auditoria no ParanáPrevidência;
  • Declaração do governador Beto Richa, secretário de Segurança Pública Fernando Francischini e deputados estaduais Plauto Miró Guimarães, Luiz Claudio Romanelli, Ademar Traiano como personas non gratas na UEPG;
  • Pedido de exoneração dos secretários João Carlos Gomes e Fernando Francischini;
  • Solicitação formal de pedido de renúncia do governador Beto Richa;
  • Realização de ato público de enterro simbólico dos deputados, secretários e governador, às 9h desta quarta-feira, dia 06, em frente a reitoria da UEPG;
  • Deslocamento de 5% do total arrecadado pelo SindUEPG, com as contribuições dos filiados, para a constituição de um fundo de greve.

Arquivo comunitário
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