Professores levam flores brancas para deputados que aprovaram o PL 252/2015

Cerca de 80 professores, alunos e servidores técnico-administrativos da UEPG participaram do ato “Menos Bala, Mais Giz. Somos todos professores” realizado nesta terça-feira, dia 5, em Curitiba. A caravana de Ponta Grossa se juntou às de outras universidades estaduais e federais do Paraná. Também estiveram presentes representantes de diversas centrais sindicais e movimentos sociais.

 

Por volta das 8 horas, a multidão começou a se concentrar na Praça 19 de Dezembro. Ao final da manhã, os manifestantes marcharam pela Avenida Cândido de Abreu até o Centro Cívico.  Muitos estavam vestidos de preto, em sinal de luto. Um grupo transportou um caixão representando a morte da educação cuja responsabilidade foi atribuída ao governador Carlos Alberto Richa (PSDB).

Durante o percurso, intercalando músicas e frases de protesto, ouviu-se, por diversas vezes, a multidão gritar “fora Beto Richa” e “você quebrou o Paraná”, neste caso, numa menção à situação financeira do atual governo do Estado do Paraná.

O coro dos manifestantes também pediu a exoneração do Secretário de Segurança do Estado do Paraná, Fernando Francischini. Panfletos e cartazes foram distribuídos com os nomes e fotos dos deputados que votaram a favor e contra o PL 252/2015 que alterou regime do ParanáPrevidência.

Os organizadores avaliam que 20 mil pessoas aderiram ao protesto em repúdio à violência empregada pela polícia. No último dia 29, enquanto era realizada a sessão de votação, em segundo turno, do projeto de lei, policiais atacaram manifestantes que se encontravam no Centro Cívico.

Na ocasião, cerca de 1500 policiais participaram da operação que blindou a Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (Alep).  No meio da tarde do mesmo dia, a barreira policial avançou sobre os manifestantes soltando bombas e disparando balas de borracha.

Como temido por muitos, o cerco policial, instalado desde o final de semana anterior para impedir o acesso do público às galerias da Alep, resultou em tragédia. Cerca de 200 pessoas ficaram feridas.

 

Flores ao invés de violência

O ato “Menos Bala, Mais Giz” foi encerrado no Centro Cívico, em frente às sedes do Poder Executivo e do Poder Legislativo. O objetivo era a reocupação do local onde, uma semana antes, os manifestantes foram expulsos pela ação policial.

Provocando emoção entre os manifestantes, flores brancas foram depositadas sobre uma faixa amarela colocada sobre as grades da Alep. Também foram deixados os cartazes com as fotos dos deputados.


Os cartazes apresentavam, como inimigos da educação, os deputados que votaram a favor do PL 252/2015. Já os deputados, que votaram contra o projeto, receberam o título de amigos da educação.

Nos postes e grades dos prédios públicos do Centro Cívico, havia faixas com os dizeres “Fora Richa”. Adesivos, que adornavam paredes, roupas, mochilas e vidros de carros, traziam alguns dos dizeres que, nos últimos dias, circularam pela internet através das redes sociais: “Richa Ditador. Suas mãos estão sujas com o sangue do trabalhador”.

Ao final do ato, a professora Gisela Masson, vice-presidente do SindUEPG, foi convidada a dar um depoimento ao público. A professora alertou para a importância dos manifestantes estarem atentos não somente à ação dos deputados estaduais, mas também dos secretários de estado que contribuíram, de forma direta ou indiretamente, ou mesmo pela omissão, para a aprovação do PL 252/2015.

O projeto de lei, aprovado no último dia 29 em regime de urgência pelo poder legislativo, autoriza o governo estadual a fazer a retirada, mensal, de aproximadamente R$ 142 milhões do Fundo Previdenciário. O recurso será utilizado para o custeio de aposentadorias e de pensões, cujos pagamento, até agora, era responsabilidade do Estado.

Arquivo comunitário
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