Ato sela o compromisso de não deixar cair no esquecimento o massacre do dia 29 de abril

Professores, alunos e funcionários da UEPG realizaram na manhã desta quarta-feira, dia 06, o enterro simbólico do governador Carlos Alberto Richa (PSDB), dos deputados estaduais que votaram a favor do PL 252/2015 e de secretários de Estado do Paraná.

 

Diariamente, na entrada dos dois campi da Universidade, no início de cada turno, tem sido feita a ronda de conscientização sobre a greve. O objetivo é mostrar para os professores e alunos, que permanecem em atividade, a importância da adesão ao movimento.

O ato foi realizado um dia após a assembléia - convocada pelo SindUEPG - ter decidido pela manutenção da greve. O enterro simbólico marca a indignação dos professores com a atuação daqueles que vêm sendo chamados de “inimigos da educação”.

O título foi atribuído por entidades que participam ou apoiam o movimento grevista dos trabalhadores da educação do Estado do Paraná. Para elas, há uma clara ameaça ao setor pela ação de todos que contribuíram para a mudança do regime ParanáPrevidência.

A recente alteração do sistema previdenciário do Paraná resultou de proposta do governo Beto Richa. O governador encontrou, no Fundo Previdenciário, uma forma de obter recursos para sanear contas do Estado, sabidamente em dificuldades financeiras.

 

Luto pela educação

Carregando faixas, o grupo iniciou o ato parando os motoristas para esclarecê-los sobre o movimento. Foram distribuídos adesivos. Faixas foram colocadas no portal, bem na entrada e nas laterais da via de acesso do Campus Uvaranas.

Em cruzes de madeira, os manifestantes pintaram os nomes dos 31 deputados estaduais que votaram pela aprovação do PL 252/2015 e do presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (Alep), Ademar Traiano (PSDB). A data 29 de abril também foi escrita sobre as cruzes. De acordo com os coordenadores do ato, o dia ficará para sempre marcado pelo massacre aos professores.

No grupo de inimigos da educação, também foram incluídos os secretários de estado Fernando Francischini, que responde pela pasta de Segurança e Administração Penitenciária, e João Carlos Gomes, responsável pela área de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. O professor João Carlos é ex-reitor da UEPG.

Pingos de tinta vermelha deixados sobre as cruzes lembraram os mais de 200 feridos na ação violenta promovida pela polícia. No último dia 29, um contingente de 1.500 policiais usou bombas de gás lacrimogêneo e disparo de balas de borracha para dispersar o grupo de manifestantes que ocupou o Centro Cívico, em Curitiba.

O ataque policial foi realizado enquanto estava sendo votado, em regime de urgência, na Alep, o PL 252/2015. Colaborou ainda para o impedimento de acesso às galerias a medida judicial solicitada pelo governo e acatada pelo presidente da Alep, Ademar Traiano, em claro desrespeito ao regimento interno que autoriza o acesso popular às galerias. A interdição à participação popular foi justificada pela alegação de que, dessa forma, estaria sendo evitada a ação de vândalos.

 

29 de abril: nunca mais

A vice-presidente do SindUEPG, a professora Gisele Masson, que esteve à frente do carro de som que acompanhou o cortejo fúnebre, ressaltou a importância de a data 29 de abril ser lembrada todos os anos. Recordar os fatos ocorridos na Alep, ressaltou a docente da área de educação, é uma forma de impedir que o desrespeito e a violência cometidos contra os docentes, alunos e servidores técnico-administrativos se repitam no Estado do Paraná.

Além das cruzes, havia ainda um caixão sobre o qual estava escrito Beto Richa. Uma das cruzes trouxe o dizer “Nunca mais”, associado ao movimento de investigação dos crimes cometidos por regimes autoritários e violentos. É o caso das ditaduras militares que mataram muitas pessoas na América do Sul, durante a segunda metade do século XX.

Da entrada do Campus Uvaranas da UEPG, o cortejo seguiu até o saguão da Reitoria, onde os professores manifestaram repúdio aos “inimigos da educação”. Em seguida, eles se deslocaram até o gramado em frente ao prédio da administração central da Universidade. Uma a uma, as cruzes foram sendo cravadas no gramado, junto ao caixão do governador Beto Richa.

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NUNCA ESQUEÇA QUEM SÃO OS INIMIGOS E OS AMIGOS DA EDUCAÇÃO

DEPUTADOS FAVORÁVEIS AO PL DO GOVERNO
Alexandre Curi (PMDB)
Alexandre Guimarães (PSC)
André Bueno (PDT)
Artagão Jr. (PMDB)
Bernardo Ribas Carli (PSDB)
Claudia Pereira (PSC)
Cobra Repórter (PSC)
Cristina Silvestri (PPS)
Dr. Batista (PMN)
Elio Rusch (DEM)
Evandro Jr. (PSDB)
Felipe Francischini (SD)
Fernando Scanavaca (PDT)
Francisco Bührer (PSDB)
Guto Silva (PSC)
Hussein Bakri (PSC)
Jonas Guimarães (PMDB)
Luiz Carlos Martins (PSD)
Luiz Claudio Romanelli (PMDB)
Marcio Nunes (PSC)
Maria Victoria (PP)
Mauro Moraes (PSDB)
Missionário Ricardo Arruda (PSC)
Nelson Justus (DEM)
Paulo Litro (PSDB)
Pedro Lupion (DEM)
Plauto Miró (DEM)

DEPUTADOS CONTRÁRIOS AO PL DO GOVERNO
Adelino Ribeiro (PSL)
Ademir Bier (PMDB)
Anibelli Neto (PMDB)
Chico Brasileiro (PSD)
Evandro Araújo (PSC)
Gilberto Ribeiro (PSB)
Gilson de Souza (PSC)
Marcio Pacheco (PPL)
Marcio Pauliki (PDT)
Nelson Luersen (PDT)
Nereu Moura (PMDB)
Ney Leprevost (PSD)
Palozi (PSC)
Pastor Edson Praczyk (PRB)
Péricles de Mello (PT)
Professor Lemos (PT)
Rasca Rodrigues (PV)
Requião Filho (PMDB)
Tadeu Veneri (PT)
Tercílio Turini (PPS)

NÃO VOTARAM
Cantora Mara Lima (PSDB)
Paranhos (PSC)
Ademar Traiano (PSDB) – como presidente, só vota em caso de empate