Lançamento do livro "Massacre 29 de Abril" integra agenda de atividades da próxima semana  

A assembleia extraordinária dos professores da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) decidiu, por ampla maioria, nesta quinta-feira, dia 25, pela suspensão da greve. Na parte da tarde, o Conselho Universitário decidiu as regras para implementação do novo calendário escolar. As aulas serão retomadas a partir desta segunda-feira, dia 29.

 

Como há itens da pauta de reivindicações não atendidos pelo governo, os professores optaram pelo retorno às atividades acadêmicas, permanecendo, no entanto, em estado de greve. Embora a interrupção da paralisação não fosse um consenso entre os presentes, a avaliação do movimento encaminhou que, neste momento, a melhor estratégia seria o retorno às atividades.

A decisão de permanecer em estado de greve foi motivada pela necessidade de acompanhamento dos pontos já acordados com o governo que permanecem em aberto, como a contratação de professores já aprovados em concurso. Outro ponto destacado foi a demora na liberação da verba de custeio.

O comando de greve foi mantido para eventuais desdobramentos das negociações. Foi definido ainda que os professores organizarão uma agenda de atividades em prol da luta pela universidade de qualidade.

O movimento grevista teve duração de 98 dias, considerando os 35 dias da primeira paralisação. Ao avaliar a atuação do movimento ao longo desse período, o presidente do SindUEPG, Marcelo Bronosky, destacou a importância da atuação dos docentes, embora o índice de reajuste de 8,17%, reivindicado por eles, não tenha sido acatado pelo governo.

De acordo com Bronosky, a constante presença dos professores, alunos e servidores na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), bem como as diversas manifestações, serviram como forma de pressão para que um maior número de deputados votasse contra a lei que acabou por aprovar apenas 3,45% de reposição salarial.

Para o sindicalista, o resultado positivo da mobilização dos professores foi endossado pela declaração, feita pelo líder do governo na Alep, o deputado Luiz Cláudio Romanelli, de que, após conversa com professores da UEPG, o governo reconhecia a existência de irregularidades na redação do substitutivo do projeto de lei votado na última segunda-feira, dia 22.  

Bronosky destacou ainda a motivação política para a rejeição da emenda, como uma tentativa por parte dos deputados de oposição para assegurar a reposição salarial de 8,17%. Por oito votos contra e quatro a favor, a emenda foi derrubada, na Comissão de Constituição e Justiça da Alep, pela alegação de que o legislativo não pode propor alteração, em projetos de lei, que comprometa o orçamento do executivo. Bronosky ressaltou, no entanto, que os deputados já teriam, em outras situações, votado a favor de projetos deste tipo motivados por entendimento contrário.

Ainda que a ação dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário resulte em prejuízo aos direitos trabalhistas dos professores, como o respeito à data-base e à garantia da reposição das perdas salariais, a vice-presidente do SindUEPG, Gisele Masson, avalia que o movimento grevista foi vitorioso. Para a professora, nunca na história a universidade a união de todas as universidades estaduais do Paraná impactou tanto a ponto de serem reconhecidas, com voz ativa, na negociação com governo e Alep.

Gisele criticou também a posição do governo de não respeitar o princípio da isonomia, concedendo 30% de aumento aos funcionários da Alep e 8,17% a outras categorias de servidores. Outro aspecto por ela destacado é que a prestação de contas do governo deixou claro que a arrecadação do Estado cresceu e, dessa forma, não conceder o reajuste de 8,17% aos professores foi “uma decisão política”.

Antes de abrir para o debate, Gisele leu o texto do Comando Estadual de Greve das universidades filiadas ao Andes (Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior), com a avaliação de que os professores não saem derrotados: "saímos moralmente ilesos e mais conscientes dos enfrentamentos que travaremos".

O documento, assinado pelos sindicatos da UEPG, UEM, UNESPAR, UNICENTRO e UNIOESTE, lembra que nunca houve uma greve que abrangesse as sete universidades estaduais e que nunca se contou com tantos professores reunidos nas assembleias, "envolvidos nas atividades de mobilização, dispostos a participar das passeatas nas universidades e em Curitiba". Leia o documento na íntegra: O que perdemos e o que ganhamos

Durante a assembleia, foram lembrados momentos marcantes da luta, como a votação que alterou o regime ParanáPrevidência e o episódio que ficou conhecido como "massacre de 29 de abril". Na avaliação dos professores, o movimento se fortaleceu pela união não somente visando à manutenção de direitos trabalhistas da categoria, mas também pela missão assumida pelos professores, em greve, de defesa de uma universidade pública e de qualidade, face ao ataque a que vêm sendo expostas as Instituições de Ensino Superior (IES) do Paraná.

Além da suspensão da greve, os professores também aprovaram outras ações, entre as quais:

  • Informar que os inimigos da educação não são bem-vindos na universidade e solicitar que a administração comunique com antecedência a vinda de deputados à instituição para os professores organizarem uma recepção a eles;
  • Debater o modelo de segurança pública dentro da universidade;
  • Participar da reunião do Conselho Universitário, na tarde desta quinta-feira;
  • Organizar ato o dia 29, segunda-feira, quando completa dois meses do massacre dos professores no Centro Cívico.

Massacre 29 de Abril
Na próxima segunda-feira, dia 29, quando completa dois meses do episódio que ficou conhecido como o massacre de 29 de abril, haverá o lançamento de um livro organizado por professores e alunos ligados ao Projeto Lente Quente, do Departamento de Jornalismo da UEPG.

Com o título "Massacre 29 de abril: gás, bala, bomba e pimenta contra os professores do Paraná", a obra reúne fotos feitas no dia da votação, em segundo turno, do projeto de lei 252 que alterou o regime do ParanáPrevidência. A iniciativa busca deixar marcado, na história do Paraná, o dia em que cerca de 1.500 policiais, que faziam o cerco para impedir a entrada dos servidores na ALEP, atacaram manifestantes que se encontravam na Praça Nossa Senhora da Salete, deixando mais de 200 feridos.

O livro Massacre 29 de Abril é um lançamento da Editora Estúdio Texto. O evento será realizado na Estação da Arte, na Rua Benjamin Constant, 404, Centro, em Ponta Grossa.

Calendário Escolar
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Arquivo comunitário
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