Professores Décio Franco (esq.), Murilo Duarte (centro) e Volney Campos falaram sobre a greve como direito de defesa individual e os efeitos dos protestos de 29 de abril

 

Na última quarta-feira, dia 12, o auditório da Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) recebeu palestra a respeito da recente greve dos professores do Paraná. Intitulado ‘29 de abril: os novos caminhos da luta’, o evento, promovido pelo Centro Acadêmico Carvalho Santos (CACS), contou com a presença dos professores de Direito da UEPG, Volney Campos dos Santos, Murilo Duarte Costa Correia e Décio Franco David.

 

Em seu discurso ‘A greve dos professores do Paraná: política, subjetividade e resistência’, Murilo Duarte recapitulou o movimento dos docentes, mencionando momentos fundamentais como a queda do secretário de educação do estado e do comandante da Polícia Militar, após o massacre do dia 29 de abril.

Perguntado por um acadêmico a respeito da postura adotada durante a greve pelo comandante geral da Polícia Militar do Paraná, César Vinícius Kogut, o professor rapidamente ressaltou que a greve foi a responsável pela exoneração do oficial de seu cargo. "Foi um dos efeitos diretos dos protestos", afirmou.

Com o discurso intitulado ‘A legitimidade da greve na defesa do ensino superior público’, Volney Campos explicou que o protesto dos servidores era uma resposta válida a um ato inválido do governo de Beto Richa.

"A greve foi um estado de reação coletiva à bancada legislativa, em sua maioria fiel ao governo, que está apta a votar projetos a favor da situação, como o de alteração do fundo previdenciário. E este foi um projeto flagrantemente inconstitucional", avaliou.

Fechando o evento com a apresentação ‘Os descaminhos da segurança pública no Paraná: o que esperar depois do massacre de 29 de abril?’, Décio Franco foi direto ao avaliar as ações do estado: "se queremos avançar e buscar uma política de segurança pública digna de um estado de direito, é preciso também que as autoridades de segurança pública aprendam a percorrer novos caminhos", afirma. Ele encerrou o discurso clamando por apoio público: "saiam daqui um pouco indignados".

O evento ainda contou com a venda do livro ‘Massacre 29 de abril’, do projeto de extensão Lente Quente, que reúne mais de 60 fotos tiradas por acadêmicos do curso de Jornalismo no dia e local das manifestações. Cerca de 30 pessoas assistiram à palestra, que durou aproximadamente uma hora e meia.

 

Arquivo Comunitário

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