Durante a assembleia do SindUEPG, o deputado estadual Péricles de Mello afirmou que Beto Richa é o “dono” da Comissão Orçamentária da Alep

A greve foi aprovada com quase a unanimidade de votos (Foto: Matheus Pileggi)

Professores da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) aprovaram nessa quinta-feira, dia 6, greve com 88 votos a favor, um contra e uma abstenção. A paralisação das atividades tem início na próxima quinta-feira, dia 13, logo após o feriado de Nossa Senhora de Aparecida.

 

A decisão foi tomada em assembleia realizada no bloco da Engenharia no Campus Uvaranas da UEPG. A greve foi motivada pela mensagem enviada à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) pelo governador Carlos Alberto Richa (PSDB), tendo como objetivo suspender o reajuste do pagamento dos servidores públicos estaduais.

Os impasses do Governo do Estado e os professores da rede pública de ensino retornam mais uma vez com a ameaça de suspensão da data-base prevista para janeiro. No entanto, vale lembrar que, para acabar com a greve realizada no ano passado, Richa propôs uma fórmula de recuperação, a médio prazo, do salário dos servidores públicos.

Na ocasião, o acordo, fechado com algumas entidades classistas, foi ratificado pela Alep com a aprovação da Lei 18.493 de 2015. No entanto, o governador propôs na última segunda-feira, dia 3, uma emenda para alteração do Projeto de Lei 153 de 2016, que estabelece as diretrizes orçamentárias de 2017. Caso a solicitação seja acatada pela Alep, haverá, dessa forma, a suspensão do acordo para a recuperação das perdas inflacionárias do salário dos servidores públicos.

A nova proposta, de acordo com a mensagem assinada por Beto Richa, se alinharia a “inovações legislativas” oriundas do governo federal. Entre outras medidas, elas preveem o ajuste fiscal a partir do congelamento de gastos e de investimentos governamentais.

Para o vice-presidente do SindUEPG, Gilson Burigo, chama muito a atenção quando o governo limita o orçamento social, como é o caso dos servidores públicos e, mesmo assim, aumenta, por exemplo, o de infraestrutura. “O governo afirma não ter dinheiro para o reajuste. O mesmo sacou R$ 1,9 bilhão da nossa previdência nos últimos meses”, relata.

Falta para a educação, mas sobra para MP, Judiciário e Alep

Professores manifetaram preocupação de que a paralisação das atividades disperse o público acadêmico (Foto: Matheus Pileggi)

Para o deputado estadual Péricles de Mello (PT), que também participou da reunião, a emenda proposta pelo governador é ilegal e, até que ela seja julgada pelo Supremo Tribunal Federal, já terão se passado, no mínimo, 5 anos. O deputado afirmou ainda que a falta de resistência se justifica pelo fato de que a solicitação do governo será avaliada pela Comissão Orçamentária da Alep, da qual o governador seria o “dono”.

O deputado causou indignação, nos professores presentes, quando revelou que, mesmo o governo Beto Richa alegando dificuldades financeiras, haverá um aumento no orçamento destinado ao Ministério Público, ao Judiciário e aos funcionários da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (ALEP). “Esse é o novo padrão do capitalismo e já sabemos quem é o bode expiatório, o servidor público”, lamenta.

Alguns professores mostraram preocupação quanto à greve. Um motivo seria a dispersão de professores e alunos. O outro seria a reposição das aulas. A presidenta do SindUEPG, Rosangela Petuba, acredita que faz parte a resistência e, por isso, ela reforçou o dever de convencimento político não só dos professores, mas também de todas as pessoas.

“Quando um servidor público entra em greve, ele entra para melhorar a sociedade”, destacou, alegando ainda que o movimento do funcionalismo público não se restringe à luta de melhoria salarial.

Arquivo Portal Comunitário

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