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Mesmo com a Lei das Cotas o número de candidatos brancos é extremamente maior

Questões étnico-raciais são debatidas entre os ensinos públicos superior e básico

A trajetória do Dia Nacional da Consciência Negra ainda tem muito a crescer

 

O vestibular de verão da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) aconteceu nos dias 13 e 14 deste mês e dos 9,2 mil vestibulandos, 243 eram candidatos às cotas destinadas a alunos negros. A desproporção mostra como ainda há uma diferença enorme entre estudantes brancos e negros tentando entrar numa universidade pública.

Na divisão por cotas da UEPG, foram registrados 3,9 candidatos por vaga na cota para negros sendo 243 inscritos para 62 vagas, enquanto nas concorrência de escolas públicas foram 3.643 para 301 vagas, e 5.371 candidatos por cota universal para 375 vagas.

Ao todo sete cursos não registraram inscrições na cota para negros. Para que o candidato se inscreva por cota para negros e estudantes de escola pública, ele precisa comprovar que estudou todas as śeries do ensino fundamental e médio na rede pública de ensino. Enquanto

O advogado, recém formado pela UEPG, José Mauricio Barros Junior, conta como foi a experiência do estágio obrigatório enquanto cursava Direito. José foi aprovado no segundo vestibular que prestou. Embora tenha sido beneficiado pelo sistema de cota, a busca por um espaço profissional não se deu sem empecilhos por causa de sua cor.

"Eu distribuí alguns currículos nas empresas e pude perceber que eles jogavam em cima da mesa e só. Nunca recebi retorno, enquanto muitos amigos meus, que eram menos qualificados e alguns que nem precisavam estagiar, conseguiam grandes oportunidades".

Já a estudante de direito do 3º ano na UEPG, Janaína Pires Nascimento, diz que nunca sofreu preconceito racial na escola ou no trabalho, e que essa desigualdade nas escolas e faculdades tem a ver com a falta de incentivo ao estudo.

“Precisava haver uma verificação de quais crianças se sentem marginalizadas, integrá-las a uma nova concepção social, incentivá-las. Sempre estudei em escola pública e sempre tinham poucos negros na sala, penso que isso ocorre porque as crianças estão ausentes da escola e por isso são poucos os que chegam à graduação”, avalia.

A aprovação da Lei das Cotas nas universidades completou três anos em 2015. Segundo a Secretaria de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial (Seppir), a lei garantiu o acesso de 150 mil estudantes negros ao ensino superior desde sua instituição.

A lei reserva que no mínimo 50% das vagas das instituições federais de ensino superior e técnico seja para estudantes de escolas públicas. Essas vagas são preenchidas por candidatos autodeclarados pretos, pardos e indígenas.

Esse ano a UEPG discutiu ajustes na política de cotas para negros, como a extinção da banca da constatação, onde é avaliado se o candidato realmente possui traços fenótipos para concorrer com cotas para negros. Além de ter sido lançada uma cartilha explicativa para à comunidade e escolas públicas, que explica as principais dúvidas sobre o sistema de cotas e as diferenças entre negros e afrodescendentes.

Arquivo Comunitário:

26/11/2015 - Palestra discute mestiçagem paranaense e identidade no Mês da Consciência Negra

24/08/2015 - Sorriso Negro promove palestras em instituições de ensino e no comércio varejista

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