Promessa de construção de poço artesiano para abastecer o Povoado Tabuleiro já dura quatro anos, segundo moradores. Vereador afirma que o processo de licitação já foi concluído.   

Os moradores da comunidade Rural "Povoado Tabuleiro", no Distrito de Guaragui, vêm sofrendo com a falta de água encanada na região. A comunidade nas proximidades do Sítio Mato Queimado se abastece com água da chuva e de uma pequena gruta que fica a 200 metros abaixo do povoado localizado no alto de uma encosta. O abastecimento de água na região é feito por meio de poços artesianos instalados pela Hidropel e só chega até as fazendas que se encontram a 150 metros do vilarejo.

De acordo com a população, há quatro anos o vereador Walter José de Souza, conhecido como Valtão, e uma representante da Prefeitura de Ponta Grossa, realizaram uma análise do local. “Eles prometeram que iriam fazer um poço artesiano para abastecer a comunidade, mais já faz muito tempo", afirma a moradora Dircelia Santos.

A falta de água encanada obriga os moradores do povoado a utilizar um pequeno riacho a cerca de 300 metros para lavar a roupa. “Quando chove a gente até aproveita a água pra lavar a roupa, mas se não chove tem que descer lá no rio”, diz Dircelia.

Justificativa do vereador

Segundo o vereador Valtão, a distribuição da água dos poços, que chega às residências a poucos metros do povoado, não abastece estas famílias devido à capacidade reduzida. “Somente estes poços não são suficientes para suprir a necessidade de todos na região. Para abastecer esse povoado será construído um novo poço que já foi licitado”. No entanto, de acordo com o próprio vereador, existem pessoas fazendo o uso indevido da água, abastecendo granjas e piscinas.

Além da dificuldade de realizar tarefas domésticas como lavar roupa, louça e cozinhar, a falta de água traz problemas financeiros. As famílias do Tabuleiro não conseguem ampliar o plantio de grãos e hortaliças, produzidas para o próprio consumo, para fornecer aos programas do governo como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que gera ao pequeno agricultor uma renda de R$ 4.500,00 por família. “Não temos condição de plantar para vender sem água, pois mal dá para o consumo. Duas das minhas filhas foram pra cidade tentar uma vida melhor”, informa Salvador Jeremias, 75 anos, morador do Tabuleiro.

Valtão afirma que dentro de sessenta dias um novo poço artesiano será construído para abastecer os moradores do Povoado Tabuleiro. No entanto, quando questionado sobre se haveria alguma iniciativa para abastecer os moradores durante esse período, relata: “não há nada previsto, estou brigando para esse poço ser feito antes das eleições, porque senão sair vai ficar complicado”.

Os moradores do povoado afirmam não haver nem um estudo sobre a qualidade da água da gruta que abastece as famílias. Esse fato preocupa algumas famílias, já que existe uma criação de porcos a cerca de 100 metros do povoado. “A gente faz de quatro a cinco viagens por dia para buscar essa água, mas ela deve estar contaminada já”, observa a moradora Angelina Jeremias, 61 anos.

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