A agroecologia é uma forma alternativa de agricultura familiar sustentável, justa e viável. A proposta é uma mudança profunda na forma de produção, respeitando a relação produtiva entre homem e natureza. Isto é, uma junção das ciências naturais com as ciências sociais. Um exemplo é o conceito de sucessão natural, isto é, a restauração natural do solo sem o uso de fertilizantes naturais, além disso, o uso de agrotóxicos é proibido nesse sistema de produção.

Porém, os ideais da agroecologia não ficam restritos ao modo de produção, mas vão além. A boa convivência com outras pessoas, o uso da troca e venda justa, o cultivo das tradições e as discussões sobre política fazem parte dos interesses da agricultura ecológica. O intuito é criar a melhor convivência entre os saberes científicos com os populares, além das experiências pessoas dos agricultores, seus familiares, da comunidade indígena e camponesa.

O governo brasileiro paga 35% a mais em produtos agroecológicos, mas para que isso aconteça, o produtor precisa ter um selo comprovando a veracidade do produto agroecológico. O Sindicato possui uma parceria com a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) para a obtenção desse selo, mas segundo Krupfka, o processo é demorado e burocrático.

O professor Pedro Henrique Weirich, coordenador do Laboratório de Mecanização Agrícola (LAMA) da UEPG, explica ques os produtos, para se adequarem a legislação e receber o selo, precisam ser produzidos sem agrotóxicos ou fertilizantes químicos.

“Para que o consumidor saiba que esse produto não contenha nenhum tipo de moléculas sintéticas em seu desenvolvimento, existe o selo. As empresas fazem auditorias regulares e dão ao selo para o produtor que obedecer esse legislação”.

Segundo Weirich, a parceria com os produtores de Itaiacoca conta ainda com a colaboração do Instituto de Tecnologia do Paraná – Certificadora Internacional (Tecpar). Ele explica que o LAMA fornece assistência técnica – dois agrônomos e um zootecnista – para os produtores interessados em produzir alimentos orgânicos. A Tecpar vai até o local e se certifica de que a produção é mesmo de orgânico, para dar o selo.

Porém, Weirich diz que no caso de Itaiacoca, algumas famílias estavam produzindo orgânicos com a agricultura convencional, o que impossibilita o recebimento do selo. Mas segundo ele, produtores e agrônomos estão conversando para encontrar alternativas para solucionar o problema.

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