O cortejo e sepultamento do empresário e ciclista do grupo Attack MTB Otávio Schuebel, de 45 anos, aconteceu às 10h00 desta quinta-feira (21), e reuniu mais de 100 pessoas.

Os ciclistas pedalaram até o Cemitério do Jardim Paraíso. No trajeto, os próprios ciclistas fecharam as ruas laterais enquanto um carro da guarda municipal os antecedia. O acidente com o ciclista ocorreu na Avenida João Manoel dos Santos Ribas, quarta-feira (20), no bairro Nova Rússia.

A cidade possui dois planos para a implantação de ciclovias com recursos aprovados que somados são de 1,1 milhão de reais.

Ciclista há mais de 15 anos, Lilian Jeane Shiffer, diz sentir a necessidade de ciclovias em Ponta Grossa. “Quem treina está transitando pela cidade só para chegar em uma estrada, uma trilha”, conclui a ciclista. Ela critica a relação entre ciclistas e motoristas e diz que existem dificuldades para que os motoristas compreendam o lugar do ciclista no trânsito.

“Os motoristas não respeitam os ciclistas, não pensam que eles poderiam estar no lugar da pessoa, que é perigoso passar muito perto e que qualquer movimento brusco pode causar um acidente”. 

Em setembro de 2012 entrou em vigor a lei 12587 que instituiu diretrizes para uma Politica Nacional de Mobilidade. No mesmo ano houve uma parceria entre a prefeitura e o movimento Próciclovias, que ajudou mapeando as regiões onde seria possível a construção de ciclovias.

O integrante do Projeto Pedal Noturno, Nilson Carvalhais, diz que o centro de Ponta Grossa não suporta ciclovias. Uma solução que o ciclista vê seria que a prefeitura implantasse ciclovias em locais novos, como contorno leste e contorno sul. “Tem que ser um projeto para daqui pra frente a construção de ciclovias”.

Todo ano o Projeto Pedal Noturno realiza uma blitz educativa na Vicente Machado, Nilson diz que ainda assim sente preconceito dos motoristas. “Muitos acham que o local do ciclista é na calçada, a calçada é local do pedestre. É preciso a conscientização do motorista pois o frágil é o ciclista”.

O estudante e ciclista, Murilo Bandeira, ressalta o papel do cortejo na conscientização dos motoristas. “O cortejo acabou parando o trânsito nas principais ruas da cidade, como Vicente Machado, Bauduíno Taques e Carlos Cavalcanti”. Ele ressalta ainda como é difícil transitar junto com carros, principalmente em horários de pico.

“O carro normalmente estaciona a direita e o ciclista é orientado a trafegar pela direita por ser um veículo mais lento. Além disso existe uma preocupação com os ônibus, os pontos de ônibus também são à direita”.

Durante o cortejo o ciclista Alan Pinheiro contou que quando estavam na Comendador Miró, próximo a lateral da Caixa Econômica, um ciclista foi atingido sem gravidade pela porta de um automóvel. “Não é a primeira vez que aconteceu isso, e não será a última”.