A greve dos funcionários do transporte público acabou mediante um acordo no Tribunal Regional de Trabalho (TRT) do Paraná. Durante a negociação, a Câmara Municipal de Ponta Grossa se comprometeu a transferir para a Viação Campos Gerais (VCG) uma verba de 2,4 milhões de reais.

A proposta do vereador Aliel Machado (PCdoB) de subsidiar a empresa que faz o transporte público em Ponta Grossa gerou polêmica entre a Câmara e a população. A ideia seria destinar sobras de orçamento do Legislativo, ou seja, recursos não utilizados pela Câmara Municipal que seriam devolvidos para o Poder Executivo. 

A medida, segundo o vereador Aguinel Batista (PCdoB), visa a não aumentar a tarifa na cidade. “A grande preocupação que temos é quanto ao custo do transporte coletivo em Ponta Grossa. Esse que é o grande ponto de interrogação”, afirma Aguinel. 

De acordo com o vereador, é importante ter claro quanto a empresa ganha e qual a sua despesa, para saber se o subsídio se faz necessário. 

Para Joel de Oliveira, integrante do movimento popular, o repasse é totalmente equivocado, pois não existe uma fiscalização efetiva da planilha. Ele aponta que a discussão está mudando o foco, e este é o momento de revisão do contrato. 

“Nós, do movimento popular, somos favoráveis ao aumento do salário e contrários ao aumento da tarifa. Somos contra o subsídio, porque vai aumentar o lucro da empresa. Por isso pedimos a revisão”, completa Joel. 

Durante a negociação para o fim da greve dos funcionários da VCG, os vereadores se comprometeram em votar até o quinto dia útil de julho a proposta de lei que autorizará o repasse de verba. Hoje, às 19h, na Câmara Municipal, acontecerá uma audiência pública sobre o transporte coletivo. 

A presidente da Associação dos Usuários do Transporte Público de Ponta Grossa (AUTRANS), Lusinete Anjos Dorigon, diz que a audiência já tem pauta definida, mas na hora a discussão pode mudar de enfoque.
Entre alguns assuntos a serem discutidos, estão:

  • Bairros que não têm o transporte;
  • Tempo de espera nos pontos;
  • Manutenção dos veículos;
  • Quantidade máxima de usuários;
  • Diferenciação de valor monetário para um mesmo veículo;
  • Subsídio para a empresa;
  • Segurança nos terminais e veículos.

“Nosso objetivo é ajudar a melhorar a qualidade e uma nova greve não está descartada”, diz Lusinete. Durante a Audiência Pública, será feita uma pesquisa de opinião que originará uma carta protocolada junto ao Ministério Público.

Arquivo comunitário
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