Além das reivindicações de um serviço de qualidade e redução da tarifa, usuários do transporte público de Ponta Grossa demandam segurança – tanto nos ônibus, quanto nos terminais. Na tentativa de suprir essa necessidade, em março deste ano foi adicionado ao artigo 1º da lei 11.300, o parágrafo 3 que determina a instalação de câmeras de segurança nas áreas interna e externa dos terminais de transporte coletivo urbano. Entretanto, até agora não foi realizada nenhuma licitação para a instalação dos equipamentos.

Após serem instaladas quarenta câmeras em 10 – de 200 - ônibus da frota, o objetivo é estender a ação aos terminais como forma de combate ao crime e à violência contra funcionários e usuários. Entretanto, de acordo com o Secretário de Cidadania e Segurança, Ary Lovato, deve ser usado equipamento específico para esse tipo de demanda. “Câmeras comuns não têm finalidade nenhuma”, explica.

No entanto, ainda não foi aberta nenhuma licitação para instalar os equipamentos. De acordo com o vereador Antonio Aguinel (PCdoB), a ação agora é cobrar a aplicabilidade da lei junto ao Ministério Público. Segundo ele, a maior preocupação são os crimes violentos que, apesar de não aparecerem em nenhuma ocorrência recente, não deixam de existir.

Para a estudante Bruna Cosmo, a palavra “segurança” não é aplicada ao que a população tem nos terminais. “Existem vigias na entrada e saída para impedir que pessoas entrem sem pagar, protegem os interesses da empresa vigente no transporte, apenas isso, e não representam nenhum tipo de segurança aos usuários”, declara.

A falta de efetivo, tanto da polícia militar e civil, quanto da guarda municipal também se configura em um obstáculo para a segurança de forma prática dentro dos terminais. “Com o meu efetivo, hoje, dá pra fazer o que eu me propus a fazer até agora. Estou dando uma contribuição acima do que a condição física desses agentes de segurança permite”, declara o secretário.

Segundo o vereador Aguinel, no Terminal Nova Rússia, os funcionários tem receio de trabalhar, principalmente à noite, devido aos assaltos diários que sofrem. No entanto, conforme afirma o Secretário de Cidadania e Segurança, Ary Lovato, não existem queixas registradas sobre esses assaltos. “Nem eu e nem a policia militar ou civil temos essas informações. Então, esses dados, ou são inventados, ou as pessoas estão sendo assaltadas e não estão fazendo as queixas”, afirma Lovato.

Ao alcance do munícipio, o secretário acredita que uma das formas de garantir a segurança nos terminais é através da contratação, por parte da empresa concessionária, de agentes particulares. E para que se possa tomar medidas em relação aos crimes ocorridos, Lovato alerta para a necessidade de vítimas de prestarem queixas. “Se não existe a queixa do assalto, eu não tenho dados. Não tenho estatísticas pra fazer qualquer coisa”, alerta.

Para Bruna Cosmo, é necessário um investimento e estudo sobre a segurança em ônibus e terminais. “Uso o ônibus todos os dias e falo por mim, mas não me importaria em pagar quase 3,00 de passagem se isso significasse um transporte coletivo de qualidade e que traga segurança”, diz a estudante.