“Preciso ensinar os professores a forma de trabalharem comigo, por que nunca tiveram alunos assim no curso. Mas eu consigo acompanhar, eu gravo tudo” Murilo, Estudante de física, frequentador da Apadevi.

Uma dificuldade enfrentada pelos cerca de 10.142 pontagrossenses com deficiência visual (IBGE 2010) é a falta de material acessível em suas áreas de estudo ou trabalho. Instituições, como a Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Visuais (Apadevi) e a União dos Deficientes Visuais (Unidev), desenvolvem atividades para auxiliar seus frequentadores nos estudos e no dia-a-dia.

Marcos Germano, formado em Contabilidade pela UEPG; Lucas Pastorin, que faz atletismo; Murilo Andrelejesk, acadêmico do 1º ano de Física da UEPG; Jane Prado, estudante do 5º ano de Direito na Faculdade União e aluna de pós-graduação em Direito Penal e Processo Penal, são apenas alguns dos estudantes com deficiência visual que já sentiram a falta de material específico acessível.

Cada um vai se ajustando

Lucas Pastorin não frequenta um curso, desenvolve uma outra atividade, o atletismo, e sente falta de material acessível na cidade. O atleta tem grande dificuldade visual e precisa de ampliação para poder ler. Mas locais como a Biblioteca Pública não têm livros com letras ampliadas. “Nós corremos, em agosto vamos pra Foz do Iguaçu, e precisamos do material sobre atletismo”, diz Lucas, que faz o esporte pela Apadevi.

Marcos Germano se formou em Contabilidade pela UEPG em 2009. Tinha grande dificuldade visual na época, e o departamento nunca tinha trabalhado com um aluno com limitações. “Eu precisava ensinar os professores a forma de trabalharem comigo, me passarem o material com antecedência pra que eu pudesse ampliá-lo em tamanho A3”, explica Marcos. 

 A acadêmica de Direito da Faculdade União, Jane Prado, recebeu apenas agora, no 5º ano do curso, um programa para computador que lê em voz alta os textos. “Livro digital foi só no meu nono período, quando eu estava fazendo o TCC [Trabalho de Conclusão de Curso] que o meu orientador conseguiu uns três ou quatro livros. Em outros períodos, eu não tive acesso nenhum a livro digital. Quando eu preciso fazer trabalho, eu tenho que vir na Apadevi e pedir para um dos voluntários ler pra mim”.

Com a leitura de voluntários é que Murilo Andrelejesk, acadêmico de Física, está fazendo os seus trabalhos. Na Apadevi, ele encontrou um professor que o auxilia nas atividades universitárias.“O coordenador do meu curso está procurando o livro texto ainda. Eles nunca tiveram um aluno como eu, por isso não têm material. Estão procurando se tem audiobook e pdf”.

Para Murilo, ter acesso aos livros é importante. Mas ele garante que, se a explicação for boa, dá para acompanhar o curso. “Eu vou gravando a aula, depois em casa posso sempre ouvir mais uma vez. E, nas aulas práticas, o professor mostra bem qual equipamento vai usar para o experimento”.


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19/04/2013 - APADEVI colabora para que estudantes cursem o ensino superior