O teatro é importante no desenvolvimento psicomotor de deficientes visuais. A prática também é um espaço de inserção sociocultural. Há três anos o Grupo Teatral da União dos Deficientes Visuais (Unidev) de Ponta Grossa participa de festivais no Rio de Janeiro e São Paulo. No último mês, foi premiado no 18º Festival Cristo Arte, com a peça Alma gêmea.

 

Fundado em 2009, o Grupo Teatral realiza apresentações em nível nacional e estadual. O grupo já participou do Festival Nacional de Teatro (Fenata), promovido pela Universidade Estadual de Ponta Grossa.

Cláudio de Paula, associado e um dos fundadores da entidade, explica que o maior desafio é viabilizar a participação nos festivais de teatro. A dificuldade está em conseguir o apoio financeiro para a alimentação, estadia e transporte até a cidade-sede dos eventos.

“As peças são do grupo mesmo. Não existe auxílio de nenhum outro grupo. Nós criamos o texto, facilitamos o cenário”, conta o presidente da Unidev, José ‘Paulinho’ Souza.

O cenário é todo adaptado com marcações para auxiliar na locomoção do grupo. Um exemplo é a corda colocada no palco, próximo à plateia, para indicar que o ator não deve ultrapassar esse limite.

Cláudio, também ator da peça Alma gêmea, explica que “o teatro ajuda na percepção de espaço: a se locomover, andar, ir e vir como se fosse uma pessoa com visão”. Ele complementa falando que, por conta da deficiência visual, não imaginava que algum dia fosse possível participar de uma atividade como o teatro.

Já para Marcos Pesck, associado e ator da Unidev, o teatro ajudou na desinibição. A timidez diminuiu e ele passou a se expressar, conversar mais e não ter mais vergonha de pedir, se necessária, a ajuda para as pessoas.

Em função do trabalho ser realizado em equipe, Pesck considera que o teatro funciona como uma engrenagem. Se uma peça falha, todas as outras irão falhar. “É preciso companheirismo e senso de equipe, onde um depende do outro para fazer o melhor de si”, afirma.

Desde 2009, o Grupo Teatral da Unidev já levou aos palcos seis peças: três comédias, duas peças religiosas e uma sobre segurança no trabalho. O grupo conta com aproximadamente 15 integrantes, entre atores e equipe técnica.
Os ensaios acontecem todas às quartas-feiras, no Auditório B do Cine-Teatro Ópera.

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